domingo, 29 de novembro de 2015





                             
A   PANTERA    E    OS    PASTORES

 Shepherd and his flock stock photo

 

Despencous-se numa cova
Certa vez uma pantera.

Muitos pastores a viram

E a deixaram uma fera.

 
É que muitos se juntaram
Ali perto, como maus,

Pois lançaram contra ela
Pedras, pedaços de paus.

 
Mas, outros pastores, dela

Amenizando o sofrimento,
Em lugar de a maltratarem,

Jogaram-lhe alimento.

 
Sobreveio a noite fria.

E todos foram-se embora.
Julgavam achá-la morta

Talvez ao romper da aurora.

 
Contudo, aquela pantera
Saíra dali ilesa.

Conseguira escapar-se,
Usando sua destreza.

 
Decorridos poucos dias,

A pantera se vingou

Daqueles que a maltrataram
Quando na cova ficou.

 
Trucidou os maus pastores,
Devastando tudo em volta.

Faminta, comeu as reses,
Com ódio e  muita revolta.

 
O animal então falou

Com  os outros bons pastores:
“Pouparei as vossas vidas,

Pois vós sois meus benfeitores”.

 
Que poderemos dizer

Da fera e sua atitude?
“É que os bons são compensados

Ao agirem com virtude”.”.

 

Fábula de Fedro,  por mim versificada e extraída do meu livro “Fábulas Di-versificadas” – Editora Protexto.

 
Geraldo de Castor Pereira.

quinta-feira, 26 de novembro de 2015




UM JUMENTO E UM VELHO PASTOR.







Certa vez, sagaz velhinho,

Já doente e alquebrado,

Apascentava um jumento

Com muito carinho e cuidado.

Temeroso e estarrecido
Com tamanha corrupção

Nos governos anarquistas,

Ao jumento disse então:



“As eleições estão próximas,

Oh animal belo e bruto!

Pode aqui se instalar

Mais um governo corrupto.

Para não sofreres tanto,
Caindo prisioneiro,

Fujas logo pra bem longe,
Vá depressa, bem ligeiro”.

O jumento deu de ombros
Para aquela advertência.

Respondeu ao protetor
Nestes termos, com veemência:

“Irão mudar meu destino?
Que me prendam, eu não ligo.

Continuarei sempre escravo:
Só mudarei de inimigo!”

Que moral nós tiraremos
Desta fábula tão forte?

“A alternância de um governo
Não muda de um povo a sorte”.


Obs: Fábula de Fedro, extraída do meu livro “Fábulas Di-versificadas” – Editora Protexto.

Geraldo de Castro Pereira

                  

domingo, 22 de novembro de 2015


O  PARDAL,  A LEBRE  E  A  ÁGUIA.





A lebre foi apanhada
Pela águia, sem piedade.
O pardal, que viu aquilo,
Foi dizendo com maldade:
=“Dona lebre, onde está
Tua grande ligeireza?
Como deixaste que a águia
Te pegasse de surpresa?”

Mal terminou sua fala,
A ave foi surpreendida
Pela águia esfaimada,
Que lhe foi tirando a vida.

Quase morta, a lebre disse
Essa lição verdadeira:
“Quem se julgava seguro,
Sucumbiu de igual maneira”.


(Fábula de Fedro, extraída do meu livro: “Fábulas Di-versificadas” – Editora Protexto) 


Geraldo de Castro Pereira



quinta-feira, 19 de novembro de 2015




                   O   LOBO  E   O  GROU








Um lobo, muito guloso,
Comendo feito um danado,
Em sua imensa garganta
Teve um osso atravessado.

Ficou todo apavorado,
Pensando que ia morrer.
Procurou cada animal,
Para logo o socorrer.

Mas, numa assembleia deles,
Quem ficou com a missão
Foi o grou, por ter pescoço
De tão grande proporção.

O lobo então prometeu,
- E fazendo um juramento - ,
Não atentar contra a vida
Do grou naquele momento.

O grou, muito confiante,
Enfiou o seu pescoço
Na goela do lobo aflito
E arrancou o enorme osso.

Mas, muito ganancioso,
Vendo o logo satisfeito,
Pediu uma recompensa
Pelo êxito do seu feito.

“Ingrato” –rosnou o lobo,
Entreabrindo a boca imensa:
“Da morte tu  escapaste.
Ainda pedes recompensa?’

Dessa fábula se extrai
Uma preciosa moral:
“Quem  faz bem a um malfeitor,
Pode muito se dar mal”.


Fábula por mim adaptada e versificada, extraída do meu livro “Fábulas Di-versificadas” – Editora  Protexto.

Geraldo de Castro Pereira

domingo, 15 de novembro de 2015



                  
O HOMEM, O MENINO  E  O BURRO

 

 

Um homem simples da roça,
Já com uma certa idade,

Foi vender o seu burrinho

Lá na feira da cidade.

 
Chamou seu filho pequeno,
-Seu companHEIRO leal_ .

Caminharam lado a lado,

Puxando aquele animal,

 
Ao passarem bem pertinho
De um barZINHO DE estrada,

Três homeNS que ali estavam,
Deram sonora risada:

 
“Como pode”, -eles disseram -,

Haver tanta estupidez?
Por que não montam no burro

Os dois juntos, de uma vez?"

 
aPÓs aquela chacota,
O homem pôs o filhinho

No lombo daquele burro
E seguiram seu caminho.


Mais adiante, numa ponte,
Encontraram um casal.

A mulher, ao ver a cena,

Falou com ar magistral:

 
“Como pode uma criança
tão sadia, ir montada,

Enquanto seu velho pai
Vai a pé por esta estrada?”

 

O homem tirou seu filho
E Foi montar no burrinho.

Ao passar por uma escola,
Escutou um burburinho.

 
Os alunos o cercaram.

Gritou o mais exaltado:
“O menino está a pé

E um homem forte montado!

O senhor não se envergonha
De tão grande covardia?”

O homem ouviu, calado,
O que o rapaz dizia.

 
Chamou depressa o menino
para no asno montar.

SeguiraM SUA VIAGEM,
aGORA BEM DEVAGAR.

 
E qUANDO ESTAVAM CHEGANDO

À FEIRINHA DA CIDADE,
dAS JANELAS UNS GRITAVAM:

“qUE MALDADE! qUE MALDADE!


dUAS PESSOAS MONTADAS
nUM POBRE BURRO CANSADO:

uM garoto TÃO SADIO
e UM SENHOR muito folgado!”

 
o HOMEM, OUVINDO AQUILO,
aPEOU COM O MENINO.

e PÔS O BURRO NAS COSTAS.

CHEGaram AO SEU DESTINO.

 
cOMO MORAL DA HISTÓRIA,

eSTA LIÇÃO NOS CONVÉM:
“qUEM QUER AGRADAR A TODOS,

nÃO AGRADARÁ NINGUÉM”.

 
oBS: fÁBULA ADAPTADA E VERSIFiCADA POR MIM.

 

gERALDO DE CASTRO PEREIRA.

sexta-feira, 13 de novembro de 2015





                 
A  GRALHA  E   A  OVELHA

 

Uma gralha velhaca e folgada

Sobre o dorso da ovelha pousou.

A ovelhinha, sentindo o incômodo,

Desta forma para a ave falou:


“Se tivesses alguma coragem,

Em um cão bem feroz pousarias.

E, com muita certeza, um castigo

Merecido e cruel sofrerias”.

Mas a gralha, com muito desdém,

Numa breve resposta, lhe disse:

"Maltratar eu sei bem a quem devo.

É assim que prolongo a velhice”.


Poderemos colher desta fábula

A lição deste belo conceito:

“Sempre escolhe o covarde os mais fracos

Para deles tirar um proveito”.

(Fábula de Fedro,  extraída do meu livro “ Fábulas Di-versificadas”- Editora Protexto).

Geraldo de Castro Pereira.

sábado, 7 de novembro de 2015



                    
O   PASTORZINHO   MENTIROSO

 

  

Bem perto de uma aldeia
Trabalhava um partorzinho.

Cuidava do seu rebanho,
Com esmero, mas sozinho.


 Para espantar o tédio
Bolou um brinquedo bobo:

Gritava perto da aldeia:
“Olhe o lobo! Olhe o lobo!”.

Assustados habitantes
Corriam para ajudá-lo.

Mas, como era mentira,.

Passaram a ignorá-lo.

:Mas, um dia, de repente,
Veio  um lobo de verdade

O pastor pôs-se a chamar
Todo o povo da cidade.

Ninguém quis acudi-lo,

E o lobo fez a festa.
Depois que encheu a pança,

Fugiu para uma floresta..

O rapaz ficou tristonho,
Quando foi ao povoado:

Ele não achou ninguém
Que ficasse do seu lado.

Como lição de moral,
A fábula nos indica;

“Aquele que é mentiroso

A si mesmo prejudica".




Fábula de Esopo, por mim adaptada e versificada.

Geraldo de Castro Pereira.

quinta-feira, 5 de novembro de 2015





                  
      O HOMEM E  O LEÃO

 

 


 

Um homem quis provocar

Um leão forte e bravio.

Para tanto, convidou-o

Para este desafio:

 
“Vem comigo”, disse o homem,

“Me acompanhe, valentão!

Vou mostrar quem pode mais:

Se um homem ou um leão.”

 

E para uma grande praça

Conduziu o animal.

E mostrou-lhe uma estátua

De tamanho colossal.

 

“Estás vendo aquela estátua?

Olha bem! Que força atroz!

Um homem estraçalhando

Um leão muito feroz."

 
‘Estou vendo”, disse a fera.

“Qual a vantagem, então?

Quem esculpiu a estátua:

Um homem ou um leão?

 

Se me deres outra prova

Que me seja convincente,

Eu direi que o ser humano

De todos é o mais valente”.

 
O homem ficou sem fala,

Não tendo outro argumento.

Então, o leão lhe disse

Naquele exato momento:

 
“Não me deste prova alguma

Da tua força e vigor.
      Modelo para outra estátua

Darei ao teu escultor”.

 

Sobre os ombros do infeliz

Pôs suas patas pesadas.

E cravou-lhe,sem piedade,

Suas garras afiadas.

 

Como moral da história,

Esta verdade acrescento:

“Contra a força muitas vezes

Não existe argumento”.

 

Fábula de Esopo, adaptada e versificada por mim.

 

Geraldo de Castro Pereira

segunda-feira, 2 de novembro de 2015




 

A   MOSCA  E  A  FORMIGA

 


 

A mosca se aproximou

De uma obreira formiga.

E começou a conversar

De uma forma nada amiga:

 

“Eu sou chique, uma fidalga -,

Detesto estes seres pobres.

Passeio por onde quero.

Sento-me à mesa dos nobres.

 

Entro nos templos sagrados,

Não me sujeito a leis.

Pouso no rosto das damas.

Frequento os tronos dos reis.

 

Não tenho que trabalhar,

Levo a vida em mordomia.

Já você, minha amiguinha,

Labuta de noite e dia”.

 

A formiga respondeu

Para aquela vil mosquinha:

“Não a invejo nenhum um pouco,

Você é muita mesquinha.

 

Todos a querem bem longe,

Por todos sempre enxotada.

Vive mais nas esterqueiras,

Numa imundície enojada.

 
Quando o frio se aproxima,

Gruda-se numa parede.

Fica ali toda mirrada,

Morrendo de fome e sede.

 
No entanto, eu, ao contrário,

Não importuno ninguém.

Tenho minhas provisões

Para viver muito bem.
 

 Não sou uma parasita,
Ser previdente eu procuro.

Eu trabalho sem descanso,
Preparando o meu futuro”.

 
Como moral da história,
Esta lição permanece:

“Não cessem de trabalhar,

Pois o trabalho enobrece”.

 

 

Fábula de Esopo, adaptada e versificada por mim.

 

Geraldo de Castro Pereira