quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

                                   

                           
















                              Discurso de posse na AULE – ACADEMIA UBAENSE DE LETRAS - MG


     Exmo. Sr. Presidente da Academia Ubaense de Letras, Doutor Marum Salum Alexander, demais componentes da mesa,
     Caros acadêmicos,
     
      Senhoras e Senhores:


                Fico deveras honrado em fazer parte dessa conceituada Academia de Letras, como membro correspondente.
               Embora atualmente resida no Espírito Santo, sou mineiro, nascido numa cidade distante daqui: Santa Maria do Suaçui-MG.
              Tive o privilégio de cursar Direito na Faculdade Mineira de Direito, da Universidade Católica de Minas Gerais, ao lado do brilhante , culto e ilustre presidente dessa Casa, Dr. Marum Salum Alexander.
               Embora tenha residido em vários estados da Federação, meu coração sempre ficou preso em Minas Gerais.
               E agora, estou feliz por pertencer a essa Academia de Letras, em meu Estado, nessa maravilhosa cidade de Ubá, celeiro de grandes intelectuais e artistas, podendo, dentre muitos, citar Ari Barroso, que ocupou inúmeros cargos públicos, poeta e grande compositor de famosas peças musicais, como “Aquarela do Brasil "Baixa do Sapateiro”, "Quindins de Iaiá", "Rancho Fundo" e de dezenas de outras canções que se espalharam pelo Brasil e pelo mundo inteiro.
              E aqui, diante de mim, vejo o ilustre presidente da AULE, Marum Salum Alexander, que, desde muitos anos, é meu conhecido e amigo. Grande incentivador da cultura, não só em Ubá, mas também por este Brasil a fora.
   Além de advogado, é um grande maestro e um tenor de escol.
             Muitas vezes, entro na internet e vou à página do Youtube me deliciar com as interpretações musicais de Marum Alexander, dentre as quais menciono “Brindisi”, Nessum Dorma”, ”La Dona è móbile”, “Ave Maria”, de Gounod, e outras tantas, nada devendo aos grandes intérpretes do canto lírico do mundo.
   Não quero me alongar em elogios ao ilustre ubaense  Marum Alexander, porque V.Sas. já conhecem, de sobejo, suas qualidades. Apenas, acrescentarei que Dr.Marum vem contradizer um dos conhecidos provérbios: ”ninguém é profeta em sua terra”. Dr. Marum, sim, é reconhecidamente um profeta das artes, um patrimônio cultural de sua terra natal, como antes já afirmou um inspirado conterrâneo dele, o jornalista Ricardo Nacif Njaim, em um artigo publicado na Usina das Letras.
              À mesa , está o eminente Desembargador,  José Altivo Brandão Teixeira,  Presidente do Conselho Consultivo da AULE, a quem tive a honra de conhecer por meio do Dr.Marum, e a cuja posse como Presidente do Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais eu compareci. Sei também das suas qualidades literárias, como poeta e escritor.Fico pensando como o Desembargador José Altivo, quando na ativa, conseguia dividir tão bem seu tempo entre a Magistratura e as atividades literárias. Certamente, é um fiel seguidor do lema dessa Academia “Nulla dies sine linea’ – Nem um dia sem que ele exerça sua verve de escritor.
               E fico emocionado de ter recebido das mãos dele o diploma de Membro Correspondente da AULE – Academia Ubaense de Letras.Muito obrigado!
               Cumprimento também a Acadêmica Amélia Martha Trajano Girardi, pela diplomação como Membro Emérito da Academia Ubaense de Letras.
               Não irei aqui abordar assuntos referentes à crise política que estamos atravessando e os desastres ecológicos que estão acontecendo, principalmente aqui em Minas Gerais, atingindo também o Estado do Espírito Santo, tudo devido à ganância dos que querem enriquecer-se a qualquer custo, embora seja consciente de que os poetas, os escritores, os artistas, em geral, não podem ficar à margem dos acontecimentos que os rodeiam, pois afinal, são eles formadores de opinião.
Muitas vezes, dá-nos vontade de abandonar o barco ou ir para  u lugar distante, talvez para Pasárgada, como pretendia Manuel Bandeira. Mas, não, mil vezes não!

              Quero também cumprimentar e agradecer a todos os acadêmicos da AULE, por me acolherem, com carinho, nesta maravilhosa cidade de Ubá e me aceitarem como membro correspondente. Cumprimento também meu ilustre confrade, o Doutor  Cornélio Zampier Teixeira, que comigo hoje também toma posse.
   Finalmente, quero agradecer a presença de meus familiares e da Dra. Ivete Flores Catta Preta Ramos, e de todas aquelas pessoas que aqui vieram nos prestigiar nesta solenidade.
  E assim, termino meu agradecimento, seguindo um dos parâmetros que sempre tive ao falar em público: “Esto brevis et placebis" - Sê breve e agradarás.

             Meu muito obrigado.

              Geraldo de Castro Pereira




quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

youtube







               
A  SERPENTE  E  A  LIMA  DE  AÇO

 

 

Na oficina de um ferreiro

Uma serpente atrevida

Foi entrando, pressurosa,

À procura de comida.

 
Farejou por toda a parte,

Farejou até o vento.

Porém, não encontrou nada,

Nenhum resto de alimento.

 
Então, não tendo outro jeito,

Numa velha lima de aço
Cravou sua aguda presa.

Isto foi o seu fracasso

 
Disse a lima, com sarcasmo:
“Ó, estúpida serpente:

Se eu limo o próprio ferro,
Como não quebrar teu dente?

 

Como lição desta fábula,
Digo a você, meu amigo:

“Quem não vê o que está fazendo,
Pode enfrentar um perigo”.

 

Obs: Fábula de Fedro, extraída do meu livro  “Fábulas Di-versificadas” – Editora Protexto.

Geraldo de Castro Pereira.

 

 

 

domingo, 29 de novembro de 2015





                             
A   PANTERA    E    OS    PASTORES

 Shepherd and his flock stock photo

 

Despencous-se numa cova
Certa vez uma pantera.

Muitos pastores a viram

E a deixaram uma fera.

 
É que muitos se juntaram
Ali perto, como maus,

Pois lançaram contra ela
Pedras, pedaços de paus.

 
Mas, outros pastores, dela

Amenizando o sofrimento,
Em lugar de a maltratarem,

Jogaram-lhe alimento.

 
Sobreveio a noite fria.

E todos foram-se embora.
Julgavam achá-la morta

Talvez ao romper da aurora.

 
Contudo, aquela pantera
Saíra dali ilesa.

Conseguira escapar-se,
Usando sua destreza.

 
Decorridos poucos dias,

A pantera se vingou

Daqueles que a maltrataram
Quando na cova ficou.

 
Trucidou os maus pastores,
Devastando tudo em volta.

Faminta, comeu as reses,
Com ódio e  muita revolta.

 
O animal então falou

Com  os outros bons pastores:
“Pouparei as vossas vidas,

Pois vós sois meus benfeitores”.

 
Que poderemos dizer

Da fera e sua atitude?
“É que os bons são compensados

Ao agirem com virtude”.”.

 

Fábula de Fedro,  por mim versificada e extraída do meu livro “Fábulas Di-versificadas” – Editora Protexto.

 
Geraldo de Castor Pereira.

quinta-feira, 26 de novembro de 2015




UM JUMENTO E UM VELHO PASTOR.







Certa vez, sagaz velhinho,

Já doente e alquebrado,

Apascentava um jumento

Com muito carinho e cuidado.

Temeroso e estarrecido
Com tamanha corrupção

Nos governos anarquistas,

Ao jumento disse então:



“As eleições estão próximas,

Oh animal belo e bruto!

Pode aqui se instalar

Mais um governo corrupto.

Para não sofreres tanto,
Caindo prisioneiro,

Fujas logo pra bem longe,
Vá depressa, bem ligeiro”.

O jumento deu de ombros
Para aquela advertência.

Respondeu ao protetor
Nestes termos, com veemência:

“Irão mudar meu destino?
Que me prendam, eu não ligo.

Continuarei sempre escravo:
Só mudarei de inimigo!”

Que moral nós tiraremos
Desta fábula tão forte?

“A alternância de um governo
Não muda de um povo a sorte”.


Obs: Fábula de Fedro, extraída do meu livro “Fábulas Di-versificadas” – Editora Protexto.

Geraldo de Castro Pereira

                  

domingo, 22 de novembro de 2015


O  PARDAL,  A LEBRE  E  A  ÁGUIA.





A lebre foi apanhada
Pela águia, sem piedade.
O pardal, que viu aquilo,
Foi dizendo com maldade:
=“Dona lebre, onde está
Tua grande ligeireza?
Como deixaste que a águia
Te pegasse de surpresa?”

Mal terminou sua fala,
A ave foi surpreendida
Pela águia esfaimada,
Que lhe foi tirando a vida.

Quase morta, a lebre disse
Essa lição verdadeira:
“Quem se julgava seguro,
Sucumbiu de igual maneira”.


(Fábula de Fedro, extraída do meu livro: “Fábulas Di-versificadas” – Editora Protexto) 


Geraldo de Castro Pereira



quinta-feira, 19 de novembro de 2015




                   O   LOBO  E   O  GROU








Um lobo, muito guloso,
Comendo feito um danado,
Em sua imensa garganta
Teve um osso atravessado.

Ficou todo apavorado,
Pensando que ia morrer.
Procurou cada animal,
Para logo o socorrer.

Mas, numa assembleia deles,
Quem ficou com a missão
Foi o grou, por ter pescoço
De tão grande proporção.

O lobo então prometeu,
- E fazendo um juramento - ,
Não atentar contra a vida
Do grou naquele momento.

O grou, muito confiante,
Enfiou o seu pescoço
Na goela do lobo aflito
E arrancou o enorme osso.

Mas, muito ganancioso,
Vendo o logo satisfeito,
Pediu uma recompensa
Pelo êxito do seu feito.

“Ingrato” –rosnou o lobo,
Entreabrindo a boca imensa:
“Da morte tu  escapaste.
Ainda pedes recompensa?’

Dessa fábula se extrai
Uma preciosa moral:
“Quem  faz bem a um malfeitor,
Pode muito se dar mal”.


Fábula por mim adaptada e versificada, extraída do meu livro “Fábulas Di-versificadas” – Editora  Protexto.

Geraldo de Castro Pereira

domingo, 15 de novembro de 2015



                  
O HOMEM, O MENINO  E  O BURRO

 

 

Um homem simples da roça,
Já com uma certa idade,

Foi vender o seu burrinho

Lá na feira da cidade.

 
Chamou seu filho pequeno,
-Seu companHEIRO leal_ .

Caminharam lado a lado,

Puxando aquele animal,

 
Ao passarem bem pertinho
De um barZINHO DE estrada,

Três homeNS que ali estavam,
Deram sonora risada:

 
“Como pode”, -eles disseram -,

Haver tanta estupidez?
Por que não montam no burro

Os dois juntos, de uma vez?"

 
aPÓs aquela chacota,
O homem pôs o filhinho

No lombo daquele burro
E seguiram seu caminho.


Mais adiante, numa ponte,
Encontraram um casal.

A mulher, ao ver a cena,

Falou com ar magistral:

 
“Como pode uma criança
tão sadia, ir montada,

Enquanto seu velho pai
Vai a pé por esta estrada?”

 

O homem tirou seu filho
E Foi montar no burrinho.

Ao passar por uma escola,
Escutou um burburinho.

 
Os alunos o cercaram.

Gritou o mais exaltado:
“O menino está a pé

E um homem forte montado!

O senhor não se envergonha
De tão grande covardia?”

O homem ouviu, calado,
O que o rapaz dizia.

 
Chamou depressa o menino
para no asno montar.

SeguiraM SUA VIAGEM,
aGORA BEM DEVAGAR.

 
E qUANDO ESTAVAM CHEGANDO

À FEIRINHA DA CIDADE,
dAS JANELAS UNS GRITAVAM:

“qUE MALDADE! qUE MALDADE!


dUAS PESSOAS MONTADAS
nUM POBRE BURRO CANSADO:

uM garoto TÃO SADIO
e UM SENHOR muito folgado!”

 
o HOMEM, OUVINDO AQUILO,
aPEOU COM O MENINO.

e PÔS O BURRO NAS COSTAS.

CHEGaram AO SEU DESTINO.

 
cOMO MORAL DA HISTÓRIA,

eSTA LIÇÃO NOS CONVÉM:
“qUEM QUER AGRADAR A TODOS,

nÃO AGRADARÁ NINGUÉM”.

 
oBS: fÁBULA ADAPTADA E VERSIFiCADA POR MIM.

 

gERALDO DE CASTRO PEREIRA.