sexta-feira, 13 de novembro de 2015





                 
A  GRALHA  E   A  OVELHA

 

Uma gralha velhaca e folgada

Sobre o dorso da ovelha pousou.

A ovelhinha, sentindo o incômodo,

Desta forma para a ave falou:


“Se tivesses alguma coragem,

Em um cão bem feroz pousarias.

E, com muita certeza, um castigo

Merecido e cruel sofrerias”.

Mas a gralha, com muito desdém,

Numa breve resposta, lhe disse:

"Maltratar eu sei bem a quem devo.

É assim que prolongo a velhice”.


Poderemos colher desta fábula

A lição deste belo conceito:

“Sempre escolhe o covarde os mais fracos

Para deles tirar um proveito”.

(Fábula de Fedro,  extraída do meu livro “ Fábulas Di-versificadas”- Editora Protexto).

Geraldo de Castro Pereira.

sábado, 7 de novembro de 2015



                    
O   PASTORZINHO   MENTIROSO

 

  

Bem perto de uma aldeia
Trabalhava um partorzinho.

Cuidava do seu rebanho,
Com esmero, mas sozinho.


 Para espantar o tédio
Bolou um brinquedo bobo:

Gritava perto da aldeia:
“Olhe o lobo! Olhe o lobo!”.

Assustados habitantes
Corriam para ajudá-lo.

Mas, como era mentira,.

Passaram a ignorá-lo.

:Mas, um dia, de repente,
Veio  um lobo de verdade

O pastor pôs-se a chamar
Todo o povo da cidade.

Ninguém quis acudi-lo,

E o lobo fez a festa.
Depois que encheu a pança,

Fugiu para uma floresta..

O rapaz ficou tristonho,
Quando foi ao povoado:

Ele não achou ninguém
Que ficasse do seu lado.

Como lição de moral,
A fábula nos indica;

“Aquele que é mentiroso

A si mesmo prejudica".




Fábula de Esopo, por mim adaptada e versificada.

Geraldo de Castro Pereira.

quinta-feira, 5 de novembro de 2015





                  
      O HOMEM E  O LEÃO

 

 


 

Um homem quis provocar

Um leão forte e bravio.

Para tanto, convidou-o

Para este desafio:

 
“Vem comigo”, disse o homem,

“Me acompanhe, valentão!

Vou mostrar quem pode mais:

Se um homem ou um leão.”

 

E para uma grande praça

Conduziu o animal.

E mostrou-lhe uma estátua

De tamanho colossal.

 

“Estás vendo aquela estátua?

Olha bem! Que força atroz!

Um homem estraçalhando

Um leão muito feroz."

 
‘Estou vendo”, disse a fera.

“Qual a vantagem, então?

Quem esculpiu a estátua:

Um homem ou um leão?

 

Se me deres outra prova

Que me seja convincente,

Eu direi que o ser humano

De todos é o mais valente”.

 
O homem ficou sem fala,

Não tendo outro argumento.

Então, o leão lhe disse

Naquele exato momento:

 
“Não me deste prova alguma

Da tua força e vigor.
      Modelo para outra estátua

Darei ao teu escultor”.

 

Sobre os ombros do infeliz

Pôs suas patas pesadas.

E cravou-lhe,sem piedade,

Suas garras afiadas.

 

Como moral da história,

Esta verdade acrescento:

“Contra a força muitas vezes

Não existe argumento”.

 

Fábula de Esopo, adaptada e versificada por mim.

 

Geraldo de Castro Pereira

segunda-feira, 2 de novembro de 2015




 

A   MOSCA  E  A  FORMIGA

 


 

A mosca se aproximou

De uma obreira formiga.

E começou a conversar

De uma forma nada amiga:

 

“Eu sou chique, uma fidalga -,

Detesto estes seres pobres.

Passeio por onde quero.

Sento-me à mesa dos nobres.

 

Entro nos templos sagrados,

Não me sujeito a leis.

Pouso no rosto das damas.

Frequento os tronos dos reis.

 

Não tenho que trabalhar,

Levo a vida em mordomia.

Já você, minha amiguinha,

Labuta de noite e dia”.

 

A formiga respondeu

Para aquela vil mosquinha:

“Não a invejo nenhum um pouco,

Você é muita mesquinha.

 

Todos a querem bem longe,

Por todos sempre enxotada.

Vive mais nas esterqueiras,

Numa imundície enojada.

 
Quando o frio se aproxima,

Gruda-se numa parede.

Fica ali toda mirrada,

Morrendo de fome e sede.

 
No entanto, eu, ao contrário,

Não importuno ninguém.

Tenho minhas provisões

Para viver muito bem.
 

 Não sou uma parasita,
Ser previdente eu procuro.

Eu trabalho sem descanso,
Preparando o meu futuro”.

 
Como moral da história,
Esta lição permanece:

“Não cessem de trabalhar,

Pois o trabalho enobrece”.

 

 

Fábula de Esopo, adaptada e versificada por mim.

 

Geraldo de Castro Pereira

sexta-feira, 30 de outubro de 2015





          

O   SAPATEIRO   E   O   RICO



Na sua casa modesta

Vivia um sapateiro.

Contente com sua vida,

Cantava o dia inteiro.


De noite dormia bem,

Sem sequer ter pesadelo.

Sua morada era limpa,

Dela cuidava com zelo.

Com seu trabalho ganhava

Dinheiro suficiente

Pra ter uma vida boa,

Sem problemas e decente.

Mas, havia um vizinho

Morando num casarão.

Tinha dinheiro de sobra,

Saindo pelo ladrão.


No entanto, esse ricaço

Bastante infeliz vivia.

De dia só praguejava,

De noite ele não dormia.

Não tinha nem apetite,

Apesar da farta mesa.

De que lhe adiantava

Ter toda aquela riqueza?

Um dia, o rico tomou

Uma decisão bem certa.

Chamou o vizinho pobre

E lhe fez esta oferta:

“Vejo que estás bem feliz

Com esta tua pobreza.

Que tal se eu dividisse

Contigo a minha riqueza?

Aceite, pois, meu amigo,

É um pedido que te faço:
Não quero mais que me digam

Que sou um triste ricaço.

Quero tornar-me alegre,

E dormir bem sossegado.
O fato de eu ser tão rico

Só me deixa preocupado.

Estás vendo aquele saco?

De dinheiro está repleto.

Leve-o para tua casa.

É prova do meu afeto.”


O sapateiro vizinho

Agradeceu o presente.

Apanhou o grande saco.

Foi para casa, contente.

Parou de rir e cantar,

Vigiando seu quinhão.

Não dormia, nem comia,

Com medo de um ladrão.

Ficou triste e amarelado,

Doentio e muito fraco.

De repente, levantou-se

E pôs no ombro aquele saco.

Foi à casa do ricaço,

Devolveu todo o dinheiro.
“Fique com essa desgraça

E obrigado, companheiro.

Quero cantar e sorrir,

E seguir com minha sorte.

Este saco de dinheiro

Quase me levou à morte”.


A fábula nos relembra
Aquela grande verdade:

“O dinheiro compra tudo,
Menos a felicidade”.


Fábula de Esopo, adaptada e versificada por mim.

Geraldo de Castro  Pereira

quinta-feira, 29 de outubro de 2015




                   
A  RAPOSA,  O  LOBO  E  O   CAÇADOR –

 

                                      
 

 

Uma raposa matreira,

Com muita sagacidade,

Aproximou-se de um lobo,

Ofertando-lhe amizade.

 
O lobo, já solitário,

Dono de grande fortuna,

Achou aquela proposta

Interessante e oportuna.

 
Assim, se tornou amigo

Da raposa traiçoeira.

E fez dela sua única

E universal herdeira.

 
Andavam sempre juntinhos,

Como nunca se viu antes.

Dormiam na mesma cova,

Como se fossem amantes.

 

Um dia, o lobo contou,

Sem maldade e com franqueza,

Que a raposa herdaria

Toda a sua riqueza.

 
Aquela safada fuinha

Ficou bem entusiasmada.

E preparou para o lobo

Uma terrível cilada.

 

Procurou um caçador,

E lhe fez essa proposta:

“Sou amiga de um lobo

E a entregá-lo estou disposta.

 

Com ele eu moro há tempos,

Dividindo a mesma toca.

Pela morte do animal

O que me darás em troca?”

 

“Dar-te-ei a pele dele”,

Respondeu o caçador.

A raposa aceitou logo

A oferta do matador.

 
Levou-o à toca do lobo,

Que dormia sossegado.

O pobre morreu na hora

Nas mãos daquele malvado.

 
A raposa, todo alegre,

Logo se entusiasmou.

Quis tomar posse de tudo

O que o lobo deixou.

 
Mas, o velho caçador,

Foi dizendo de repente:

“A festa não acabou,

Velha raposa indecente!

 
Daquele lobo voraz

Eu livrei as ovelhinhas.

Mas das tuas garras vou

Dar proteção às galinhas.

 

Além disso, lucrarei

Com duas peles também.

Morra, sua desgraçada,

E não perturbes ninguém”.

 

 A raposa não previra

Esse desfecho fatal.

Ela quis ser muito esperta,

E acabou se dando mal.

 

Fábula de Esopo, por mim adaptada e versificada.

 
Geraldo de Castro Pereira