segunda-feira, 3 de fevereiro de 2020



A UM AUSENTE

Carlos Drummond de Andrade


“Tenho razão de sentir saudade,
tenho razão de te acusar.
Houve um pacto implícito que rompeste
e sem te despedires foste embora.
Detonaste o pacto.
Detonaste a vida geral, a comum aquiescência
de viver e explorar os rumos de obscuridade
sem prazo sem consulta sem provocação
até o limite das folhas caídas na hora de cair.

Antecipaste a hora.
Teu ponteiro enlouqueceu, enlouquecendo nossas horas.
Que poderias ter feito de mais grave
do que o ato sem continuação, o ato em si,
o ato que não ousamos nem sabemos ousar
porque depois dele não há nada?

Tenho razão para sentir saudade de ti,
de nossa convivência em falas camaradas,
simples apertar de mãos, nem isso, voz
modulando sílabas conhecidas e banais
que eram sempre certeza e segurança.

Sim, tenho saudades.
Sim, acuso-te porque fizeste
o não previsto nas leis da amizade e da natureza
nem nos deixaste sequer o direito de indagar
porque o fizeste, porque te foste”


quarta-feira, 6 de março de 2019


EU VOU GRITAR





EU VOU GRITAR,

ENQUANTO TIVER VOZ.

EU VOU CANTAR, ENQUANTO TIVER VOZ.

MESMO QUE AS PESSOAS NÃO ME OUÇAM,

MESMO QUE AS PARCAS TAPEM MINHA BOCA,

MESMO QUE MINHA VOZ SE TORNE ROUCA,

EU VOU GRITAR.

 ASSIM,ATÔNITO,

 CATATÔNICO,

DISTÔNICO,

NO ALUVIÃO DOS MEUS TORMENTOS,

NO VÓRTICE DOS PENSAMENTOS,

EU VOU GRITAR!



E OS ECOS REPETIRÃO MINHA VOZ

PELOS PÁRAMOS DO INFINITO.

EU VOU GRITAR SEMPRE:

“VIVA A VIDA"!

quinta-feira, 20 de dezembro de 2018


Noite de Natal -soneto
Autor:Geraldo de Castro Pereira



Que longos sons, sutis, vibrantes, finos
Ouço ecoando na calma noite fria!
Sons de violões, guitarras e violinos,
Espalhando pelo ar sua harmonia!

E, bem ao longe, retumbantes sinos
Badalam em repiques de alegria!
E a entoação de cânticos divinos
De um coro alegre a todos extasia!

E por que essa noite de esplendores,
De mistérios, de júbilos, de amores?
Esses doces encantos de onde vêm?
´
-É que nesta formosa noite fria
Um botão da divina Flor –Maria
Abrir-se-á na gruta de Belém!

Feliz Natal para minhas amigas e amigos!


quinta-feira, 13 de dezembro de 2018


HAIKAIS DE GERALDO DE CASTRO PEREIRA

Barco da esperança,
Por que tão lento vais singrando
Distante de mim?


-XIV -

Eu quero beijar
A mais formosa das rosas:
Os espinhos não deixam.


-XV -

Comigo subiste
Num pé de jabuticaba:
Preferi teus olhos.

- XVI –

A vida é batalha
Equilibra-se num fio
Da afiada navalha,

-XVII –

Seca nordestina:
Um homem espremendo a água
Da folha do cacto.

Muitas nuvens negras
Estou vendo  em meu destino.
Isto  é racismo?



Subi na balança,
Olhei para o mostrador.
Tive um desmaio..

O tempo varreu
Toda a poeira dos sonhos
Que tanto guardei.


A sombra da morte.
Corre sempre atrás de mim;
Mas, conheço atalhos.

Bola de borracha,
Que bate no chão com força,
Mais alto se eleva.


É um sino de Igreja
Que convida à oração
E fica lá fora.



quarta-feira, 28 de novembro de 2018


Trova que fiz:

Tenho orgulho do passado.
Quem não luta, nunca vence.
Mas, já  o futuro é um dado
Que somente a Deus pertence

segunda-feira, 12 de novembro de 2018


Trovas que fiz:

     -I-

Eu ouvi este conselho,
E aqui repito com fé:
“Ante Deus fique de joelho!
Ante os problemas, de pé!”



         =II -

Com sabedoria imensa
o “Poetinha” disse então;
“Um amor que não compensa
É melhor que a solidão”

quarta-feira, 31 de outubro de 2018




CORAÇÃO

GUILHERME DE ALMEIDA

Lembrança, quanta lembrança
Dos tempos que já lá vão!
Minha vida de criança,
Minha bolha de sabão!

Como vais, como te apartas,
E que sozinho que estou!
Oh! Meu castelo de cartas,
Quem foi que te derrubou?

Tudo muda, tudo passa
Neste mundo de ilusão;
Vai para o céu a fumaça,
Fica na terra o carvão.

Mas sempre, sem que te iludas,
Cantando no mesmo tom,
Só tu, coração, não mudas,
Porque és puro e porque és bom!


segunda-feira, 15 de outubro de 2018

DIA DO PROFESSOR



Hoje dedico essa trova
ao dia do professor.
Nosso aplauso será prova
do nosso carinho e amor!

Geraldo de Castro Pereira

sábado, 6 de outubro de 2018




TROVAS MINHAS:

         -I-
Na minha vida eu errei
E cometi muito asneira.
Agora os erros juntei:
Fiz deles uma fogueira.


              -II-

Andei de cabeça baixa
Quase toda a minha vida.
Hoje ninguém me rebaixa;
Ando de cabeça erguida.

          -III-

Não quero a fama jamais.
Amo a minha liberdade.
Quero o sossego demais
Da minha privacidade.

           -IV-

Hoje em dia tantos meios
Há de comunicação.
No entanto, estamos cheios
De tamanha solidão!

           -V-


No mundo há diversidade,
Pessoas de todo o jeito.
Umas olham qualidade,
Outras só veem defeito.

            -VI-

Faço alguma poesia,
Tornei-me declamador
Pra celebrar a alegria
E pra declamar a dor.

segunda-feira, 24 de setembro de 2018


QUEM É VOCÊ?

Quem é você que me atormenta assim,
Tão atraente, linda, tão sincera,
Suave flor que brotou na primavera,
espargindo perfumes no jardim?

Procuro conhecê-la e tudo em vão!
Talvez quimera, nuvem passageira.
Última  brasa ardendo na lareira
Deste meu combalido coração.

Os lábios encarnados e risonhos,
Que me  arremessam  num vulcão de sonhos!
Esta covinha que aparece e some

Na sua face , sem qualquer fadiga.
Mas, afinal, quem é você,  me diga?
Pois  aqui fico sem saber seu nome!

(poema de minha autoria).

domingo, 16 de setembro de 2018



Mais trovas:



 -I- 

Essas flechas simplesmente
Partiram do seu olhar,
Cegando-me totalmente:
Nunca mais pude enxergar.

-II-

Andei de cabeça baixa
Quase toda a minha vida.
Hoje ninguém me rebaixa:
Ando de cabeça erguida.

-III-

Não quero a fama jamais.
Amo a minha liberdade.
Quero o sossego demais
E minha privacidade.

-IV-

Hoje em dia tantos meios
Há de comunicação.
Mas, no entanto, estamos cheios
De tamanha solidão! 


segunda-feira, 10 de setembro de 2018

MAIS ALGUMAS TROVAS MINHAS;


I -

Quantos pobres sem guarida,
Num abandono total!
Quem lhes dera ter a vida
De um doméstico animal!

II -

A vida do ser humano

Anda tão banalizada!

Tiram-na, de modo insano,

Por qualquer motivo ou nada!


III -


TROVA SOBRE O INCÊNDIO DO MUSEU NACIONAL:

O Brasil está de luto

Pelo incêndio lamentável!

Com certeza, isto é o fruto

De um governo irresponsável!

domingo, 26 de agosto de 2018





O PÃO-DURO

Microconto -

 “Sou pão-duro, vivo bem. Não dou esmola, não faço favor, não ajudo ninguém. Sou pão-duro, vivo bem. Quem quiser que faça assim como eu também.”
  Joaquim sempre cantarolava a musiquinha de Luiz Gonzaga. Gerente de uma padaria. Todo o dinheiro ganho escondia no colchão de palha.
  Uma noite, sozinho, como o “José”, do poema drummondiano, fumava. Adormeceu.
Chamas! Cinzas! Vizinhança acode. Sepultado como indigente!
  Alguém no enterro: “sou pão-duro, vivo bem...”

Geraldo de Castro Pereira


terça-feira, 14 de agosto de 2018





Seu nome

Espalhei seu nome por toda a parte
E o coloquei em vários outdoors!
Escrevi-o nos altos montes.
Gritei seu nome entre os vales
Para ouvir os ecos repeti-lo.
Coloquei seu nome na voz dos cantores.
Escrevi-o nas areias do deserto
Para que o vento incerto o espalhasse entre as brancas dunas.
Coloquei seu nome nas ondas do mar
 E ele se misturou
Com aquele surdo marulhar.
Ensinei os pássaros canoros a gorjeá-lo
E os relâmpagos a aprenderem a escrevê-lo no céu.
E, com ferro e fogo,
Gravei seu nome em meu coração!
E como sangrou!!!.

terça-feira, 7 de agosto de 2018


Trovas de Geraldo de Castro Pereira:
trova 1:


QUALQUER IDOSO, POR CERTO,
QUASE NUNCA PERDE O TINO:
ENXERGA POUCO DE PERTO!
MAS,VÊ DE LONGE O CRETINO!

Trova 2;


O amor é que sempre fica.
Mas, ódio sempre nos dói.
O amor pontes edifica,
E o ódio sempre as destrói.

Trova 3:
NO MUNDO HÁ DIVERSIDADE,
PESSOAS DE TODO O JEITO!
UMAS OLHAM QUALIDADE,
OUTRAS SOMENTE DEFEITO.




domingo, 22 de julho de 2018


TROVA PARA NELSON MANDELA


.
Fiz uma trova, para comemorar o centenário de nascimento do grande líder Nelson Mandela. Ele nasceu em 18 de julho de 1918 em Joanesburgo.


Nelson Mandela, se vivo,
Hoje teria cem anos.
Foi defensor muito ativo,
Sim, dos direitos humanos!