F E S T A N O C É U
Espalhou-se uma notícia
Entre os bichos da floresta
De que São Pedro no céu
Daria uma grande festa.
O convite para o evento
Dentre todos os animais
Só seria para as aves,
excluindo-se os demais.
O sapo lá da lagoa
Ficou muito insatisfeito.
Afirmou pra todo o mundo
Que iria de qualquer jeito.
Procurou o urubu,
Que pousava numa casa.
-“-Amigo, você me leva,
Nem que seja em sua asa?’
O urubu se recusou
A atender ao pobre sapo.
E ainda o ameaçou
Com um tremendo sopapo.
Mas, o corvo era músico
E tocava violão.
E, distraído, deixou
Seu instrumento no chão.
O sapo, que não é bobo,
Aproximou -se, mansinho.
Penetrou no violão
E ali ficou bem quietinho.
Marcada a festa no céu,
O urubu se preparou.
Colocou um belo terno
E com o violão voou.
Mas, quando chegou ao céu,
O urubu, com cuidado,
Guardou o seu violão
Num canto bem resguardado.
O anuro, antes de sair,
Examinou o ambiente.
Não vendo ninguém por perto,
Saiu alegre e contente.
Examinou o ambiente.
Não vendo ninguém por perto,
Saiu alegre e contente.
Mais que depressa o sapinho
Pulou dentro do violão
Sem fazer um barulhinho.
O urubu se despediu
De toda a passarinhada.
Apanhou seu violão,
E partiu em revoada.
Mas, no meio do caminho
Ouviu algo se mexendo.
Olhou dentro do violão;
Lá estava o sapo tremendo.
“seu patife”, disse o corvo,
“Já que está com muito medo,
Vou jogar você daqui
Pra morrer contra um rochedo.”
‘Isto mesmo, disse o sapo.
No rochedo é uma boa.
Só não quero que me lance
Naquela imunda lagoa.”
“Ah, bem! Vou mudar meu plano.
Está com medo? Não fuja!
Vou jogá-lo bem no meio
Da grande lagoa suja.”
O sapo, ao cair na água,
Gritou com muita alegria:
“Isto mesmo, seu tolinho,
Isto que o sapo queria”.
Como moral da história,
Eu direi sem rapapé:
“Enquanto existir cavalo,
São Jorge não anda a pé”
(Esta “ estorinha “infantil foi por mim versificada de uma forma
bem livre).
Geraldo de Castro Pereira.
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