“CAVEIRA, QUEM TE MATOU?”
Foi minha mãe que contou
Esta “estória” apavoranteNum cemitério ocorrida
Com a caveira falante.
"Um jovem desrespeitoso,
Após uma bebedeira,
Num pequeno cemitério
Encontrou uma caveira.Meio tonto, ele chutou
E perguntou, de repente:
“Quem te matou, desgraçado?”A caveira respondeu,
“Quem me matou foi a língua,
Antes a tivesse presa!”
O homem se apavorou,
Desesperado da vida.- “O que ouvi não será
Um efeito da bebida?”
E fez de novo a pergunta
Para a caveira falante.
E ela tudo confirmou,
Sem ficar titubeante.O homem, amedrontado,
E foi dizer para todos
O que da caveira ouviu.
A notícia se espalhou
Para todo o povoado.Muita gente foi contar
O caso pro delegado.
Se de fato ele ouviu
O esqueleto falar.O moço, já bem curado
Afirmou que ouviu direito
As palavras da caveira.
Foi juntando muita gente
E o caso ficou mais sério.
Alguns homens arrastaram
O rapaz pro cemitério.
E lhe disseram, bem alto,
Na frente do delegado:
“Oh, se o fato for mentira,
Você será enforcado”.
A caveira ele chutou.
Perguntou com muita raiva;
“Mas, quem foi quem te matou?”
O esqueleto ,lá num canto,
Nenhum movimento fez.
O moço , desesperado,
Deu-lhe um chute outra vez.
De nada lhe adiantou
A violência absurda;
A caveira, arrebentada,
Permaneceu muda e surda.
Os homens, enfurecidos,
Com a falta de verdade,
Numa árvore enforcaram
O rapaz, sem piedade.
A caveira aproximou-se
Do rapaz morrendo à míngua:
“Eu não disse pra você
Quem me matou foi a língua?"
Geraldo de Castro Pereira.
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