MINHA INFÂNCIA
NA ROÇA

Na minha infância
na roça,
Eu brincava
um bocado.
Eram
cantigas de roda,
E “chicotinho
queimado”.
‘Pique-esconde,
“pula-pula"
"Gata pariu”,
“cabra cega’,
“Queimada’,”boca no forno”
“Pula-corda”,
“pega-pega”.
E eu mesmo
também criava
Os meus
rudes brinquedinhos.
Pegava
bananas verdes
E delas
fazia boizinhos.
Eu transformava em cavalinho.
Como um
grande cavaleiro,
Corria pelo
caminho.
Eu descia as
encostas.
Ficavam
todas raladas
As minhas
pequenas costas.
Com cordas
de bacalhau
Eu fazia
meus balanços.
Eu perseguia
as galinhas
E corria
atrás dos gansos.
Montava num
jumentinho,
Cavalgava um
alazão.
O cavalo era
bem bravo
E me jogava
no chão.
Eu tinha
dois estilingues
Para caçar passarinhos.
Mas não
tinha pontaria
Para sorte
dos bichinhos.
Um dia, sob
uma paineira
Carregadinha
de flor,
Eu fui com
meu estilingue,
Perseguir um
beija-flor.
Não é que eu
acertei
Aquela linda
avezinha?
Caiu no chão
a coitada,
Ficando ali
bem quietinha.
Dela eu me
aproximei,
Tomei-a em
minhas mãos.
Corri com
ela pra casa
Pra mostrar
a meus irmãos.
Minha mãe,
ao ver aquilo,
Deu-me uma
bronca tremenda.
Enrolou
aquele pássaro
Em sua blusa
de renda.
Depois
apanhou um balde
De água fria
cheinho.
E foi despejando
o líquido
Na ave,
devagarzinho.
Para todo o
nosso alívio,
A ave não
sucumbiu.
Bateu as
suas asinhas
E para o
espaço subiu.
As leis de
preservação.
Por isso é
que eu agia
Dessa forma,
sem noção.
Eu soltava minhas pipas,
Jogava bolas
de gude.
Enfim, gozei
minha infância
Da maneira
como pude.
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