quinta-feira, 21 de maio de 2015


F E S T A    N O     C É U

 

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Espalhou-se uma notícia

Entre os bichos da floresta

De que São Pedro no céu

Daria uma grande festa.

O convite para o evento

Dentre todos os animais

Só seria para as aves,

excluindo-se os demais.

O sapo lá da lagoa

Ficou muito insatisfeito.

Afirmou pra todo o mundo

Que iria de qualquer jeito.

Procurou o urubu,

Que pousava numa casa.

-“-Amigo, você me leva,

Nem que seja em sua asa?’

O urubu se recusou

A atender ao pobre sapo.

E ainda o ameaçou

Com um tremendo sopapo.

Mas, o corvo era músico

E tocava violão.

E, distraído, deixou

Seu instrumento no chão.

O sapo, que não é bobo,

Aproximou -se, mansinho.

Penetrou no violão

E ali ficou bem quietinho.

Marcada a festa no céu,

O urubu se preparou.

Colocou um belo terno

E com o violão voou.

Mas, quando chegou ao céu,

O urubu, com cuidado,

Guardou o seu violão

Num canto bem resguardado.

O anuro, antes de sair,

Examinou o ambiente.

Não vendo ninguém por perto,

Saiu alegre e contente.
 

 Foi pra  uma sala distante,

para o corvo nada ver.

Deu aquele show de dança,
Esbaldando-se a valer.
 

Quando a festa ia acabar,

Mais que depressa o sapinho

Pulou dentro do violão

Sem fazer um barulhinho.

O urubu se despediu

De toda a passarinhada.

Apanhou seu violão,

E partiu em revoada.

Mas, no meio do caminho

Ouviu algo se mexendo.

Olhou dentro do violão;

Lá estava o sapo tremendo.

“seu patife”, disse o corvo,

“Já que está com muito medo,

Vou jogar você daqui

Pra morrer contra um rochedo.”

‘Isto mesmo, disse o sapo.

No rochedo é uma boa.

Só não quero que me lance

Naquela imunda lagoa.”

“Ah, bem! Vou mudar meu plano.

Está com medo? Não fuja!

Vou jogá-lo bem no meio

Da grande lagoa suja.”

O sapo, ao cair na água,

Gritou com muita alegria:

“Isto mesmo, seu tolinho,

Isto que o sapo queria”.

Como moral da história,

Eu direi sem rapapé:

“Enquanto existir cavalo,

São Jorge não anda a pé”

(Esta “ estorinha “infantil foi por mim versificada de uma forma

bem livre).

Geraldo de Castro Pereira.



                                  



 

 

 

 

 

 

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