quarta-feira, 9 de setembro de 2015



                         
OS  DOIS  RATINHOS





Dois ratinhos, certa vez,

Vindos de um porão imundo,

De um tacho cheio de leite

Caíram bem lá no fundo.

O primeiro, desde o início,
Desistiu, desanimado.

E teve um triste destino,
Morrendo logo afogado.

O segundo foi lutando
Com toda a sua energia.

Com suas patas ligeiras

Dentro do tacho batia.


O leite ali sacudido
Ficou bastante engrossado.

E devagar em manteiga
Foi inteiro transformado.

O ratinho lutador
Ficou bastante surpreso,

Pois, com seu esforço insano

Conseguiu sair ileso.

Como moral da história
Eu só tenho a acrescentar:

“Se quiser vencer na vida,
Nunca pare de lutar”


Obs: fábula por mim recontada,cujo autor é desconhecido.

Geraldo de  Castro Pereira

segunda-feira, 7 de setembro de 2015




                  

O RATO  DA   CIDADE  E  O  RATO DO MATO


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Quis um dia curtir outros ares

Um belíssimo rato gordinho.

Foi pro mato num fim de semana

A convite de um seu amiguinho.


Lá chegando e muito cansado,

Pretendeu ir deitar numa cama.

Mas, o rato do mato apenas

Ofertou-lhe um ninho de grama.


Não querendo ser mal educado,

Contrariado aceitou a oferta.

Porém, não conseguiu descansar

Numa área tristonha e deserta.


Bem depressa também veio a fome.

Mas, o rato sentiu-se infeliz,

Pois, em vez de iguarias gostosas,

Foi servida somente raiz.


Não ficou nenhum dia no mato,

Do lugar fez malévola troça.

Para ver o que era fartura,

Convidou o amigo da roça.

  
Foram para uma casa de ricos,

A mais bela de toda a cidade.

Alojaram-se numa despensa,

Onde havia comida à vontade.

 À noitinha, comeram de tudo;

Lombos, queijos, toucinho e nozes.

De repente, o dono da casa

Foi entrando com gatos ferozes.

O malandro ratinho urbano

Conseguiu achar logo a saída.

Mas, o pobre caipira lutou

Bravamente e salvou-se com vida

E já fora do grande perigo,

Deu adeus ao amigo folgado:

“Fique aí com a sua fartura,

O que eu quero é viver sossegado.”

A moral que a fábula ensina

Pode ser esta agora, de fato;

“É melhor uma vida mais livre,
Do que ser prisioneiro de um gato".



Obs: fábula de Esopo, adaptada e versificada por mim.

Geraldo de Castro Pereira.




sábado, 5 de setembro de 2015


    A RAPOSA   E   O  PORCO-ESPINHO






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Certa vez, uma raposa

Quis atravessar um rio

Que era muito profundo

E fazia muito frio.

Com muita dificuldade,

Tendo sofrido um bocado,

Conseguiu atravessar

A margem do outro lado.


Numa relva bem macia
Ficou ali estendida.

Veio um enxame de moscas

Perturbar a sua vida.


 Ela abanava seu rabo,
Sacudia o seu dorso,

Mas de nada adiantava
Todo aquele seu esforço.

As moscas, impiedosas,

Da raposa, quase exangue,
Sugavam gulosamente

Boas doses do seu sangue.

 O porco-espinho, correndo
Por uma estreita vala,

Chegou perto da raposa
Para poder ajudá-la.

A raposa agradeceu

O gesto do porco-espinho:

“Obrigado, meu amigo,

Pelo seu grande carinho.

É que, se estas mosquinhas
Você agora espantar,

Outro enxame mais faminto

Ocupará o lugar.

 Com meu sangue, com certeza,
Elas estão saciadas.

De mim logo ficarão
Bastante distanciadas.


Como moral da história,

Deixo aqui esta lembrança:

“Desconfiança e cautela

São os pais da segurança”.


Obs: Fábula de Esopo, por mim atualizada e versificada.


Geraldo de Castro Pereira.


          

quinta-feira, 3 de setembro de 2015




                         
 

AS AVES   E   O   MORCEGO

 



 

Foi declarada uma guerra

Entre as aves e animais.

As aves eram mais fracas;

E os bichos - fortes demais!

 
O morcego acovardou-se,

Com medo de sua morte.

Assim, então resolveu

Ficar do lado mais forte.

 
Bem perto dos animais

Voava de quatro patas.

Mas, a águia percebeu

Do morcego essas bravatas.

 
E passou a reforçar

Das aves o batalhão.

Estas ficaram mais fortes,

Invertendo a situação.

 
Venceram os animais,

Obtendo mais sossego.

Mas, de maneira humilhante,

Vingaram-se do morcego.

 
Castigaram o covarde

Com penalidades duras:

Ele andaria pelado

E, além disso, às escuras.

 
Como moral da história,

Eu só tenho a dizer:

“O covarde muitas vezes

Morre antes de morrer”.

 

Obs: Fábula de Esopo, versificada e adaptada por mim.

 

 
Geraldo de Castro Pereira

terça-feira, 1 de setembro de 2015





                       
A MENINA ENTERRADA VIVA

 

 

Eu gostava de escutar
Esta triste historinha

Que minha mãe me contava
Quando eu era criancinha.

 
“Uma garota bonita
Com seus cabelos compridos

Morava numa fazenda
Com seus pais muito queridos.

 
Dos cabelos da menina
Sua mãe tinha ciúme:

Diariamente os penteava

E os untava com perfume.


Um dia, essa mãe zelosa
Morreu de febre amarela.

Ficou a pobre menina

Sem ninguém pra cuidar dela.


Seu pai trabalhava muito
Pra manter a fazendinha.

Pra cuidar de sua filha,
Casou-se com a vizinha.


Mas, a mulher era má,
Não gostava da enteada.

Tratava aquela menina.
Como uma reles criada.


 Aqueles cabelos lindos
Estavam embaraçados.

Tinham até uns piolhos

E estavam ressecados.

 
O pai, percebendo isto,
Deu uma bronca danada,

Falando para a mulher
Que ela estava desleixada.

 
Mandou que ela cuidasse

Dos cabelos da criança.
A madrasta não gostou

E bolou uma vingança.

Esperou o seu marido
Visitar um seu parente

Que morava muito longe
E estava muito doente.

 
Então, ela arquitetou

Um plano vil e nefando
Pra se livrar da garota

Que estava lhe perturbando.

 Uma pujante figueira
Havia lá no quintal

Carregadinha de figos.
Outra não havia igual!

 
A mulher disse à menina,
De um modo muito bruto,

Que cuidasse da figueira,
Sem deixar cair um fruto.

 
Se algum pássaro qualquer
Num fruto desse bicada,

Ela então seria logo

Com a morte castigada.

E, por azar da criança,
Um passarinho bicou

Um figo já bem maduro,
Que no chão se despencou.

 
A madrasta viu o figo
Na terra todo bicado.

Na cabeça da menina

Bateu-lhe com um machado.


E quando o esposo chegou
Da viagem planejada,

Junto à figueira estava

A sua filha enterrada
.

A madrasta ao pai daquela
Pobre e infeliz menina

Disse que ela morrera
De doença repentina.


O pai ficou desolado,
Chorava de noite e dia.

 Para ele terminou
Da casa toda a alegria.

 
Porém, depois de alguns dias,
Junto daquela figueira

Brotou ali uma planta
Em forma de cabeleira.


O pai, muito curioso,
Quis decepar a plantinha.

Mas, escutou uma voz
Bem triste e afinadinha:

 
“Meu pai, ó meu pai, querido,
Não me corte a cabeleira.

A madrasta me enterrou
Pelo figo da figueira”.


Ficou todo assustado
Com o canto singular,

Buscou logo uma enxada
E começou a cavar.

 
Qual não foi sua surpresa:
A menina respirou.

Tirou-a logo dali,
Pro hospital a levou.
 
 Graças à habilidade

Do doutor que tratou dela,
A garota ficou boa,

Sem ter nenhuma sequela.

 
A madrasta, procurada
 
Pela polícia local,

Desapareceu no mundo,
Sem deixar nenhum sinal.

Pai e filha, bem juntinhos,
Viveram dias gloriosos.

E a figueira carregou-se
De figos deliciosos."

 

Obs: a história foi por mim recontada, sem perder o seu sentido.

 

Geraldo de Castro Pereira

 

 

 












segunda-feira, 31 de agosto de 2015





                        
O BURRO  E  A   CACHORRINHA -
 
 
 
 
 
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Um burrinho tinha inveja

De uma pequena cadela,

Cujo dono a mimava

E sempre cuidava dela.

 
 A cachorrinha também

Retribuía o carinho,

Fazendo festa pro dono

E latindo de mansinho.

 
Quando o homem, bem cansado,

Do seu trabalho chegava,

Corria ao encontro dele

E em seu colo se aninhava.

 
O burrico então pensou

Em agradar o patrão

Para que o mesmo também

Lhe desse mais atenção.

 
Estava o homem sentado,

Descansando do labor,

Quando o burro chegou perto

Do seu querido senhor.

 

 Foi botando suas patas

No ombro do seu patrão

E quis lamber-lhe o rosto

E dele também a mão.

 
O dono do animal

Ficou todo amedrontado.

E pediu logo socorro

Para um seu  empregado.

 

 Como castigo, o burrico

Voltou para a estrebaria.

E levou várias pancadas

Devido à sua ousadia.

 
Como moral da história,

Que fique muito patente:

“Ninguém com a sua sorte

Nem sempre está contente".



Obs: fábula de Esopo, livremente versificada e atualizada por mim.


Geraldo de Castro Pereira

quinta-feira, 27 de agosto de 2015





                            
O Leão e  o Javali.

 




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Fazia muito calor.

Um leão foi procurar

Um riacho bem tranquilo

Pra sua sede matar.

 
De repente, um javali,

Metido a valentão,

Fora também beber água

Onde estava o leão.


Entre aqueles animais

Formou-se um estardalhaço

Pra ver quem seria o dono

Do cobiçado pedaço.

 
Quando estavam se atracando

Num tremendo escarcéu,

O leão viu urubus

Já sobrevoando o céu.

 

Disse então para o inimigo

Num tom mais suave e brando:

“Estás vendo os urubus

Pertinho de nós chegando?

 

Estão numa expectativa

De quem vai perder a vida.

E aquele que for vencido

Vai servir-lhes de comida”.

 
 O javali concordou

Com o seu ”novel” amigo.

Beberam juntos a água,

Sem correrem mais perigo.

 
Os urubus se mandaram

Para bem longe dali.

Não brigaram nunca mais

O leão e o javali.

 
Como moral da história,

Este meu conselho siga:

“Mais vale um mau acordo

Do que uma boa briga”.

 

Obs: Fábula de Esopo, por mim versificada.

 

Geraldo de Castro Pereira