domingo, 24 de maio de 2015





         ELOGIO À POESIA


Poesia!
És o hálito olente de uma amor distante
Ou de um amor presente.
O arrulho de uma pomba errante,
O sopro de uma doce brisa.
És a relva macia
Onde o ofegante peregrino
Ali se delicia.

Poesia,
És a chama que dá calor
Ao congelado coração.

És melíflua
Corrente cristalina,
Deslizando mansamente
Pela colina..

És burburinho das fontes,
Das cidades borbulhantes,
Sorriso de belas morenas,
Sussurro das falenas,
Trinado de passarinho
Na quietude de seu ninho.

Beijos perfumados
Nos lábios enamorados
E na face rubra de um carinho.

És rapsódia,
És melodia,
Nas badaladas de um sino
Ou nas cordas mágicas
De um sonoro violino.

Tu tornas o poeta um “fingidor”,
Fá-lo “ouvir e entender estrelas”,
Fugir para a "Pasárgada ",.
Transformar a lua “num boião de leite
Que a noite leva,
Com mão de treva.”,
Ou “balão aceso, que subindo vai“.
Puseste “uma pedra. no meio do caminho”.
Até sem rimas és uma beleza
E encantas todo o mundo.
Poesia! Se tu não existisses,
Que seria dos boêmios,
Dos amantes,
sonhadores,
Dos seresteiros,
dos trovadores, .
Dos tristes e oprimidos,
Dos alegres e dos loucos,
dos cegos e dos moucos?
Sem ti, quem admiraria
uma flor desabrochando,
ou um sorriso de criança,
quem faria declarações apaixonantes,
quem veria a natureza com olhos coloridos,
protegendo-a dos vandalismos?
Sem ti, existiria beleza?
Sem ti, existiria vida? .
Talvez da caixa de Pandora
Foste a única dali brotada
Para amenizar as vicissitudes,
Para enaltecer as virtudes,
Mostrando a vileza do mundo,
Transformando esse vale de lágrimas
Num lenitivo eterno e profundo!

Geraldo de Castro Pereira



sábado, 23 de maio de 2015


                            

AS RÃS PEDINDO UM REI 


                  




 

               

            Esopo, um sábio de Atenas,
            Percebendo que, de fato,
            O povo não aceitava
            O tirano Pisistrato,
          
            Contou a história das rãs         
            Que nos pauis habitavam.
            Com certa libertinagem
            Elas jamais concordavam.

            Foram rogar ao Deus Júpiter
            lhes enviassem um rei
            Para coibir os abusos
            Com uma rígida lei.

            Júpiter, em zombaria,
            Dera-lhes, com desagrado,
            Um pedaço de madeira
            Que no charco foi lançado.

            Mas o barulho do lenho,
            Ao tombar-se no banhado,
            Causou  às tolas rãzinhas
            Um pavor exagerado.
          
            Aquele  toco de lenha
            Muito tempo ali ficou.
            Mas, uma rã bem curiosa,
            O objeto examinou.        

            Vendo aquele simulacro               
            Que nem sequer se mexia,
            Convocou  todas as rãs
            Que nadavam à porfia.

            E todas, sem nenhum medo,
            Do lenho se aproximaram.
            Em cima dele subiram,
            Do mesmo muito zombaram.

            Pediram então outro rei
            As rãzinhas atrevidas.
            Por aquele deus supremo
            foram logo atendidas.
              

            Mandou-lhes uma rainha,
            Desta feita uma serpente.
            As rãs tentaram fugir,
            mas tudo inutilmente.

            Várias delas foram mortas,
            Pela serpente aguerrida;
            Só algumas escaparam,
            Machucadas, mas com vida.

            E, então, as que restaram,
            Foram em busca de guarida.
            Rogaram ao deus Mercúrio
            Para ajudá-las na lida.
      
            Mercúrio falou com Júpiter,
            Que lhe respondeu na hora:                                
            “Elas não quiseram o bom,
            Que o mau agüentem agora”. 

             Após essa narração,
             Disse Esopo – sábio mor:
             “Se não querem um tirano,
              Pode vir outro pior.”


            Obs: Pisistrato foi um tirano da antiga Atenas.Governou  entre o período de 546 a 527 A.C.
          
           (Fábula de Fedro, por mim versificada e publicada no meu livro "Fábulas Di-versificadas" - Ed.Protexto)

              Geraldo de Castro Pereira.

sexta-feira, 22 de maio de 2015



 A RAPOSA E A CEGONHA






 Certa vez, uma raposa,
Malandrinha e sem vergonha,
Convidou para um jantar
A sua amiga cegonha.

A cegonha agradeceu-lhe
O convite de bom grado.
E voou toda contente
Para o almoço marcado.

Mas, quando chegou à casa
Da raposa desalmada,
Viu que a comida era líquida
Numa pedra derramada.

Bicou, bicou muitas vezes:
Nenhum sucesso logrou.
Aborrecida e faminta,
ao seu ninho retornou.

A cegonha, injuriada,
Pensando numa vingança,
Retribuiu o convite
Para uma comilança.

Dona raposa, gulosa,
O convite aceitou.
Para a casa da cegonha
Depressa pra lá rumou.

Qual não foi sua surpresa,
Depois de tão grande estafa:
O alimento todo estava
Picado numa garrafa.

A cegonha se fartou
Com tão gostosa comida,
Introduzindo seu bico
Na garrafa bem comprida.

Para a raposa famélica
Só restou ficar olhando
Ou lambendo a garrafa
Por fora e só lamentando.

Como moral desta fábula
Só tenho a acrescentar:
“Quem é nocivo aos outros,
Algum dia irá pagar”.

(Fábula de Fedro, por mim versificada,  extraída de minha obra "Fábulas Di-versificadas - Ed.Protexto)


Geraldo de Castro pereira

quinta-feira, 21 de maio de 2015


F E S T A    N O     C É U

 

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Espalhou-se uma notícia

Entre os bichos da floresta

De que São Pedro no céu

Daria uma grande festa.

O convite para o evento

Dentre todos os animais

Só seria para as aves,

excluindo-se os demais.

O sapo lá da lagoa

Ficou muito insatisfeito.

Afirmou pra todo o mundo

Que iria de qualquer jeito.

Procurou o urubu,

Que pousava numa casa.

-“-Amigo, você me leva,

Nem que seja em sua asa?’

O urubu se recusou

A atender ao pobre sapo.

E ainda o ameaçou

Com um tremendo sopapo.

Mas, o corvo era músico

E tocava violão.

E, distraído, deixou

Seu instrumento no chão.

O sapo, que não é bobo,

Aproximou -se, mansinho.

Penetrou no violão

E ali ficou bem quietinho.

Marcada a festa no céu,

O urubu se preparou.

Colocou um belo terno

E com o violão voou.

Mas, quando chegou ao céu,

O urubu, com cuidado,

Guardou o seu violão

Num canto bem resguardado.

O anuro, antes de sair,

Examinou o ambiente.

Não vendo ninguém por perto,

Saiu alegre e contente.
 

 Foi pra  uma sala distante,

para o corvo nada ver.

Deu aquele show de dança,
Esbaldando-se a valer.
 

Quando a festa ia acabar,

Mais que depressa o sapinho

Pulou dentro do violão

Sem fazer um barulhinho.

O urubu se despediu

De toda a passarinhada.

Apanhou seu violão,

E partiu em revoada.

Mas, no meio do caminho

Ouviu algo se mexendo.

Olhou dentro do violão;

Lá estava o sapo tremendo.

“seu patife”, disse o corvo,

“Já que está com muito medo,

Vou jogar você daqui

Pra morrer contra um rochedo.”

‘Isto mesmo, disse o sapo.

No rochedo é uma boa.

Só não quero que me lance

Naquela imunda lagoa.”

“Ah, bem! Vou mudar meu plano.

Está com medo? Não fuja!

Vou jogá-lo bem no meio

Da grande lagoa suja.”

O sapo, ao cair na água,

Gritou com muita alegria:

“Isto mesmo, seu tolinho,

Isto que o sapo queria”.

Como moral da história,

Eu direi sem rapapé:

“Enquanto existir cavalo,

São Jorge não anda a pé”

(Esta “ estorinha “infantil foi por mim versificada de uma forma

bem livre).

Geraldo de Castro Pereira.



                                  



 

 

 

 

 

 

quarta-feira, 20 de maio de 2015



    ASSEMBLEIA  DOS  RATOS  

 


 

 Um gato enorme e faminto,

Esperto como uma lebre,

Achou um bando de ratos

Num velho e imundo casebre.

 
Todo o dia ele caçava

Um rato bem rechonchudo.

E se fartava à vontade,

Já ficando barrigudo.

 

Os ratos, apavorados,

criaram um sindicato

Para se livrarem logo

Desse malfazejo gato.

 

Formaram-se comissões;

marcaram uma assembleia.

Dom ratão foi presidente

De toda aquela plateia.

 
E , todos, bem agitados,

Reuniam-se noite e dia,

Três ratazanas bem fortes

Puseram-se de vigia.

 

Dom ratão, inteligente,

Matutou um grande plano:

Colocar enorme guizo

No pescoço do bichano.

 

Convocou outra assembleia

Pra votar o seu intento.

Os ratos compareceram,

Cheios de contentamento.

 

E , por unanimidade,

Deram sua aprovação

À ideia genial

Do seu chefe, Dom ratão.

 

Cada rato saberia

-isto seria um colosso! –

O paradeiro do gato

Com o guizo no pescoço.

 

Mas, no fim da reunião,

Velho rato com juízo

Pediu a palavra e disse:

“Boa ideia essa do guizo!

 

Mas, aqui estou pensando

E meditando comigo:

Quem poria este artefato

No pescoço do inimigo?”

 

Ante aquela indagação,

Todos eles se calaram.

Botaram o rabo entre as pernas

E logo se dispersaram.

 

Como moral da história

Escuta esta minha fala:

“É fácil ter uma ideia,

Difícil é executá-la.”

 
Autor: Geraldo de Castro Pereira

 

 

terça-feira, 19 de maio de 2015




                    
O     P U LO   DO    G A T O

 


 

A onça observou o gato

Dando seu pulo certeiro

Em cima de um passarinho

Pousado no abacateiro.

 

Chegou perto do animal,

Fez-lhe o seguinte elogio:

“Mestre, mestre, que destreza!

A ave não deu um pio.

 

Será que o mestre podia

Ensinar-me esses truques?

Eu sou tão desajeitada

Apesar destes meus muques.”

 

O que a onça queria

Era estraçalhar o gato.

Mas, o bichano era esperto:

Fez-se de sonso e pacato.

 
E aceitou o desafio

De ensinar ao felino

Os pulos que aprendera

Desde quando pequenino.

 
E pula aqui e acolá,

dando piruetas mil.

Saltou de uma vez só

Um alto e largo barril.

 
Depois, ficou bem  cansado

E parou um bocadinho.

Como se estivesse morto,

Permaneceu bem quietinho.

 
A onça não perdeu tempo

E armou um pulo arrojado.

Mas, o gato, muito ágil,

Só deu um salto de lado.

 
A onça ficou frustrada,

Ao perder a sua presa.

Então, questionou  o gato,

Muito brava , com certeza:

 
“Mestre, isto não se faz.

Isto é pura covardia.

Não aprendi  este pulo

Dado com tanta maestria.”

 
O bichano, com malícia,

Retrucou-lhe , bem gaiato:

“Pensa que lhe ensinaria

O último pulo do gato”?

 
Geraldo de Castro Pereira

 

 

 

 

 

 

segunda-feira, 18 de maio de 2015



                       
RADIOGRAFIA

"Tudo perece: murcha a beleza,
Foge a riqueza, esfria a amor.
Mas a virtude zomba da sorte,
E até da morte disfarça o horror."

(Estrofe do poema "Virtude e Pureza", de Domingos de Barros).

 
Raio X, raio X do homem do corpo humano e mulher. Imagem de Stock Royalty Free

 Raios x de um homem e de uma mulher



Que faces tão rosadas,

Que lábios de carmim!

 Que cabelos sedosos,

cheirando a alecrim!



Pernas bem torneadas,
Que lábios tão perfeitos,
 Olhos cor de safira.

Pés de anjo, sem defeitos.

 
Que seios sensuais!

Ah, que pele tão lisa!

Verdadeira escultura,

Cópia da Mona Lisa.

 
“Mas, faça-me um favor:

Retire seu vestido,

Vista aquele jaleco

No cabide, estendido.

 
Nessa máquina fria,

Seu corpo quente encoste.

Prenda a respiração,

Fique assim como um poste.

 
- Agora, moça bonita,

Pode ir se arrumar.

Dez minutos apenas

Você vai me esperar.

 
 - Tudo pronto! Vem ver

Na radiografia

O que só lhe restou

Da beleza sadia.

 
Olhe e examine bem.

Vê? Pode chegar mais!

- Somente um esqueleto

Igualzinho aos demais!

Autor: Geraldo de Castro Pereira