
O NEGRINHO DO PASTOREIO
Um menino, bem negrinho,
Não tinha nenhum parente.Trabalhava na fazenda
Para um homem exigente.
Surrava aquele menino
De um modo tão desumano.
Chamou, um dia, o garoto:
“Venha cá, seu malcriado”:
Vá cuidar dos meus cavalos,
Com atenção e cuidado”.
Lá foi o pobre coitado.
Passado um tempo, dormiu,
Pois estava já cansado.
Os cavalos do patrão
Sumiram no matagal.
Pediu à Virgem Maria
Que lhe desse proteção.
E mais nada se enxergava.
Acendeu uma velinha,
Que com ele conservava.
A cada pingo da vela,
Uma luz se acendia.
Encontrou os animais.
Depois disso, seu patrão
Nunca nele bateu mais.
Diz a lenda que, se alguém
Perder algo, sem receio
É só chamar pelo nome:
NEGRINHO DO PASTOREIO.
Geraldo de Castro Pereira
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