terça-feira, 4 de agosto de 2015





MINHA    INFÂNCIA    NA    ROÇA

 

 

Na minha infância na roça,

Eu brincava um bocado.

Eram cantigas de roda,

E “chicotinho queimado”.

‘Pique-esconde, “pula-pula"

"Gata pariu”, “cabra cega’,

 “Queimada’,”boca no forno”

“Pula-corda”, “pega-pega”.


E eu mesmo também criava

Os meus rudes brinquedinhos.

Pegava bananas verdes

E delas fazia boizinhos.

E um cabo de vassoura

Eu transformava em cavalinho.

Como um grande cavaleiro,

Corria pelo caminho.

Com carros de rolimã


Eu descia as encostas.

Ficavam todas raladas

As minhas pequenas costas.


Com cordas de bacalhau

Eu fazia meus balanços.

Eu perseguia as galinhas

E corria atrás dos gansos.


Montava num jumentinho,

Cavalgava um alazão.

O cavalo era bem bravo

E me jogava no chão.


Eu tinha dois estilingues

Para caçar passarinhos.

Mas não tinha pontaria

Para sorte dos bichinhos.


Um dia, sob uma paineira

Carregadinha de flor,

Eu fui com meu estilingue,

Perseguir um beija-flor.


Não é que eu acertei

Aquela linda avezinha?

Caiu no chão a coitada,

Ficando ali bem quietinha.


Dela eu me aproximei,

Tomei-a em minhas mãos.

Corri com ela pra casa

Pra mostrar a meus irmãos.


Minha mãe, ao ver aquilo,

Deu-me uma bronca tremenda.

Enrolou aquele pássaro

Em sua blusa de renda.


Depois apanhou um balde

De água fria cheinho.

E foi despejando o líquido

Na ave, devagarzinho.


Para todo o nosso alívio,

A ave não sucumbiu.

Bateu as suas asinhas

E para o espaço subiu.

Na roça eu não conhecia

As leis de preservação.

Por isso é que eu agia

Dessa forma, sem noção.


Eu soltava minhas pipas,

Jogava bolas de gude.

Enfim, gozei minha infância

Da maneira como pude.

Geraldo  de Castro Pereira.
                     

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