terça-feira, 28 de abril de 2015

      


  PARTIDA 
 






Partiu para bem distante
A mulher que eu amei tanto.
Restou somente a saudade,
A  enxugar o  meu pranto.

E neste mundo de treva
Fiquei vagando sozinho
Sorvendo  o fel da ilusão,

Trôpego, em meu caminho.

Sem arrimo, sem amor,
Fui apoiar-me, cansado,
No bastão da minha dor


Depois daquela partida,
Não quero mais escutar

A melopeia da vida.

Graldo de Castro Pereira

segunda-feira, 27 de abril de 2015




                     EDUARDO GALEANO – GRANDE PERDA

                 Não poderia deixar passar em branco em meu blog um pequeno comentário sobre a morte do grande escritor e jornalista uruguaio, Eduardo Hughes Galeano, falecido no dia 13 do corrente, aos 74 anos (por sinal, minha idade).  Nasceu ele em Montevidéu aos três de setembro de 1940.

                Certamente, o mundo ficou intelectualmente mais pobre com a morte desse grande ser humano.  Como anticapitalista, escreveu em 1971 sua grande obra “As Veias Abertas da América Latina”.

               Para se ver como algumas pessoas, com o perpassar do tempo, mudam suas ideias, no ano passado, com relação à sua obra acima dita, declarou: ”Se eu a relesse hoje, cairia desmaiado (...) Para mim, essa prosa da esquerda  tradicional é extremamente árida e meu físico já não a tolera”.

               Em 1973, Galeano foi preso em razão do golpe militar no Uruguai e teve seu nome colocado na lista dos esquadrões da morte. Então, exilou-se na Espanha. Só em 1985, após a redemocratização do Uruguai, retornou a seu país, onde viveu até seus últimos dias de existência.
               Escreveu várias outras obras, dentre as quais podemos citar: “Memória de Fogo”, que constitui uma trilogia da História das Américas.    
.             Esteve no Brasil, participando da Bienal do Livro ocorrida em Brasília no mês de abril de 2014.

              Como apaixonado por futebol, escreveu também o livro “O Futebol ao Sol e à Sombra”, onde critica intelectuais de esquerda que rejeitam o jogo por questões ideológicas.
 
              Encerro aqui minhas considerações, com duas frases de Galeano: "As pessoas estavam na cadeia para que os presos pudessem ser livres" e “Para se levantar, é preciso saber cair”.

              Que ele tenha o descanso eterno!

                 Geraldo de Castro Pereira
O PASTOR E A CABRA

 Um desastrado pastor
Ao manejar seu cajado,
De uma cabra do rebanho
Deixou o chifre quebrado.

Com medo do seu patrão,
À cabra pediu, com jeito,
Que não o denunciasse
Pelo que havia feito.


A cabra lhe prometeu
Fazer o que ele pediu.
Com muita sabedoria
Este aviso repetiu:

“Preste atenção, ó pastor,
Em teu ato praticado:
Teu senhor logo verá
Este meu chifre quebrado”.


E como moral da história
Apenas posso acrescer:
“Tudo aquilo que é mal feito
Não adianta esconder”


Obs: Fábula extraída do meu livro "Fábulas Di-versificadas", publicado pela  Editora Protexto.
Geraldo de Castro Pereira

domingo, 26 de abril de 2015





                      
O MAR

Deitado sobre a areia macia,
contemplo, estático, o espetáculo do mar!
O ronco rouco das ondas encrespadas
vai sumindo devagar
ao encontro dos penedos, mansamente!.

Suave vento,
sobre as águas perpassando,
varre-as com a vassoura de seu sopro doce e brando.
E, num tom
surdo e sonolento,
como um som
de um enxame alvoroçado
de abelhas ,
comigo o imenso mar está cantando.

 Poema de Geraldo de Castro Pereira.

SANTA MARIA DO SUAÇUÍ -MG

              
              
                 SANTA MARIA DO SUAÇUÍ-MG - MINHA TERRA NATAL


Sta. maria eterna, Sta. maria do suaçui-mg,br

Imagem de Nossa Senhora - cartão postal de Santa Maria do Suaçui-Mg



               Santa Maria do Suaçuí-Mg: o habitante dessa cidade se chama santa-mariense. O Município tem uma extensão de 624,1 km2.Segundo o último censo, possui 14.399 habitantes, com densidade demográfica de 23,1 habitantes por km2.
                As cidades vizinhas são: José Raydan, Água Boa, São Sebastião do Maranhão. É uma cidade, portanto, pequena, mas agradável, com um povo pacato e trabalhador.
               Denominada "cidade da fé", porque aí viveu e morreu o Cônego Lafayete da Costa Coelho, considerado um santo, existindo, inclusive, um processo de beatificação em andamento no Vaticano. 
               Tive o prazer de ter sido coroinha do Cônego lafayete e batizado por ele.
               Todos os anos há uma romaria no mês de setembro para celebrar o dia da morte do Santo Cônego. A cidade fica lotada com a vinda de muitos romeiros.

               Na verdade, eu não nasci na cidade mesmo, mas, na zona rural denominada "Murubau". Daí , tirei o nome do meu blog.
               Dificilmente, esquecemos nossa terra natal,embora as autoridades que a governam se esquecem de nós, que saimos de lá e nos tornamos pessoas bem sucedidas fora do Município.
               Mas, parafraseando Carlos Drumond de Andrade, Santa Maria do Suaçuí, para mim, não é apenas um retrato na parede. Afinal, todos cantam sua terra, como disse Casimiro de Abreu em um trecho do seu poema:

"Todos cantam sua terra,
Também vou cantar a minha,
Nas débeis cordas da lira
Hei de fazê-la rainha;
— Hei de dar-lhe a realeza
Nesse trono de beleza
Em que a mão da natureza
Esmerou-se em quanto tinha. "

GERALDO DE CASTRO PEREIRA

sábado, 25 de abril de 2015



    
S U C E S S O   N A   VIDA
   

 

“Se você pensa que é um derrotado,
você será derrotado.
Se não pensar “quero a qualquer custo!”
Não conseguirá nada.
Mesmo que você queira vencer,
mas pensa que não vai conseguir,
a vitória não sorrirá para você.

Se você fizer as coisas pela metade,
você será fracassado.
Nós descobrimos neste mundo
que o sucesso começa pela intenção da gente
e tudo se determina pelo nosso espírito.

Se você pensa que é um malogrado,
você se torna como tal.
Se almeja atingir uma posição mais elevada,
deve, antes de obter a vitória,
dotar-se da convicção de que
conseguirá infalivelmente.

A luta pela vida nem sempre é vantajosa
aos fortes nem aos espertos.
Mais cedo ou mais tarde, quem cativa a vitória
é aquele que crê plenamente
Eu conseguirei!”

 

 Texto de Napoleon Hill

 

 

 

 

 


                   R U G A S    D E   U M  S O R R I S O 





A woman's smile — Fotografia Stock  #10000154




                   Ah, aqueles tempos do Diretório Central dos Estudantes (mais conhecido como DCE), palco de tantas reuniões e lutas contra o governo totalitário instalado no País em 1964.

                   Sua sede social ficava (ou ainda fica?) ali na Rua  Gonçalves Dias, Bairro de Lourdes, na bela capital mineira As horas dançantes aconteciam quase sempre aos sábados. Era um festival de moças bonitas e casadoiras.
                   Os universitários ali se reuniam para uma paquera geral. Normalmente, os rapazes permaneciam em pé, muitas vezes caminhando em volta das mesas, sem ocupá-las, para não pagarem gorjetas ao garçom. Iam diretamente ao bar e ali compravam suas bebidas.
                   As moçoilas, sim, sentavam-se às mesas, às vezes com seus pais, parentes, ou acompanhadas de colegas, irmãos ou namorados.
                   Floriano não perdia um baile no DCE. Tinha ele sua turminha de gole e de paquera. Era também um bom dançarino. Seu forte era a valsa. Ao som do Danúbio Azul, valsava até a dama se cansar.
                  Universitário, cursava o terceiro ano de Direito na Federal; vangloriava-se de seu porte físico.
                  Foi numa agitada valsa que conheceu Maria Amélia. Estava ela sentadinha e bem comportada, juntamente com sua tia, ocupando uma mesa bem perto da pista de dança. Era uma lourinha, de rosto bem rosadinho, cabelos finos e esvoaçantes, pernas finas, mas bem torneadas, nariz bem afilado e olhos castanhos claros. Também universitária, segundo ano de letras (Português e Inglês) na FAFI (Faculdade de Filosofia e Letras da Federal).
                Começaram a bailar. Ela, tão leve, não parecia dançar: voava como uma pena ao vento. Quando terminou a música, foi um aplauso geral.
                Floriano sentiu-se nas nuvens, um verdadeiro Fred Astaire. Levou-a até à mesa e pediu licença para sentar-se também. A tia assentiu com um aceno de cabeça. Dançaram outras músicas. E ali nasceu um romance de fazer inveja a Romeu e Julieta.
                A tia da moça, de nome Francisca, era quem dava as cartas. Quis embora antes do término do baile, para desagrado de Floriano. Chamou o garçom e pediu a conta.
                Elas haviam tomado apenas dois guaranás e ele um chopinho. Por sorte, havia recebido seu pagamento minguado de vendedor de uma livraria. Quitou a conta toda. Ofereceu-se para levá-las, mas a tia foi logo dizendo:” precisa não, moramos aqui pertinho”.  Foi um alívio para o bolso de Floriano, pois não tinha carro e teria de arcar com as despesas de  um táxi.
                Foram andando Rua da Bahia abaixo até a altura da Rua Guajajaras com Álvares Cabral. A família de Maria Amélia morava num casarão antigo, prestes a ser tombado ou  talvez demolido por uma grande construtora.
                A tia da moça subiu antes. Floriano ficou ali mais um pouco com Amélia. Trocaram números de telefones. A mãe de Amélia surgiu de repente na janela e gritou, com uma voz rouquenha, para a moça entrar logo, pois já era muito tarde. Os dois se despediram, antes marcando um encontro para o próximo sábado lá mesmo no DCE.
                Floriano ficou ansioso para chegar o sábado. Enfim, veio o tão esperado dia, ou melhor, noite. Lá foi ele para dançar com sua dama lourinha. 
                Ela e a inseparável tia já estavam esperando por ele na mesa reservada com antecedência.
                Aproximou-se, deu um beijo no rosto de Amélia, apertou a mão da tia e sentou-se com elas. Não demorou, e o conjunto musical começou a tocar. Eram músicas lindas, daquela época, de Ray Conniff. Dançaram bastante. Ele encostou seu rosto no dela, embora tomando cuidado para não serem vistos pela zelosa titia. 

               Naquele enleio todo, Floriano roçou seus lábios no laço de fita usado para prender o cabelo esvoaçante da namorada. Ela se arrepiou todinha. Aproveitando-se do momento, o rapaz sussurrou-lhe aos ouvidos a estrofe do poema de Castro Alves ‘O Laço de Fita’: ”há pouco voavas na célere valsa, na valsa que anseia, que estua e palpita: por que é que tremeste? Não eram meus lábios... beijava-te apenas teu laço de fita”.

              “Que lindo!”- respondeu baixinho e emocionada a moça. E o beijou carinhosamente no rosto, isto porque a tia estava de olho.

               Sentaram-se um pouco para descansar. Floriano teve vontade de ir ao banheiro. Quando estava longe, um estudante de engenharia chegou-se até à mesa para tirar Amélia para dançar. “Tenho namorado, disse ela’.
-                     “E o que importa? Não tenho ciúmes’, falou o engraçadinho.
                 Nisto, apareceu Floriano, pegou uma cadeira e rachou-a na cabeça do atrevido. A partir daí começou uma briga geral. Eram cadeiras e mesas voando pelos ares, garrafas e copos se espatifando pelo chão. Chamaram a polícia, pois os seguranças não conseguiam dominar a situação.
                 Floriano pegou na mão da namorada e esta, por sua vez,enlaçou seu braço no da tia. Com muito custo, saíram daquele local. Ele, com algumas escoriações na cabeça e nos braços. As duas nada sofreram
                 Fizeram o mesmo trajeto da semana anterior. O rapaz, após a tia ter entrado a casa, continuou com Amélia na porta. Trocaram abraços apertados e beijos ardentes.
                 Mas, uma coisa estava martelando a cabeça do rapaz: Amélia não ria. Apenas, esboçava um ligeiro sorriso, quase sem mexer os lábios e as bochechas.
                 Para certificar-se mais, contou-lhe uma piada engraçada. E ela agiu do mesmo jeito: Então, perguntou-lhe: “não gostou de minha piada?’
-               -“Gostei muito.”
 -              “Então, por que não riu?”
          -    “Não quis rir, para não fazer rugas em meu rosto”    
                 Ele deu aquela gargalhada. Ela não gostou de sua atitude.
                Intrigado com o comportamento inusitado de sua namorada, Floriano foi embora para casa e começou a fazer uma pesquisa sobre rugas. Conseguiu umas revistas de beleza da coleção de sua irmã. Encontrou as seguintes matérias: “ Se chorei ou se sorri... o importante é que emoções eu vivi”. A mensagem-lição que Roberto Carlos eternizou com sua canção não parece estar sendo levada tão ao pé da letra.          Afinal, o mito grego de Narciso não nos deixa esquecer a vaidade que está presente em cada um de nós. E sabemos que as emoções deixam rastros, principalmente em nosso rosto. Até mesmo um saudável sorriso pode deixar mais do que apenas boas lembranças e nos marcar com as temíveis rugas”.     
                 E mais: “- Enfim, rir causa rugas?
               -Sim, são as rugas de expressão. Mas, chorar causa mais”.
              “Se a vida lhe der 100 motivos para chorar, mostre a ela que você tem 101 para sorrir”   
              “Riso falso: em geral é rápido tipo “acende apaga” e não provoca rugas de expressão ao redor dos olhos; é assimétrico, pois o rosto fica imóvel.”
                                                                                 Mas,”rir muito não causa rugas?”        
            -“Causa, mas são as que chamamos de rugas de beleza”. (Entrevista de Thomas-Bernard Quaas – principal executivo da Nívea).
“De frente ao espelho, dê um sorriso,  mas sem mostrar os dentes e fique assim por dois segundos”.

             “Sorrir dá rugas. É o que nos lembra a canção de John Williamson, apropriadamente intitulada Wrinkles (Rugas). Fala-nos do velho Bob, um homem que sempre viveu feliz com a família e no trabalho, e que, de tanto sorrir, desenvolveu rugas. E aí vem a pergunta: você deixaria de sorrir para evitar as rugas? Se a resposta é afirmativa, talvez valha a pena lembrar outro trabalho, desta vez baseado em fotos de mulheres com intervalo de 10 anos.

               Verificou-se que as sorridentes do passado de fato apresentavam as características rugas do sorriso – mas em geral tinham menos rugas, porque eram pessoas que viviam melhor, que tinham um estilo de vida mais saudável”. 
                     Parou por aí, desistindo de outras pesquisas.

               Realmente, tinha ela um pouco de razão, segundo as pesquisas acima. Mas, com o tempo, Amélia iria deixar seu lindo sorriso aflorar, entreabrindo aqueles lábios carnudos e não se preocupar mais com as rugas de expressão.

               Ele, pessoalmente, preferiu seguir a sabedoria contida no velho provérbio chinês: ”para sentir-se saudável, deve-se rir pelo menos trinta vezes ao dia!”.
               Continuou seu namoro e aceitou os risos falsos de sua bela namorada, repetindo os versos da música de Roberto Carlos:” Se sorri, se chorei... o importante é que emoções eu vivi”.


             (Este texto se encontra publicado no meu livro de contos e crônicas, intitulado “Rugas e Sorrisos”, - Editora Protexto).

                  Geraldo de Castro Pereira