quinta-feira, 3 de setembro de 2015




                         
 

AS AVES   E   O   MORCEGO

 



 

Foi declarada uma guerra

Entre as aves e animais.

As aves eram mais fracas;

E os bichos - fortes demais!

 
O morcego acovardou-se,

Com medo de sua morte.

Assim, então resolveu

Ficar do lado mais forte.

 
Bem perto dos animais

Voava de quatro patas.

Mas, a águia percebeu

Do morcego essas bravatas.

 
E passou a reforçar

Das aves o batalhão.

Estas ficaram mais fortes,

Invertendo a situação.

 
Venceram os animais,

Obtendo mais sossego.

Mas, de maneira humilhante,

Vingaram-se do morcego.

 
Castigaram o covarde

Com penalidades duras:

Ele andaria pelado

E, além disso, às escuras.

 
Como moral da história,

Eu só tenho a dizer:

“O covarde muitas vezes

Morre antes de morrer”.

 

Obs: Fábula de Esopo, versificada e adaptada por mim.

 

 
Geraldo de Castro Pereira

terça-feira, 1 de setembro de 2015





                       
A MENINA ENTERRADA VIVA

 

 

Eu gostava de escutar
Esta triste historinha

Que minha mãe me contava
Quando eu era criancinha.

 
“Uma garota bonita
Com seus cabelos compridos

Morava numa fazenda
Com seus pais muito queridos.

 
Dos cabelos da menina
Sua mãe tinha ciúme:

Diariamente os penteava

E os untava com perfume.


Um dia, essa mãe zelosa
Morreu de febre amarela.

Ficou a pobre menina

Sem ninguém pra cuidar dela.


Seu pai trabalhava muito
Pra manter a fazendinha.

Pra cuidar de sua filha,
Casou-se com a vizinha.


Mas, a mulher era má,
Não gostava da enteada.

Tratava aquela menina.
Como uma reles criada.


 Aqueles cabelos lindos
Estavam embaraçados.

Tinham até uns piolhos

E estavam ressecados.

 
O pai, percebendo isto,
Deu uma bronca danada,

Falando para a mulher
Que ela estava desleixada.

 
Mandou que ela cuidasse

Dos cabelos da criança.
A madrasta não gostou

E bolou uma vingança.

Esperou o seu marido
Visitar um seu parente

Que morava muito longe
E estava muito doente.

 
Então, ela arquitetou

Um plano vil e nefando
Pra se livrar da garota

Que estava lhe perturbando.

 Uma pujante figueira
Havia lá no quintal

Carregadinha de figos.
Outra não havia igual!

 
A mulher disse à menina,
De um modo muito bruto,

Que cuidasse da figueira,
Sem deixar cair um fruto.

 
Se algum pássaro qualquer
Num fruto desse bicada,

Ela então seria logo

Com a morte castigada.

E, por azar da criança,
Um passarinho bicou

Um figo já bem maduro,
Que no chão se despencou.

 
A madrasta viu o figo
Na terra todo bicado.

Na cabeça da menina

Bateu-lhe com um machado.


E quando o esposo chegou
Da viagem planejada,

Junto à figueira estava

A sua filha enterrada
.

A madrasta ao pai daquela
Pobre e infeliz menina

Disse que ela morrera
De doença repentina.


O pai ficou desolado,
Chorava de noite e dia.

 Para ele terminou
Da casa toda a alegria.

 
Porém, depois de alguns dias,
Junto daquela figueira

Brotou ali uma planta
Em forma de cabeleira.


O pai, muito curioso,
Quis decepar a plantinha.

Mas, escutou uma voz
Bem triste e afinadinha:

 
“Meu pai, ó meu pai, querido,
Não me corte a cabeleira.

A madrasta me enterrou
Pelo figo da figueira”.


Ficou todo assustado
Com o canto singular,

Buscou logo uma enxada
E começou a cavar.

 
Qual não foi sua surpresa:
A menina respirou.

Tirou-a logo dali,
Pro hospital a levou.
 
 Graças à habilidade

Do doutor que tratou dela,
A garota ficou boa,

Sem ter nenhuma sequela.

 
A madrasta, procurada
 
Pela polícia local,

Desapareceu no mundo,
Sem deixar nenhum sinal.

Pai e filha, bem juntinhos,
Viveram dias gloriosos.

E a figueira carregou-se
De figos deliciosos."

 

Obs: a história foi por mim recontada, sem perder o seu sentido.

 

Geraldo de Castro Pereira

 

 

 












segunda-feira, 31 de agosto de 2015





                        
O BURRO  E  A   CACHORRINHA -
 
 
 
 
 
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Um burrinho tinha inveja

De uma pequena cadela,

Cujo dono a mimava

E sempre cuidava dela.

 
 A cachorrinha também

Retribuía o carinho,

Fazendo festa pro dono

E latindo de mansinho.

 
Quando o homem, bem cansado,

Do seu trabalho chegava,

Corria ao encontro dele

E em seu colo se aninhava.

 
O burrico então pensou

Em agradar o patrão

Para que o mesmo também

Lhe desse mais atenção.

 
Estava o homem sentado,

Descansando do labor,

Quando o burro chegou perto

Do seu querido senhor.

 

 Foi botando suas patas

No ombro do seu patrão

E quis lamber-lhe o rosto

E dele também a mão.

 
O dono do animal

Ficou todo amedrontado.

E pediu logo socorro

Para um seu  empregado.

 

 Como castigo, o burrico

Voltou para a estrebaria.

E levou várias pancadas

Devido à sua ousadia.

 
Como moral da história,

Que fique muito patente:

“Ninguém com a sua sorte

Nem sempre está contente".



Obs: fábula de Esopo, livremente versificada e atualizada por mim.


Geraldo de Castro Pereira

quinta-feira, 27 de agosto de 2015





                            
O Leão e  o Javali.

 




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Fazia muito calor.

Um leão foi procurar

Um riacho bem tranquilo

Pra sua sede matar.

 
De repente, um javali,

Metido a valentão,

Fora também beber água

Onde estava o leão.


Entre aqueles animais

Formou-se um estardalhaço

Pra ver quem seria o dono

Do cobiçado pedaço.

 
Quando estavam se atracando

Num tremendo escarcéu,

O leão viu urubus

Já sobrevoando o céu.

 

Disse então para o inimigo

Num tom mais suave e brando:

“Estás vendo os urubus

Pertinho de nós chegando?

 

Estão numa expectativa

De quem vai perder a vida.

E aquele que for vencido

Vai servir-lhes de comida”.

 
 O javali concordou

Com o seu ”novel” amigo.

Beberam juntos a água,

Sem correrem mais perigo.

 
Os urubus se mandaram

Para bem longe dali.

Não brigaram nunca mais

O leão e o javali.

 
Como moral da história,

Este meu conselho siga:

“Mais vale um mau acordo

Do que uma boa briga”.

 

Obs: Fábula de Esopo, por mim versificada.

 

Geraldo de Castro Pereira

domingo, 23 de agosto de 2015





                               
“CAVEIRA,  QUEM  TE  MATOU?”

 

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Foi minha mãe que contou
Esta “estória” apavorante

Num cemitério ocorrida

Com a caveira falante.


"Um jovem desrespeitoso,
Após uma bebedeira,

Num pequeno cemitério
Encontrou uma caveira.


Meio tonto, ele chutou
O esqueleto ali jogado.

E perguntou, de repente:
“Quem te matou, desgraçado?”


A caveira respondeu,
Pra sua grande surpresa:

 “Quem me matou foi a língua,

Antes a tivesse presa!”

O homem se apavorou,
Desesperado da vida.

- “O que ouvi não será

Um efeito da bebida?”

 
E fez de novo a pergunta
Para a caveira falante.

E ela tudo confirmou,
Sem ficar titubeante.


O homem, amedrontado,
Rumo ao botequim seguiu.

E foi dizer para todos
O que da caveira ouviu.

 
A notícia se espalhou
Para todo o povoado.

Muita gente foi contar

O caso pro delegado.

 
O homem da lei chamou
O rapaz pra confirmar

Se de fato ele ouviu
O esqueleto falar.


O moço, já bem curado
Do efeito da bebedeira,

Afirmou que ouviu direito
As palavras da caveira.

 
Foi juntando muita gente
E o caso ficou mais sério.

Alguns homens arrastaram
O rapaz pro cemitério.

 
E lhe disseram, bem alto,
Na frente do delegado:

“Oh, se o fato for mentira,
Você será enforcado”.

 
Quando chegou ao local,

A caveira ele chutou.
Perguntou com muita raiva;

“Mas, quem foi quem te matou?”

O esqueleto ,lá num canto,
Nenhum movimento fez.

O moço , desesperado,
Deu-lhe um chute outra vez.

 
De nada lhe adiantou
A violência absurda;

A caveira, arrebentada,
Permaneceu muda e surda.

 
Os homens, enfurecidos,
Com a falta de verdade,

Numa árvore enforcaram
O rapaz, sem piedade.

 
A caveira aproximou-se
Do rapaz morrendo à míngua:

“Eu não disse pra você
Quem me matou foi a língua?"

 
Geraldo de Castro Pereira.

sexta-feira, 21 de agosto de 2015



                                   
UM   CAÇADOR   DESASTRADO




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Um caçador lá mata

Achou um tatu esperto.

Engatihando  sua arma,
 
Chegou do bicho bem perto.


 Apontou para o focinho

Daquele pobre animal.

Mas, o bichinho fugiu

Para outro matagal.

 

O caçador, persistente,

Não desistiu da empreitada.

Com seu facão afiado

Foi fazendo uma picada.

 
Reencontrou o tatu,

Que já estava um pouco fraco.

O animalzinho havia

 Cavado um grande buraco.

 
Quando o homem chegou perto,

No buraco o bicho entrou.

O caçador, apressado,

Várias vezes atirou.

 
Uma bala, no entanto,

Por azar do malfeitor,

Acertou bem na carcaça

Do animal sofredor.

 
O projétil, encontrando

O casco do animal,

Ricocheteou, ferindo

O atirador desleal.

 
A natureza se vinga

Do ser humano atrevido,

Pois, “quem com o ferro fere,

Com ele será ferido”.

 
Geraldo de Castro Pereira

 

 

 

quinta-feira, 20 de agosto de 2015


O   Cavalo   e   o  Leão

 

 

Um cavalo pastava tranquilo
Com a mente bastante dispersa.

De repente, um leão bem astuto,

Achegou-se com esta conversa:

“Oi, amigo, meu bom companheiro,
O que fazes aí tão sozinho?

Eu sou médico e posso curar-te

Com meu santo e legal remedinho”.


O cavalo, notando a malícia
Do leão, foi direto, ao falar:

“Poxa vida, eu estou bem surpreso

Com a tua ternura sem par.

Realmente, eu estou precisando
De um remédio bastante eficaz.

Eu caí num buraco bem fundo,

Sinto dores na pata de trás.”

 
O leão, bem pertinho da pata,
Foi pegá-la, com certo desleixo.

O equino, que bobo não era,

Acertou-lhe um coice no queixo.
 
O leão foi tombando de lado,
Todo grogue e bem tonto na hora.

Só mais tarde é que viu sua presa,

Relinchando e feliz, ir embora.

 Ao leitor que gostou desta fábula
Duas coisas direi, com certeza:
“Seja astuto com quem é astuto”.

“Contra o esperto é preciso esperteza."
 
Obs; fábula de Esopo por mim versificada.
 
Geraldo de Castro Pereira