quinta-feira, 24 de novembro de 2016
GRAVIDEZ PSICOLÓGICA
Maria das Dores Garcia , apesar das dores, era uma mulher forte. Criou sozinha seu filho Tadeu.O marido a abandonou com apenas dois anos de casados.
Teve vários empregos. Foi doméstica, vendedora de livros, balconista em lojas de roupas.Sacoleira, fez várias viagens ao Paraguai, sendo, inclusive, presa em uma de suas excursões ao passar pela Ponte da Amizade, por suspeita de sonegação fiscal.
Conseguiu educar seu filho. Ele se tornou um homem de bem, bom filho e culto. Formou-se em Direito É um advogado lutador e já consegue pagar suas próprias contas e ainda ajuda sua mãe nas despesas.
Das Dores, numa noite em que estava tranqüila assistindo às suas novelas, recebeu um telefonema de sua melhor amiga, de nome Soraia, convidando-a para uma festa. Depois de muita insistência da colega, resolveu ir. Arrumou-se toda, colocou seus brincos de ouro que havia herdado de sua mãe, pôs um vestido sensual combinando com seus sapatos novos. Tinha um corpo bonito, nem gorda nem magra.
Já estava com seus quarenta e sete anos. Aparentava ser mais nova de idade..
Daí a pouco, sua amiga buzinou e ela desceu.
Soraia morava num apartamento de dois quartos no sétimo andar de um prédio de classe média.
A casa estava cheia de convidados.Das dores apresentada a várias pessoas. De repente, quando estava tomando uma deliciosa batida de coco, aproximou-se dela um senhor elegante, moreno claro, cabelos grisalhos, bem vestido, mais alto que ela. Seu nome: Roberto. E ali travaram uma conversa longa. Dançaram juntos, de rostinho colado. Ele lhe contou que era viúvo, tinha uma filha de vinte anos, morando sozinha num apart-hotel e ele no centro da cidade.Das Dores, por sua vez, lhe narrou toda sua vida.
Ao término da festa, Roberto se ofereceu para levá-la em casa. Bem receosa, acabou aceitando a carona. Na porta do seu prédio , ali mesmo se despediram. Antes, trocaram números de telefone.
No dia seguinte, Roberto, ansioso, ligou para ela. Convidou-a para ir a um cinema. Convite aceito.
Começaram a namorar. Ele, apaixonado, recitava versos para ela. E até se lembrou de uma quadrinha que aprendera havia vários anos:”Três Marias, três amores, passaram pelos meus dias: ficou Maria das Dores, a dor maior das Marias.”
Ao cabo de um ano de namoro, foram morar juntos. Ela se mudou para o apartamento dele. Formavam um casal bem unido. Os filhos da cada um se tornaram amigos.
Uma noite, depois de terem feito amor, Das Dores disse ao companheiro: “queria tanto ter outro filho! Mas, já tenho quarenta e sete anos e minha ginecologista me disse seria muito perigoso eu me engravidar nessa idade.”
Roberto levou aquele susto. Eles transavam sem camisinha. Mas, ficou sossegado, após uma conversa com um médico, amigo seu.”Fique tranquilo, Beto.Dificilmente ela vai se engravidar. E se isto acontecer, ou ela ou a criança corre perigo de vida ”.
E lhe explicou todas as implicações da gravidez na faixa etária de sua companheira.
Após dois meses daquela conversa, Das Dores parou de menstruar. Começou a sentir náuseas. Percebia nitidamente algo em seu ventre a se mexer. Seus seios se intumesceram. Pensou: “estou mesmo grávida”.
Esfuziante de alegria, contou a novidade para o companheiro. Ele, meio incrédulo, lhe disse: ”você tem quer ir à ginecologista e fazer exames”. Ela retrucou: “não precisa agora. Sei que estou grávida mesmo”.
Passados dois meses daquela confidência, resolveu ir à sua ginecologista. Fez o ultrassom. Resultado: não estava grávida. Não se deu por vencida. Submeteu-se a outro exame com médico diferente. O mesmo resultado.
Então, perguntou à ginecologista: “como pode ser? Senti náuseas, minha menstruação parou de vir. Percebi até o feto se mexendo!"
Serena, sua médica lhe disse: “você pensa estar grávida: isto se chama gavidez psicológica. Logo, virá sua menstruação.”
Não deu outra: naquela mesma noite, ao ir ao banheiro, sentiu um líquido a lhe escorrer pelas pernas. Pensou positivamente: “tomara seja urina”. Mas, seu sonho, juntamente com o sangue menstrual, se esvaiu pela descarga do vaso sanitário.
Crônica de Geraldo de Castro Pereira
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