sábado, 5 de setembro de 2015


    A RAPOSA   E   O  PORCO-ESPINHO






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Certa vez, uma raposa

Quis atravessar um rio

Que era muito profundo

E fazia muito frio.

Com muita dificuldade,

Tendo sofrido um bocado,

Conseguiu atravessar

A margem do outro lado.


Numa relva bem macia
Ficou ali estendida.

Veio um enxame de moscas

Perturbar a sua vida.


 Ela abanava seu rabo,
Sacudia o seu dorso,

Mas de nada adiantava
Todo aquele seu esforço.

As moscas, impiedosas,

Da raposa, quase exangue,
Sugavam gulosamente

Boas doses do seu sangue.

 O porco-espinho, correndo
Por uma estreita vala,

Chegou perto da raposa
Para poder ajudá-la.

A raposa agradeceu

O gesto do porco-espinho:

“Obrigado, meu amigo,

Pelo seu grande carinho.

É que, se estas mosquinhas
Você agora espantar,

Outro enxame mais faminto

Ocupará o lugar.

 Com meu sangue, com certeza,
Elas estão saciadas.

De mim logo ficarão
Bastante distanciadas.


Como moral da história,

Deixo aqui esta lembrança:

“Desconfiança e cautela

São os pais da segurança.


Obs: Fábula de Esopo, por mim atualizada e versificada.


Geraldo de Castro Pereira.


          

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