sexta-feira, 19 de junho de 2015




                    
Mistério da Santíssima Trindade.

 

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Numa praia bem deserta
O sábio Santo Agostinho,

Vagaroso, caminhava

E meditava sozinho.

 
Pensava nos seus escritos
E na sua conversão.

Quanta coisa ele ensinou
Ao povo rude e pagão.


Mas, o que o preocupava
Naquele momento sério

Era como desvendar
Da Igreja um grande Mistério.

 
E qual seria o mistério
Que lhe trazia ansiedade?

Com certeza era aquele

Da Santíssima Trindade.

 Não conseguia entender,
(Mesmo sendo um bom aluno),

Pai, Filho, Espírito Santo
A formarem um Deus Uno?

 
Bem concentrado e absorto
Na sua meditação,

Viu de repente um menino
Com uma concha na mão.

 
O garoto com os dedos
Fez um buraco na areia.

Depois, correu para a água,
E trouxe a conchinha cheia.

 
Despejou o conteúdo
No furinho que ele fez.

E depois foi para a água,

Voltando mais uma vez.

 
E assim por várias vezes
Na concha água levava.

E naquele buraquinho

Tudo ele despejava.

 Santo Agostinho, curioso,
Muito intrigado, por certo,

Chamou aquele menino,
Que estava ali bem perto.

 
-“ O que pretendes, meu filho,
Com esforço tão insano?

Por acaso esvaziar
Toda a água do oceano?

 
Não vês que isto é impossível,
-Disse-lhe num tom ameno -

Colocar toda essa água
Num buraco tão pequeno”

 
A criança respondeu-lhe
Com tamanha autoridade:

-“Impossível é compreender
A Santíssima Trindade”.

 

 Geraldo de Castro Pereira

quinta-feira, 18 de junho de 2015





                     
LENÇO DA SAUDADE 








Sombras gélidas do passado,
espreguiçando-se lentamente,
Vem se aquecerem
Na chama ígnea da vida.

E lá na esquina da saudade
Um lenço branco drapeja
Ao zéfiro brando
Num derradeiro aceno.

Lenço alegre da saudade
Daquela juventude

Outrora resplandecente.
 
Geraldo de Castro Pereira

 

 

quarta-feira, 17 de junho de 2015


           
De quem é a culpa?

 
A moça na praça
Ali sentadinha,

Com as pernas de fora
E a saia curtinha.

 
Um rapaz franzino
Dela se aproxima.

E fica mirando
Embaixo e em cima.

 
Ali extasiado,
Não quer ir embora.

De mirar não cansa
As pernas de fora.

 
A jovem se assusta,
Com aquele sujeito

Bem à sua frente,
Deixando-a sem jeito.

 
Imediatamente
 Suas pernas cobre

Com a bolsa comprada
Em um brechó pobre.

 
Muito apavorada,
Pega o celular

E para a polícia

Começa a ligar.

O moço, com medo,
Sai em disparada.

Atravessa a rua
Bem movimentada.

 
E, por azar seu,
logo ele avista

Um carro veloz
No meio da pista.

 
Tentou sair fora,
Pulando de lado.

Mas, não teve jeito:
Foi atropelado.

 
A moça que estava
No banco sentada

Correu pra salvá-lo:

 foi atropelada.

 
Os dois faleceram.

Por culpa de quem?
Talvez do destino?

Talvez de ninguém!

 
Obs: fiz este pequeno poema, baseado numa ideia fornecida pelo amigo Desembargador Hélio Mário de Arruda. Tornou-se uma tragédia!
Geraldo de Castro Pereira

 

 

 

 

 

terça-feira, 16 de junho de 2015





                                     
 SUSSURROS DO BAMBUZAL


 

Quando a tarde declina lentamente
E, soprando, soluça a ventania,
O bambuzal tristonha melodia
Põe-se a cantar, num sussurrar plangente.

Verdes folhas farfalham, tristemente,
Caindo, sem parar, na terra fria.
E os troncos vão gemendo de agonia,
Açoitados por vento veemente.

Eu, quantas vezes, descansando à sombra
Dos bambuzais, ouvi esta sentida
Lamentação entre a macia alfombra.

Do bambuzal lembrando, assim pensei:
“Se até árvores sentem dor na vida,

Por que também eu não a sentirei"?

Geraldo de Castro Pereira

domingo, 14 de junho de 2015




                         
HAITI



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Haiti,
Só ais para ti!
És um dos mais pobres países do mundo,
embora nobre,
Repleto de gente de todas as raças,
.
Pobre de ti, Haiti pobre!
Tudo emudeceu.
Em volta de ti!
Só o vento,
De canto a canto,
Leva o lamento
De quem sobreviveu!

Não há mais terra
Para tanto defunto,
Nem madeira
Para tanto caixão!.
O que restou de ti,
Pobre Haiti?
- Escombros apenas
E desolação!

 
Obs: escrevi o poema acima quando houve aquela catástrofe em Haiti, ocasionada por um terremoto que  atingiu  3,5  mihões de pessoas.Dentre as vítimas figura Da.Zilda Arns, fundadora da Pastoral da Criança. O texto supra está em letras vermelhas, para lembrar o sangue derramado.

Geraldo de Castro Pereira.

sábado, 13 de junho de 2015



                   
AS  ABELHAS, OS ZÂNGÃOS E A VESPA COMO JUÍZA

Como montar uma criação de abelhas






Laboriosas abelhas
Bem no alto de um carvalho

Fizeram sua colmeia

Depois de muito trabalho.

Os favos cheios de mel
Eram muito saborosos.

Foram logo cobiçados
Pelos zângãos preguiçosos.
 
Eles logo questionaram,
Dizendo que a propriedade
Desses favos eram seus,
Pois foi numa cavidade

Daquele velho carvalho
Que eles foram colocados.
E uma acirrada contenda
Formou-se entre os dois lados.

Uma vespa foi eleita
Pra dirimir a questão.
Logo para um tribunal
Foram chamados então.

A vespa, como juíza,
Para à lide por um fim,

Fez a seguinte proposta
Aos litigantes, enfim:


Em fazer o melhor favo
Cada qual se esmeraria.
E após uma avaliação,
O mais hábil ganharia.

Vendo a impossibilidade
De vencerem a parada,

Os zângãos espertalhões
Bateram em retirada.


E assim a sabida vespa

 
Solucionou a pendenga.
A sentença foi lavrada,
 
E acabou-se a lenga-lenga.


A fábula nos ensina
E jamais se esqueçam dela:
 
“Um autor é conhecido

Pela obra que o revela.”

 
Obs: esta é mais uma fábula de Fedro, por mim versificada. Observem que o fabulista não levanta a questão de forma clara no sentido de que os zângãos numa colmeia apenas têm a função de fecundar a abelha rainha no voo nupcial. Eles não possuem ferrão e nem fabricam mel. E quanto à palavra 'zângão', popularmente é conhecida como zangão (sem o acento circunflexo no primeiro "a"). Preferi a forma mais correta, no meu entender.
 
Geraldo de Castro Pereira

sexta-feira, 12 de junho de 2015




                 
HAICAIS III

 1 –

No seu velho rosto
Sorrisos da juventude

Tornaram-se rugas.


 2 – As estações do ano
Vão e voltam. Mas os anos

Não nos voltam mais.

 
3- O descobridor
Do vocábulo ‘Saudade’

Esqueceu-se do “AMOR”.


 4 – A vida é tão curta!
Para que gastarmos tempo,

Odiando os outros?

 
5 –A felicidade
Não está assim tão longe,

Mas dentro de nós.

 

6 – Nunca se apequene.
Na verdade, nós nascemos

Pra coisas maiores.

7 -

O meu epitáfio
Seria este: “AQUI  ESTOU

SEM MINHA VONTADE”

 8 –

Na nossa Bandeira
Querem alterar o lema:

“Regresso e desordem”

 

Geraldo de Castro Pereira