quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016




       
 

 

O FEIXE DE VARAS

 

 

 

Um homem, bastante idoso,

Pressentindo o fim da vida,

Reuniu todos os filhos

Para sua despedida.

 
Pegou um feixe de varas

E falou bem devagar;

“Qual de vocês tem mais força

Para esse feixe quebrar?

 
Com todo esse seu vigor,

 Que tal você, ó João?”

O rapaz tentou bastante,

Seu esforço foi em vão.

 
“E agora, meu filho Pedro,

Que se gaba tão valente,

Apanha o feixe de varas

E o quebre prontamente”
 

O Pedro não conseguiu.

E nem os outros irmãos.

O velho tomou o feixe

Com suas calosas mãos.
 

Desamarrou cada vara

E uma a uma as quebrou.

Virando-se para os filhos,

Dessa forma assim falou:

 
“Enquanto unidos ficarem,

Vocês terão resistência.

E vencerão inimigos

Com maior eficiência”.

 

 Como lição de moral,

Tenham isto como norte:

“Uma força unida à outra,

Torna-se muito mais forte”.

 

 Fábula atribuída a Esopo, adaptada e versificada por mim.

 
Geraldo de Castro Pereira




segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016




                    
O  Lobo  e o Cabrito

 


 

 

Uma cabra foi pastar
Numa planície ali perto.
Deixou seu filhote em casa -

Um cabritinho esperto.

 
Mas, antes deu um conselho
Para o querido neném:

“Não abra a porta pro lobo,

Nem para o urso também.

 

Decore bem esta senha -,
(E este é o seu desafio):

“Com três batidas na porta,
Eu direi que estou com frio”.

 
Mas, atrás de uma árvore

O  lobo estava escondido.

E escutou toda a conversa,
Com seu apurado ouvido.

 
Logo que a cabra saiu,
Veio o lobo de mansinho.

Aproximou-se da casa,
Onde estava o cabritinho.

 
Bateu três vezes na porta,
Repetindo aquela senha.

O cabrito percebeu

Que a voz era rouquenha.

 
Numa fresta olhou e disse,
Antes de abrir a tranca:

“Se você for minha mãe,
Mostra a sua pata branca”.

 
O lobo, desmascarado

Pela cor da sua pata,
Saiu dali bem depressa

E escafedeu-se na mata.

 
Como moral da história,

Esta frase cabe em cheio:
“Para vencer um esperto,

Tem que ser esperto e meio”.

 
Fábula atribuída a Esopo, adaptada e versificada por mim.

 
Geraldo de Castro Pereira

domingo, 7 de fevereiro de 2016





                   
 

O  CÃO  E  A MÁSCARA

 

 


 

Certo cão, com muita fome,
Saiu atrás de comida.

De repente, tropeçou
Numa coisa ali caída.


Examinou o objeto
Com todo aquele cuidado.

Cheirou-o bem e sem pressa

Com o seu faro apurado.
 

Viu tratar-se de u´a máscara,
E afastou-a com desdém:

“ Deveras é bem bonita,
Contudo miolos não tem”.

 
Um ditado popular

A esta fábula acrescento:
“Por fora, bela viola,

Por dentro, pão bolorento”.

 

Fábula atribuída a Esopo, adaptada e versificada por mim.
Geraldo de Castro Pereira

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016


            

 

                           Não sei quantas almas tenho

 
                                           
 
                                   Fernando Pessoa

Biografia de Fernando Pessoa
                                                                                              
 

 
 

Não sei quantas almas tenho.

Cada momento mudei.

Continuamente me estranho.

Nunca me vi nem acabei.

De tanto ser, só tenho alma.

Quem tem alma não tem calma.

Quem vê é só o que vê,

Quem sente não é quem é,

 

Atento ao que sou e vejo,

Torno-me eles e não eu.

Cada meu sonho ou desejo

É do que nasce e não meu.

Sou minha própria paisagem;

Assisto à minha passagem,

Diverso, móbil e só,

Não sei sentir-me onde estou.

Por isso, alheio, vou lendo

Como páginas, meu ser.

O que segue não prevendo,

O que passou a esquecer.

Noto à margem do que li

O que julguei que senti.

Releio e digo : "Fui eu ?"

Deus sabe, porque o escreveu.

 




 

 

 

















 
 


  

 

              

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016






                  
À   DESCOBERTA  DO  AMOR

 Mahatma Gandhi
 



 
Ensaia um sorriso
E oferece-o a quem não teve nenhum.
Agarra um raio de sol
E desprende-o onde houver noite.
Descobre uma nascente
E nela limpa quem vive na lama.
Toma uma lágrima
E pousa-a em quem nunca chorou.
Ganha coragem
E dá-a a quem não sabe lutar.
Inventa a vida
E conta-a a quem nada compreende.
Enche-te de esperança
E vive à sua luz.
Enriquece-te de bondade
E oferece-a a quem não sabe dar.
Vive com amor
E fá-lo conhecer ao Mundo.

 

sexta-feira, 29 de janeiro de 2016



Presságio



Autor: Fernando Pessoa



O amor, quando se revela,
Não se sabe revelar.
Sabe bem olhar pra ela,
Mas não lhe sabe falar.
Quem quer dizer o que sente
Não sabe o que há de dizer.
Fala: parece que mente…
Cala: parece esquecer…
Ah, mas se ela adivinhasse,
Se pudesse ouvir o olhar,
E se um olhar lhe bastasse
Pra saber que a estão a amar!
Mas quem sente muito, cala;
Quem quer dizer quanto sente
Fica sem alma nem fala,
Fica só, inteiramente!
Mas se isto puder contar-lhe
O que não lhe ouso contar,
Já não terei que falar-lhe
Porque lhe estou a falar…






quarta-feira, 27 de janeiro de 2016



Cantigas tristes...


Resultado de imagem para imagens de sereias cantando


 

Gostava de ouvir cantigas suaves,
Como as das aves

Em melopeias divinais.
Agora, não ouço mais.

 
Também, ao contrário do herói Ulisses,
Tapei meus ouvidos

Para não ouvir o canto,

Que me parecia um pranto,
Das traiçoeiras sereias

No palco acústico se exibindo

Lá no báratro profundo

Da meu mar encapelado.

 Fiquei só,

 no silêncio da noite.

  
Geraldo de Castro Pereira