quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016





  

 





O NEGRINHO DO PASTOREIO



 

Um menino, bem negrinho,
Não tinha nenhum parente.

Trabalhava na fazenda

Para um homem exigente.


 Exigente era pouco:
O patrão era um tirano.

Surrava aquele menino

De um modo tão desumano.

 
Chamou, um dia,  o garoto:
“Venha cá, seu malcriado”:

Vá cuidar dos meus cavalos,
Com atenção e cuidado”.

 
Vigiar os animais

Lá foi o pobre coitado.
Passado um tempo, dormiu,

Pois estava já cansado.


 Quando acordou, deu um grito
De desespero total:

Os cavalos do patrão

Sumiram no matagal.

 Ajoelhou-se ali mesmo
E fez uma oração:

Pediu à Virgem Maria
Que lhe desse proteção.

 
Já era quase de noite.

E mais nada se enxergava.
Acendeu uma velinha,

Que com ele conservava.

 
E à procura dos cavalos
Entrou na mata sombria.

A cada pingo da vela,

Uma luz se acendia.

 
Com o auxílio da Virgem,

Encontrou os animais.

Depois disso, seu patrão

Nunca nele bateu mais.

 
Diz a lenda que, se alguém

Perder algo, sem receio

É só chamar pelo nome:

NEGRINHO DO PASTOREIO.

 

Geraldo de Castro Pereira

 

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