terça-feira, 5 de maio de 2015



                                         
NINHO DE ESPINHOS








 

Gracioso passarinho
Começou a fazer seu ninho
No galho de uma palmeira.

Com todo cuidado,
apanhava com o bico
ora um galhinho,
ora um cisco
ou um espinho
no chão.

Ia nas paineiras
Buscar paina macia
Para forrar seu ninho,
Colocando os espinhos por fora
Para sua proteção.

Como o passarinho,
Também quis fazer meu ninho
Dentro do coração.
Peguei gravetos da Esperança,
E espinhos da ilusão.
Fui buscar a seda suave
Dos devaneios
de uma paixão.

Mas, ao contrário
Do belo ninho do pássaro,
A maciez ficou de fora.
Por dentro: só espinhos!


Geraldo de Castro Pereira



segunda-feira, 4 de maio de 2015

Resultado de imagem para juiz manoel medeiros
               
   
HOMENAGEM PÓSTUMA AO GRANDE AMIGO DESEMBARGADOR MANOEL MEDEIROS



           Qual astro que desaparece no céu, mas deixa um rastro de luz que durará por muitos anos, assim partiu  meu amigo e colega, Desembargador Aposentado do TRT-!7ª, Manoel Medeiros, aos 75 anos de idade,     
Mineiro nascido, segundo ele, na única cidade de Minas Gerais que possui mar, (pelo menos no nome) -  Mar de Espanha. Quando se casou, foi morar na cidade de Petrópolis/RJ, com sua dedicada esposa, Da. Ana Medeiros, onde criou seus dois filhos, Júnior e Júlio César.
 Lá em Petrópolis, além de contador, advogou , com brilhantismo, durante muitos anos, tendo , inclusive, ocupado o cargo de Secretário da Fazenda Municipal daquele Município. Depois, fez concurso para Juiz do Trabalho na primeira Região, tendo tomado posse em março de 1979. Foi juiz substituto em diversas Varas do Trabalho ( antes Juntas de Conciliação e Julgamento) , posteriormente nomeado  Juiz titular da Primeira Junta de Conciliação e Julgamento de Vitória, indo , finalmente , ocupar a presidência da Terceira Junta de Conciliação e Julgamento de Vitória.
Quando instalado o TRT da 17ª Região, foi nomeado Juiz do Tribunal em dezembro de 1990 (ainda não havia a denominação de Desembargador), onde atuou até sua aposentadoria, ocorrida em março de 1997. Tive o prazer e a honra de substituí-lo, muitas vezes, no Tribunal, por indicação dele próprio.

Sua trajetória pela Magistratura trabalhista foi marcada pela dedicação, competência, lealdade e coleguismo, entusiasmo e amor à sua carreira de Juiz.

          Lutou bravamente pela criação e implantação do nosso Tribunal Regional do
Trabalho –TRT 17ª, mesmo antes do advento da Constituição Federal/88, pois ompreendia a dificuldade dos advogados e dos jurisdicionados em obterem solução mais rápida nos litígios em grau de recurso (que, à época, eram julgados no Rio de Janeiro), além dos problemas relacionados  à parte administrativa.

          Bem me lembro: Medeiros chegava a dormir no próprio local de trabalho, já que sua família permanecia em Petrópolis; também, para que não  houvesse atraso na prestação jurisdicional,  muitas vezes ele transportava em seu próprio veículo o material necessário para o funcionamento das Varas de Trabalho (antigas JCJs).

            Já no final de sua carreira, enfrentou com coragem, persistência e vontade de  viver, uma  doença maligna e a venceu .

 Por diversas vezes, encontrei-o caminhando no calçadão da Praia da Costa, com a agilidade e destreza de um jovem, sempre alegre e contando piadas, utilizando-se de um repertório infindável de dar inveja ao conhecido Ari Toledo.

            Após o falecimento de Da. Ana, veio a dividir sua existência com outra companheira, Da. Joscenir Comério.

 Mas,com requintes de crueldade e violência, monstros assassinos ceifaram-lhe a vida. Mas, a Justiça dos homens, embora tardiamente, acabou por julgar culpados esses executores e mandantes (mandantes que, segundo os autos do processo, foram a sua segunda companheira e o filho dela). Arrancaram-lhe o corpo, mas não poderão extirpar-lhe a alma.

Medeiros, conosco ficarão a saudade de sua convivência e o sentimento da perda de um grande juiz, amigo e colega.
Requiescat in pace  - Descanse  na paz do Senhor. Amém.

             Geraldo de Castro Pereira
  URGENTE PARA TODOS. Amigos E AMIGAS:

 Presos do Comando Vermelho, das penitenciárias do Rio de Janeiro,identificando-se como empregados da Telefônica, estão fazendo ligações a cobrar para diversas pessoas,afirmando que o telefone delas está com linha cruzada e necessita de conserto.Solicitam,para tanto, que façam uma ligação para o número  21*0211581172839#, pois eles mesmos irão fazer os reparos necessários.



      Por favor, não disquem, pois segundo a polícia, este número, se acionado, é mais que um clone, é uma extensão de seu telefone.

      A partir daí, eles ouvem tudo o que vocês falam e,se for interessante para eles, fazem ameaças. Isto é extremamente perigoso.

 

 


             
FÁBULA: O TOURO E O NOVILHO 



Certo touro bem cornudo
Por um portão muito estreito
Tentou passar os seus chifres,
Mas não teve nenhum jeito.

Estava ali um novilho
Vendo o muito sofrimento
Daquele touro orgulhoso
Que não conseguia o intento.

Então, muito prestimoso,
Disse ao touro, sem esforço:
“ de cada vez passe um chifre,
E abaixe sempre o teu dorso”

O bovino respondeu
Para o sabichão novilho:
“Cala-te! Isto eu apreendi
Antes de nasceres, filho!”


Como moral da história,
Ouça a lição secular:
“Para aquele que é sábio
Jamais queiras ensinar".
 
 (Fábula de Fedro, por mim versificada ).
 
Geraldo de Castro Pereira
 

domingo, 3 de maio de 2015




            O     L O B O     E    O   C O R D E I R O
 


              







 Pela sede compelidos,
A um  mesmo manso regato
vieram beber juntinhos
Lobo e um cordeiro pacato.

O lobo ficou acima
E mais abaixo o cordeiro.
O lobo provocador
Disse-lhe em tom zombeteiro:

-Por que turvas minha água,
A água que irei beber?
E o cordeiro assim responde,
Todo medroso, a tremer:

-Como sujar tua água,
Se mais abaixo eu estou?"
O lobo, sem argumento,
Uma falácia inventou::

“-Tu falaste mal de mim,
Isto seis meses atrás.
Não posso aceitar a ofensa;
de mim não escaparás’.

E o cordeiro, bem surpreso,
Respondeu , com um gemido:
“seis meses atrás, seu lobo,
Inda não era nascido”.

-“Então, se não foste tu,
Foi teu pai e com certeza.”
O lobo então arrebata
Com seus dentes sua presa.

Esta é a moral da história,
Que acontece tão freqüente:
“O mais forte e poderoso
Sempre oprime o inocente”.

             
     Nota do Autor: esta é mais uma fábula de Fedro, aliás.bem difundida, traduzida do latim, embora de forma mais livre para melhor adaptá-la em versos heptassílabos.
    
          GERALDO DE CASTRO PEREIRA

 

                      

sábado, 2 de maio de 2015



O   CURIANGO E O URUTAU



O CURIANGO E O URUTAU


 
Certa vez, um curiango,
Para assistir a uma festa,
Foi pedir um belo terno
Ao urutau na floresta.
 
Pediu tanto o curiango,
Pediu tanto e até chorou
Que o  urutau, compassivo,
De tanto dó lhe emprestou.
 
Ostentando a roupa nova,
Chegou, garboso e contente,
Àquela festa  famosa,
Esnobando toda a gente.
 
Mas, terminado o pagode,
O curiango safado
Nunca mais quis devolver
O lindo terno emprestado.
 
Por isso é que o urutau
Nas noites de lua, em ais,
Canta, sempre, lamentando:
" foi, foi, foi, não voltou mais!”
 
E o curiango, de longe,
Que do urutau zombou,
Num tom assim de galhofa,
Responde: “amanhã eu vou”¨.
 
Quanta gente neste mundo,
Num gesto vil, desleal,
Ao receber uma dádiva,
Retribui o bem com o mal.


Obs: esta  "estória" (ou fábula) foi contada pela minha mãe, quando eu era criança e morávamos na fazenda chamada "Murubau (que, aliás, dá nome a este meu blog).Curiango é uma espécie de coruja que de noite vive à beira das estradas (também conhecido por "bacurau"), e seu canto imita a expressão:"amanhã eu vou". Já o urutau  é também uma ave noturna (também conhecida por "mãe da lua" em muito lugares do interior) , cujo canto lembra a frase;" foi,foi,foi, não voltou mais". Daí construí o jocoso poema. É curioso ainda notar que em muitas ciadades do Brasil,como Belo Horizonte, por exemplo,os ônibus que circulam durante a noite são chamados de "bacuraus". Bacurau, como acima dito, é sinônimo da ave "curiango".

 Quanto ao urutau, seu nome provém da língua tupi e significa  "ave fantasma”, segundo estudiosos.

Geraldo de Castro Pereira















sexta-feira, 1 de maio de 2015


            PRIMEIRO DE MAIO – DIA DO TRABALHO OU DO TRABAHADOR?

            Em quase todo o mundo comemora-se em primeiro de maio o dia internacional do trabalho.
           Tal data foi estabelecida em homenagem à luta dos trabalhadores em prol de melhores condições de trabalho. Foi no dia primeiro de maio de 1886 que trabalhadores de Chicago – Estados Unidos – promoveram uma greve geral, pleiteando redução de jornada de trabalho de treze para oito horas diárias.

           A greve se tornou violenta, em razão do confronto entre policiais e operários. A consequência foi a morte de centenas de manifestantes e de policiais, além de muito feridos.
           Três anos depois dessa prefalada greve, isto é, em1889, instituiu-se o Dia Internacional do Trabalho. No Brasil, o dia primeiro de maio foi oficializado em 1925 por meio de um Decreto do então Presidente Artur Bernardes. Já nos Estados Unidos, o dia do trabalho, conhecido como “Labour Day”, é comemorado na primeira segunda-feira do mês de setembro de cada ano.
               Muitos criticam a denominação “Dia do Trabalho”, entendendo que o correto seria “Dia do Trabalhador”.
            Por exemplo, Murilo Oliveira, Juiz do Trabalho e Professor da UFBA, em artigo sobre a matéria, assim se manifesta:
            “Esta questão de nomenclatura não pode ser tida como um problema pequeno”. Isto porque algumas mudanças de nomes, como esta, trazem um conteúdo ideológico de esvaziamento do sentido histórico do termo. Falar hoje em dia do trabalho pouco remete à luta pela redução da jornada de trabalho e as demais lutas dos trabalhadores. Comemorar o primeiro de maio tende a significar somente a exaltação de toda a pessoa que trabalha, que pode ser tanto um empregador que administra sua empresa, um trabalhador autônomo, ou um empregado. Assim, consegue-se, com uma pequena mudança de nome, desfocar as lutas dos trabalhadores, consagradas em parte no Direito do Trabalho. Celebra-se, enfim, neste dia uma série de conquistas do Direito do Trabalho, muitas atendendo parcialmente aos reclames dos trabalhadores. Rememora-se que estas lutas tiveram um preço histórico grande para serem reconhecidas pelo Estado como direitos trabalhistas, tal como foi a morte de mais de cento e trinta mulheres grevistas queimadas numa fábrica de Nova York em 1857, data posteriormente reconhecida como dia internacional da mulher.
         Mais apropriado, então, é referir-se ao dia de hoje como “dia internacional do trabalhador”, em memória dos mártires de Chicago e em respeito à história das lutas dos trabalhadores e trabalhadoras”.
          E eu concordo plenamente com as considerações do ilustre articulista.    
         Acrescento ainda que estamos vivendo no Brasil uma desvalorização do trabalhador em geral.          Como exemplo do que estou falando, tramita no Congresso o famigerado PL 4330/04. Já passou pela Câmara dos Deputados e foi remetida à apreciação do Senado Federal. Tal projeto de lei tem como escopo regulamentar a terceirização para estendê-la a todas as atividades empresariais.      
         Sabemos que há mais de vinte anos, a terceirização é praticada no Brasil nas atividades-meio, autorizadas pela Súmula 331, do Tribunal Superior do Trabalho.  Quanto às atividades-fim, também há a prática da terceirização, embora rechaçada pela Justiça do Trabalho.
           Não resta dúvida de que a terceirização enfraquece o movimento sindical e reduz a proteção social dos trabalhadores. Tal modelo institui um emprego de segunda classe, menos oneroso para as empresas. Aliás, em artigo publicado no site “Valor Econômico” (Google), o Procurador do Trabalho Helder Amorim escreveu, dentre outras considerações, o seguinte.. .”... desde a década de 90, a terceirização se expandiu nos diversos setores da economia, se mostrando um mecanismo eficiente para rebaixar a remuneração dos empregados, aumentar a jornada de trabalho e reduzir o investimento em medidas de saúde e segurança, deixando os trabalhadores mais vulneráveis a acidentes.
        Provou ser a estratégia perfeita de uma revolução patronal que debilitou a força normativa do direito do trabalho, arremessando os trabalhadores de uma empresa para outra ao final de curtos períodos contratuais”.

         Então, vamos unir forças em todo o Brasil para gritar um rotundo "NÃO” à aprovação do PL 4330/2004.
         E já que estamos falando em “trabalhador”, quando eu era ainda estudante da Faculdade de Direito da PUC – Minas, em homenagem aos trabalhadores rurais, talvez os mais sacrificados, fiz um pequeno poema contra o trabalho escravo no meio rural.

Ei-lo: 

      Trabalho Escravo

De sol a sol
O lavrador
Ara a fértil terra
Para seu senhor.

A terra não é dele,
A terra é do senhor.

Trabalha, trabalha,
Trabalha no eito
Da terra do senhor,
Sem qualquer direito.

Você é mesmo escravo,
Servindo a seu senhor.

Você, quando morrer,
Nem mesmo será dono
Do pedacinho de terra
Onde será sepultado.

Lavra, lavra, lavrador,
A terra que não é sua,
A terra do seu senhor.

Colhe o trigo que não é seu,
O arroz que não é seu,
O feijão que não é seu.

E, nessa colheita,
Colha também a fome que é sua,
Doenças como a maleita
Que adquiriu no seu labor.

Trabalha e sua,
pois seu suor
regará a terra
Do seu senhor.

E, mesmo que tudo faça,
Só terá em recompensa,
Sua imensa desgraça!


Geraldo de Castro Pereira