domingo, 14 de junho de 2015




                         
HAITI



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Haiti,
Só ais para ti!
És um dos mais pobres países do mundo,
embora nobre,
Repleto de gente de todas as raças,
.
Pobre de ti, Haiti pobre!
Tudo emudeceu.
Em volta de ti!
Só o vento,
De canto a canto,
Leva o lamento
De quem sobreviveu!

Não há mais terra
Para tanto defunto,
Nem madeira
Para tanto caixão!.
O que restou de ti,
Pobre Haiti?
- Escombros apenas
E desolação!

 
Obs: escrevi o poema acima quando houve aquela catástrofe em Haiti, ocasionada por um terremoto que  atingiu  3,5  mihões de pessoas.Dentre as vítimas figura Da.Zilda Arns, fundadora da Pastoral da Criança. O texto supra está em letras vermelhas, para lembrar o sangue derramado.

Geraldo de Castro Pereira.

sábado, 13 de junho de 2015



                   
AS  ABELHAS, OS ZÂNGÃOS E A VESPA COMO JUÍZA

Como montar uma criação de abelhas






Laboriosas abelhas
Bem no alto de um carvalho

Fizeram sua colmeia

Depois de muito trabalho.

Os favos cheios de mel
Eram muito saborosos.

Foram logo cobiçados
Pelos zângãos preguiçosos.
 
Eles logo questionaram,
Dizendo que a propriedade
Desses favos eram seus,
Pois foi numa cavidade

Daquele velho carvalho
Que eles foram colocados.
E uma acirrada contenda
Formou-se entre os dois lados.

Uma vespa foi eleita
Pra dirimir a questão.
Logo para um tribunal
Foram chamados então.

A vespa, como juíza,
Para à lide por um fim,

Fez a seguinte proposta
Aos litigantes, enfim:


Em fazer o melhor favo
Cada qual se esmeraria.
E após uma avaliação,
O mais hábil ganharia.

Vendo a impossibilidade
De vencerem a parada,

Os zângãos espertalhões
Bateram em retirada.


E assim a sabida vespa

 
Solucionou a pendenga.
A sentença foi lavrada,
 
E acabou-se a lenga-lenga.


A fábula nos ensina
E jamais se esqueçam dela:
 
“Um autor é conhecido

Pela obra que o revela.”

 
Obs: esta é mais uma fábula de Fedro, por mim versificada. Observem que o fabulista não levanta a questão de forma clara no sentido de que os zângãos numa colmeia apenas têm a função de fecundar a abelha rainha no voo nupcial. Eles não possuem ferrão e nem fabricam mel. E quanto à palavra 'zângão', popularmente é conhecida como zangão (sem o acento circunflexo no primeiro "a"). Preferi a forma mais correta, no meu entender.
 
Geraldo de Castro Pereira

sexta-feira, 12 de junho de 2015




                 
HAICAIS III

 1 –

No seu velho rosto
Sorrisos da juventude

Tornaram-se rugas.


 2 – As estações do ano
Vão e voltam. Mas os anos

Não nos voltam mais.

 
3- O descobridor
Do vocábulo ‘Saudade’

Esqueceu-se do “AMOR”.


 4 – A vida é tão curta!
Para que gastarmos tempo,

Odiando os outros?

 
5 –A felicidade
Não está assim tão longe,

Mas dentro de nós.

 

6 – Nunca se apequene.
Na verdade, nós nascemos

Pra coisas maiores.

7 -

O meu epitáfio
Seria este: “AQUI  ESTOU

SEM MINHA VONTADE”

 8 –

Na nossa Bandeira
Querem alterar o lema:

“Regresso e desordem”

 

Geraldo de Castro Pereira

 

 

 

 

 

 

quinta-feira, 11 de junho de 2015

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O  VELHO   E   O   JUMENTO


Certa vez, sábio velhinho,

Muito doente e cansado,
Apascentava um jumento

Com muito esmero e cuidado.


 Temeroso e estarrecido
Com tamanha corrupção

Nos governos anarquistas,
Ao jumento disse então:

 
“As eleições estão perto,
Meu animal belo e bruto!

Pode aqui se instalar
Mais um governo corrupto.
 

Para não sofreres tanto,
E cair prisioneiro,

Fuja logo pra bem longe.
Vá depressa, bem ligeiro.


 O jumento deu de ombros
Para aquela advertência.

Respondeu a seu pastor,
Com firmeza e inteligência:
 
“Irão mudar meu destino?

Que me prendam, eu não ligo.
  
Continuarei sempre escravo,

Só vou mudar de inimigo”.


Que lição nós tiraremos

Desta fábula, de novo?

“A alternância de um governo
Não muda a sorte de um povo".

 
(Fábula de Fedro, por mim versificada)
Geraldo de Castro Pereira

quarta-feira, 10 de junho de 2015


                                 S E L V A    E S C U R A

                
                                           “ Nel mezzo del cammin di nostra vita
                                           Mi ritrovai per una selva oscura,
                                           Ché la diritta via era smarrita."

                                                  Dante Alighieri (in "DIVINA COMÉDIA")


 




 

                                          


 
Na nostalgia da existência aflita
Uma sombra fluídica inquieta se agita.
Sidéreos vultos atônitos,
Em cada curva
catatônicos,
Campeiam, ao léu,
pelo mausoléu
Da inteligência turva.

Raios fugidios
Faíscam na atmosfera opaca
Do contingente ser sensibilizado.
E sinto em mim
Um soçobro violento
Que, aos quatro ventos,
Para bem longe lança
A barca da Esperança.

E neste vórtice infinito
Vou seguindo, sôfrego,
Cansado e trôpego,
Com um grito
Engasgado na garganta

Sem guia, sem rumo
Eu tombo e me aprumo.
E nesta selva escura
Vou tateando a amargura
Do meu solitário
E merencório mundo.


Geraldo de Castro Pereira.

 

terça-feira, 9 de junho de 2015





Favela

  

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 Favela,

 Onde luz é vela!

 Favela,

 Onde cama é chão.

 Fornalha de lenha

 Pra cozinhar o quê?

 Se chove,

 Tudo molha,

 Ninguém olha

 E ninguém se move

 Em sua direção.

 

 Farrapos de gente,

 Barrigas vazias,

 Mas cheias de fome

 E de vermes famintos.

 A sujeira é a veste

 De suas nuas peles.

 

 De que adianta

 Falar para esta gente

 Palavras belas,

 Cheias de balelas?

 Falar-lhes de Deus?

 Contar-lhes que Cristo foi pobre

 E morreu numa cruz?

 

 Levar-lhes esmola,

 Dar-lhes leite e pão?

 Não, só isto não basta. Mil vezes, NÃO!

 Do que precisa essa gente

 é de instrução,emprego, saúde, segurança,

VIDA DECENTE!
 

 Ensinem-lhes a pescar!

 Não pesquem pra eles, não!

 
 Favela,

 Onde luz é vela,

 Favela de povo pobre,

 Tem solução?

 

Obs. Este poema foi escrito quando eu era ainda estudante de Direito na Puc-Minas.  Fui visitar uma favela de Belo Horizonte-MG, na companhia de duas assistentes sociais, amigas minhas. As cenas que vi me impressionaram muito. 

 
Geraldo de Castro Pereira

segunda-feira, 8 de junho de 2015




HAIkAIS II




 O céu estrelado
Apontava para mim

Seus dedos de prata.

      +++

Não quero dinheiro,
Nem tampouco homenagens:

Só quero um abraço.

         +++

Maria das Dores
Conseguiu trocar seu nome,

Mas não suas dores.

     +++

O vento cessou
De cantar no bambuzal:

Somente assobia.

     ***
Já  fugiu a noite,

Não apareceu o dia.
mas restou a vida.

    ***

No caleidoscópio
Da vida eu vejo você

Em todas as cores.

 +++

Bina detestou
O "carinho" do marido:

“Minha cara Bina”.

    ***
Você suavemente

deslisou no tobogã

Da minha paixão.

         ***

 A humildade é um rolo
Compressor que sempre esmaga

Qualquer arrogância.



Geraldo de Castro Pereira