quarta-feira, 20 de maio de 2015



    ASSEMBLEIA  DOS  RATOS  

 


 

 Um gato enorme e faminto,

Esperto como uma lebre,

Achou um bando de ratos

Num velho e imundo casebre.

 
Todo o dia ele caçava

Um rato bem rechonchudo.

E se fartava à vontade,

Já ficando barrigudo.

 

Os ratos, apavorados,

criaram um sindicato

Para se livrarem logo

Desse malfazejo gato.

 

Formaram-se comissões;

marcaram uma assembleia.

Dom ratão foi presidente

De toda aquela plateia.

 
E , todos, bem agitados,

Reuniam-se noite e dia,

Três ratazanas bem fortes

Puseram-se de vigia.

 

Dom ratão, inteligente,

Matutou um grande plano:

Colocar enorme guizo

No pescoço do bichano.

 

Convocou outra assembleia

Pra votar o seu intento.

Os ratos compareceram,

Cheios de contentamento.

 

E , por unanimidade,

Deram sua aprovação

À ideia genial

Do seu chefe, Dom ratão.

 

Cada rato saberia

-isto seria um colosso! –

O paradeiro do gato

Com o guizo no pescoço.

 

Mas, no fim da reunião,

Velho rato com juízo

Pediu a palavra e disse:

“Boa ideia essa do guizo!

 

Mas, aqui estou pensando

E meditando comigo:

Quem poria este artefato

No pescoço do inimigo?”

 

Ante aquela indagação,

Todos eles se calaram.

Botaram o rabo entre as pernas

E logo se dispersaram.

 

Como moral da história

Escuta esta minha fala:

“É fácil ter uma ideia,

Difícil é executá-la.”

 
Autor: Geraldo de Castro Pereira

 

 

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