quarta-feira, 31 de outubro de 2018




CORAÇÃO

GUILHERME DE ALMEIDA

Lembrança, quanta lembrança
Dos tempos que já lá vão!
Minha vida de criança,
Minha bolha de sabão!

Como vais, como te apartas,
E que sozinho que estou!
Oh! Meu castelo de cartas,
Quem foi que te derrubou?

Tudo muda, tudo passa
Neste mundo de ilusão;
Vai para o céu a fumaça,
Fica na terra o carvão.

Mas sempre, sem que te iludas,
Cantando no mesmo tom,
Só tu, coração, não mudas,
Porque és puro e porque és bom!


segunda-feira, 15 de outubro de 2018

DIA DO PROFESSOR



Hoje dedico essa trova
ao dia do professor.
Nosso aplauso será prova
do nosso carinho e amor!

Geraldo de Castro Pereira

sábado, 6 de outubro de 2018




TROVAS MINHAS:

         -I-
Na minha vida eu errei
E cometi muito asneira.
Agora os erros juntei:
Fiz deles uma fogueira.


              -II-

Andei de cabeça baixa
Quase toda a minha vida.
Hoje ninguém me rebaixa;
Ando de cabeça erguida.

          -III-

Não quero a fama jamais.
Amo a minha liberdade.
Quero o sossego demais
Da minha privacidade.

           -IV-

Hoje em dia tantos meios
Há de comunicação.
No entanto, estamos cheios
De tamanha solidão!

           -V-


No mundo há diversidade,
Pessoas de todo o jeito.
Umas olham qualidade,
Outras só veem defeito.

            -VI-

Faço alguma poesia,
Tornei-me declamador
Pra celebrar a alegria
E pra declamar a dor.

segunda-feira, 24 de setembro de 2018


QUEM É VOCÊ?

Quem é você que me atormenta assim,
Tão atraente, linda, tão sincera,
Suave flor que brotou na primavera,
espargindo perfumes no jardim?

Procuro conhecê-la e tudo em vão!
Talvez quimera, nuvem passageira.
Última  brasa ardendo na lareira
Deste meu combalido coração.

Os lábios encarnados e risonhos,
Que me  arremessam  num vulcão de sonhos!
Esta covinha que aparece e some

Na sua face , sem qualquer fadiga.
Mas, afinal, quem é você,  me diga?
Pois  aqui fico sem saber seu nome!

(poema de minha autoria).

domingo, 16 de setembro de 2018



Mais trovas:



 -I- 

Essas flechas simplesmente
Partiram do seu olhar,
Cegando-me totalmente:
Nunca mais pude enxergar.

-II-

Andei de cabeça baixa
Quase toda a minha vida.
Hoje ninguém me rebaixa:
Ando de cabeça erguida.

-III-

Não quero a fama jamais.
Amo a minha liberdade.
Quero o sossego demais
E minha privacidade.

-IV-

Hoje em dia tantos meios
Há de comunicação.
Mas, no entanto, estamos cheios
De tamanha solidão! 


segunda-feira, 10 de setembro de 2018

MAIS ALGUMAS TROVAS MINHAS;


I -

Quantos pobres sem guarida,
Num abandono total!
Quem lhes dera ter a vida
De um doméstico animal!

II -

A vida do ser humano

Anda tão banalizada!

Tiram-na, de modo insano,

Por qualquer motivo ou nada!


III -


TROVA SOBRE O INCÊNDIO DO MUSEU NACIONAL:

O Brasil está de luto

Pelo incêndio lamentável!

Com certeza, isto é o fruto

De um governo irresponsável!

domingo, 26 de agosto de 2018





O PÃO-DURO

Microconto -

 “Sou pão-duro, vivo bem. Não dou esmola, não faço favor, não ajudo ninguém. Sou pão-duro, vivo bem. Quem quiser que faça assim como eu também.”
  Joaquim sempre cantarolava a musiquinha de Luiz Gonzaga. Gerente de uma padaria. Todo o dinheiro ganho escondia no colchão de palha.
  Uma noite, sozinho, como o “José”, do poema drummondiano, fumava. Adormeceu.
Chamas! Cinzas! Vizinhança acode. Sepultado como indigente!
  Alguém no enterro: “sou pão-duro, vivo bem...”

Geraldo de Castro Pereira