sábado, 15 de agosto de 2015







              
  A   VIÚVA    E    OS   CRIADOS

 

 

Uma  próspera viúva

Mantinha dois empregados.

Trabalhavam duramente

E ficavam bem cansados.

 

Para eles acordarem

De manhã era um horror.

Mas, um galo foi treinado

Pra ser um despertador.

 

O galo de madrugada

Abria o bico a cantar.

A viúva ia depressa

Seus criados acordar.

 

Coitados dos empregados:

Moleza ali não havia.

Quase nunca descansavam

Da labuta dia a dia.

 

Mas, pensando, eles tiveram

Uma ideia de jerico:

Mataram aquele galo

Para calar-lhe o bico.

 

Mas, de nada adiantou

Aquele gesto tão insano.

Sofreram as consequências

De tão fracassado plano.

 

Não ouvindo mais o galo,

À meia noite e aos brados

A viúva começou

A despertar seus criados.

 

Como moral da história,

Uma dica verdadeira:

“Muita gente sai do mato

Pra cair na capoeira”.

 

Obs: Fábula de Esopo, adaptada e versificada por mim.

 

Geraldo de Castro pereira.

 

 

 

quarta-feira, 12 de agosto de 2015





 O  Falcão  e  o  Rouxinol




De maneira bem cruel,
Logo após nascer o sol,
Um falcão tomou o ninho
De um canoro rouxinol.

Havia vários filhotes
No ninho aconchegante.
O falcão ameaçou
Matar todos num instante.

O rouxinol suplicou,
Humilde e desesperado:
“Não mate os meus filhotes!
Tornar-me-ei seu criado!”.

O falcão logo aceitou
Aquele trato com a ave.
Como primeira tarefa,
Pediu-lhe um canto suave.

Mas, da garganta do pássaro.
Saiu um canto tristinho.
O falcão nada gostou
E comeu um filhotinho.

Nisto, com um forte laço,
Veio um bravo caçador.
Pegou o falcão valente
E para longe o levou.

O rouxinol ficou livre
Com sua cria indefesa.
E,lindamente,cantou
Para toda a natureza.

Como lição de moral
Vamos logo anotar:
“Quem prejudicar o outro,
Algum dia há de pagar”.

Obs: Fábula de Esopo, por mim versificada.

Geraldo 

domingo, 9 de agosto de 2015





                     
CORVO E O JARRO


 



O corvo foi beber água

Onde havia um riacho.

Mas, estava tudo seco:

Ficou com cara de tacho.

Bicou naquele lugar,

Mas, somente havia barro.

Voou um pouco pra frente

E encontrou um belo jarro.

Pegou aquele objeto

E examinou direitinho.

E viu que dentro do mesmo

Havia de água um restinho.

Após várias tentativas,

Ele quase teve um surto:

O jarro era muito alto

E o bico da ave era curto.

Mas teve logo uma ideia

Que lhe trouxe solução:

Foi enchendo o alto jarro
Com pedras que achou no chão.

Nisto a água lá do fundo

Foi subindo devagar.
E a ave então conseguiu

Sua sede saciar.

 Como conclusão da história
Lembro a lição segura:

“Água mole em pedra dura
Tanto bate até que fura”.


OBS: fábula de Esopo, por mim livremente versificada.

Geraldo de Castro Pereira.

sexta-feira, 7 de agosto de 2015





     
 

O LEÃO E O   MOSQUITO

 
 

                                                                                              

 

Um mosquito resolveu

Ser do mundo o mais chato:

Foi procurar um leão

Que descansava no mato.

 
O inseto impertinente

Foi direto no ouvido

Do animal e começou

Um irritante zumbido.

 
O leão nem se mexeu,

Ficou quieto em seu lugar.

Mas, o mosquito atrevido

Não parou de perturbar.

 
E disse para o leão:

“ você não me mete medo.

Azucrinar seus ouvidos

Para mim é um brinquedo.”

 

No focinho do leão

Deu-lhe uma ferroada.

O animal se aborreceu,

Aplicou-lhe uma patada.

 
O mosquito se esquivou

Com bastante rapidez.

E aproveitou o ensejo

Pra ferroar outra vez.

 
O Leão com suas garras

A si mesmo machucou.
 
Ficou cheio de feridas

Que ele mesmo provocou.

 
O inseto saiu ileso

E voou, todo pimpão,

Pra contar a todo o mundo

Que derrotou um leão.

 
Ficou todo envaidecido

Com sua bela façanha.

Mas, logo se esbarrou

Numa teia de aranha.

 
O pequeno aracnídeo

Do inseto se aproximou

Estava com muita fome

E inteiro o devorou.

 
Como moral da historinha,

Lembro a vocês, meus amigos:

“Pode ser o mais terrível

O menor dos inimigos”.

 
Obs:  Fábula de Esopo, por mim versificada livremente.

  
Geraldo de  Castro  Pereira

terça-feira, 4 de agosto de 2015





MINHA    INFÂNCIA    NA    ROÇA

 

 

Na minha infância na roça,

Eu brincava um bocado.

Eram cantigas de roda,

E “chicotinho queimado”.

‘Pique-esconde, “pula-pula"

"Gata pariu”, “cabra cega’,

 “Queimada’,”boca no forno”

“Pula-corda”, “pega-pega”.


E eu mesmo também criava

Os meus rudes brinquedinhos.

Pegava bananas verdes

E delas fazia boizinhos.

E um cabo de vassoura

Eu transformava em cavalinho.

Como um grande cavaleiro,

Corria pelo caminho.

Com carros de rolimã


Eu descia as encostas.

Ficavam todas raladas

As minhas pequenas costas.


Com cordas de bacalhau

Eu fazia meus balanços.

Eu perseguia as galinhas

E corria atrás dos gansos.


Montava num jumentinho,

Cavalgava um alazão.

O cavalo era bem bravo

E me jogava no chão.


Eu tinha dois estilingues

Para caçar passarinhos.

Mas não tinha pontaria

Para sorte dos bichinhos.


Um dia, sob uma paineira

Carregadinha de flor,

Eu fui com meu estilingue,

Perseguir um beija-flor.


Não é que eu acertei

Aquela linda avezinha?

Caiu no chão a coitada,

Ficando ali bem quietinha.


Dela eu me aproximei,

Tomei-a em minhas mãos.

Corri com ela pra casa

Pra mostrar a meus irmãos.


Minha mãe, ao ver aquilo,

Deu-me uma bronca tremenda.

Enrolou aquele pássaro

Em sua blusa de renda.


Depois apanhou um balde

De água fria cheinho.

E foi despejando o líquido

Na ave, devagarzinho.


Para todo o nosso alívio,

A ave não sucumbiu.

Bateu as suas asinhas

E para o espaço subiu.

Na roça eu não conhecia

As leis de preservação.

Por isso é que eu agia

Dessa forma, sem noção.


Eu soltava minhas pipas,

Jogava bolas de gude.

Enfim, gozei minha infância

Da maneira como pude.

Geraldo  de Castro Pereira.
                     

domingo, 2 de agosto de 2015




A  FORMIGA   E   A   POMBA



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Num rio veio beber

Uma formiga sedenta.
Subiu numa folha e disse:

“Será que ela me aguenta?”


Porém, a verde folhinha
Era frágil, com certeza.

A formiga escorregou

E caiu na correnteza.

Uma pombinha pousada
Num galho de uma ingazeira,

Vendo a formiga em perigo,

Acudiu a companheira.


Uma folha bem maior
A pombinha arrancou

E ali perto da formiga
Com seu bico a lançou.

 
A formiguinha subiu
Naquela folha comprida.

Agradeceu à pombinha
Por ter lhe salvado a vida.


E conseguiu alcançar
A margem do outro lado.

E matou a sua sede

Naquele rio gelado.


Mas, um caçador malvado
Ela avistou, de repente.

Apontava uma espingarda
Para a pomba inocente.

 
A formiga aproximou-se
Do homem, bem devagar.

Deu-lhe uma ferroada

No seu grande calcanhar.

O caçador deu um grito,
Deixando a arma cair.

A pombinha, mais esperta,
Conseguiu escapulir.

 
E voou ali pertinho
Da corajosa formiga.

E, agradecida, arrulhou:

“Obrigada, minha amiga!”.

 

Obs: Historinha infantil, que eu versifiquei.

 
Geraldo de Castro

sábado, 1 de agosto de 2015





                           
PRIMEIRA VEZ EM QUE FUI A UM CIRCO

Palhaço montado no burro colorir
 

 






Um dia, em minha cidade,

Não sei de onde surgiu,

Montaram um pequeno circo

Em um terreno baldio,

 

Pelas ruas um palhaço,

-Acho que era um anão,-

Montado no seu burrico,

Gritava a pleno pulmão:

 

“E hoje tem espetáculo,

E amanhã também tem”

E, por favor, compareçam

Ao circo do “Zé Quenquém”.

 
Quase todos os meninos,

Numa grande algazarra,

Foram atrás do palhaço,

Numa agradável farra.


O palhaço resolveu

Ao contrário ir montado.
O burrico não corria,

Ele era ensinado.

 
Eu também quis fazer parte

Da alegre brincadeira.
Nenhuma vez fui ao circo,

Talvez fosse a  a primeira.

 
É que o palhaço falou

Para os meninos somente

Que iria distribuir

Ingressos gratuitamente.

 
Para as mulheres cantava

Quando iam pra janela:

“Óia a moça na janela

Com a cara de panela’

 
Se ficava alguma jovem

Olhando pelo portão:

“Óia a moça no portão

Com a cara de carvão”.

 
Virava pra a meninada,

Que fazia um banzé:

-“E o paiaço o que é?”-

-“É ladrão de muié’.

 
-“Eu vou ali e vorto já” –

-“Vou panhá maracujá”.

-“E vou ali e vorto cedo”.

-“Vou chupar limão azedo”.

 
Continuava cantando:

“O paiaço é um colosso,

Ele sartô  do cavalo

E quebrou o seu pescoço.”


E daquele bom palhaço

Um ingresso eu ganhei.

Foi essa a primeira vez

Que num circo eu entrei.

 

Geraldo de Castro Pereirai