sexta-feira, 31 de julho de 2015




                                   
          Homem e  o  Coelho

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Um homem tinha uma horta,

Da qual com zelo cuidava.

Todo tipo de verdura

Ali ele cultivava.

 
Pra nenhum intruso entrar,

Cercou-a toda de tela.

Mas, um coelhinho danado

Fez um furo embaixo dela.

 
E começou a comer

Quase toda a folhagem.

Porém, o horticultor

Descobriu a malandragem.

 
Tapou todos os buracos

E reforçou bem a porta.

O coelho fez outro furo

Em outro lugar da horta.

 
O Homem, desesperado,

Bolou o seguinte plano:

Fez um boneco de cera,

Parecendo um ser humano.

 
Colocou-o lá na horta

E ficou bem escondido.

O coelho voltou de novo,

Ainda mais atrevido.

 
Quando viu o bonequinho,

Não teve nenhum receio.

Disse, com  toda a coragem:

“Eu vou te partir ao meio”.

 
Afastou-se um pouquinho

E deu uma cabeçada.

Mas, a sua cacholinha

Na cera ficou grudada.

 
Para o boneco gritou,

Ameaçando-o outra vez:

“Se não me largares logo,

Eu te dou um soco inglês”.

 
Desfechou um grande murro

Na testa do bonequinho.

Sua mão ficou pregada,

Nem se mexeu um pouquinho.

 
Mas, ainda não vencido,

Com a outra mão socou.

Depois usou os seus pés:

Todo colado ficou.

 
O homem, ali escondido,

Sorrindo, apareceu.

Pegou o esperto coelhinho.

Numa gaiola o prendeu.

 
Obs: esta historinha eu ouvi quando ainda era criança. Resolvi versificá-la.

 
Geraldo de Castro Pereira.

 

 

quinta-feira, 30 de julho de 2015




           O   S A P O    E   O    E S C O R P I Ã O







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Para se aquecer ao sol

O sapo saiu do rio.

Ainda estava no inverno

E fazia muito frio.

 
De repente, o sapo viu

Um feroz  escorpião.

Tinha um corpo todo escuro

E um afiado ferrão.

 
Do sapo ali quietinho

Perto o escorpião chegou.

O anuro deu um pulo

E do intruso se afastou.

 
De novo o escorpião

 Foi chegando devagar.

E disse para o sapinho

Para não se assustar.

 
E pediu-lhe um favor,

Chamando o sapo de amigo:

-“Leve-me pro outro lado

Desse  rio, sem perigo”.

 
“Estás louco?”, disse o sapo.

Nas costas vais me picar.

Eu fico paralisado.

No rio vou me afundar”

 
O escorpião, muito esperto,

Com lógica jogou bem:

“Se eu te picar nas costas,

Eu afundarei também”.


Olhando sob esse prisma,
O anuro concordou.

Pôs  o escorpião nas costas
E atravessar começou.


Chegando ao meio do rio,
Levou tremenda picada

Do malvado escorpião,
Que lhe armou uma cilada.

 
_”Mas, por que fizeste isto?
Morreremos, com certeza”.

Respondeu o escorpião:

“É da minha natureza”.

Existe assim muita gente
Igualzinha ao escorpião:

Usa e abusa de nós,
Depois nos crava um ferrão.


 Obs: esta historinha ,de domínio público, foi por mim versificada. Se gostarem, ficarei contente.
 
Geraldo de Castro Pereira

terça-feira, 28 de julho de 2015




                        A   C O R I S T A



                                


                       Domingo ensolarado, após um sábado de muita chuva. Levantei-me da cama, ainda meio sonolento. Eram oito horas, A missa na igrejinha "Epírito Santo" começaria exatamente às nove horas.
                      Tomei um rápido banho, fiz minha higiene matinal. Ingeri uma xícara de chá de hortelã com uns biscoitos de maizena. Aprontei-me e fui a pé para a igreja.
                      Cheguei antes do padre iniciar a cerimônia. Sentei-me num banco lateral, donde poderia ver o altar e também o lugar onde estava o coral.
                      De repente, ouvi uma linda voz, entoando um salmo em gregoriano. Procurei localizar a dona da voz. Reconheci logo de quem se tratava, apesar do longo tempo decorrido:quase quarenta anos. Como estava ela envelhecida! Disfarçava a idade com a pintura dos cabelos, vestida de forma discreta, como convém a uma corista de igreja.
                      Muitas pessoas viraram o rosto, à procura da cantora misteriosa.
                      Nelita! Era este o nome dela. Conheci-a quando tinha ela uns dezoito anos e eu já estava com quase vinte e sete.
                      Como era bonita! Faces bem rosadas, cabelos pretinhos caindo pelos ombros,olhos da cor de jabuticaba, seios médios, bem magrinha, pernas torneadas e de estatura mediana.
                      Naquele tempo, com ela fiquei encantado. Mas, triste notícia: possuía um namorado bem nutrido, espadaúdo,com fama de brigão e um tanto ciumento. Era atleta do clube de futebol do bairro.
                     Mesmo assim, ousei aproximar-me da moça e correspondido fui.
;                    Chegamos a marcar um encontro furtivo. Compareci com antecedência de dez minutos.
                     Mas, qual não foi a minha frustração! Quando ela estava quase próxima de mim, foi interceptada pelo zeloso e prepotente namorado. Como descobriu? Parecia um cão perdigueiro, com faro apurado.
                      - "Posso saber aonde a senhorita vai?" - indagou, nervoso.
                      " A lugar nenhum; apenas dando uma voltinha" - respondeu a moça, despistando.

                     Só vi o truculento rapaz passando o braço sobre o ombro dela, levando-a para bem longe dali.
                      Fiquei estático, como um pateta, sem saber qual atitude tomar. Como enfrentar aquele brutamonte?
                      Encontrei-a outras vezes, mas não tive mais coragem de avizinhar-me dela. De longe,num descuido,vi-a, um dia, acenando para mim.
                      Após alguns meses, fui morar em São Paulo. Depois de ínvios caminhos, fui trabalhar no Espírito Santo como juiz. Lá eu me aposentei e voltei a morar em Belo Horizonte.
                     Quando a missa terminou, fiquei por ali, esperando-a passar. Sem que me reconhecesse, pude examiná-la com detalhes: magra, quase sexagenária pelas minhas contas, cheia de rugas faciais e varizes nas pernas. Talvez tivesse filhos. Seu marido, com certeza mais velho que eu, estaria alquebrado sob o peso dos anos, sem mais aquele vigor juvenil.
                     Se eu tivese um novo encontro com ela, certamente nada mais sentiria por ela e nem ela sentiria por mim. O tempo castiga as pessoas.
                    A existência é assim mesmo. É como apregoou Vítor Hugo:" A vida não passa de uma oportunidade de encontro; só depois da morte se dá a junção; os corpos apenas têm o abraço, as almas têm o enlace".

                   Geraldo de Castro Pereira.

domingo, 26 de julho de 2015





                        BOM DIA, DONA CARMEM!


                                 "I see friends shaking hands,saying: "How do you do?". They´re really saying:
                                  "I love you". (Vejo amigos apertando-se as mãos, dizendo:"Como você vai? - Eles realmente estão dizendo:"Eu amo você").
                                           (Da música: "What a wonderful World", de Louis Armstrong).




                                       



                              
                                    Todos os dias, com chuva ou com sol, lá estava ela fazendo sua caminhada vagarosa pela Avenida dos Andradas, Bairro Santa Efigênia, na maravilhosa cidade de Belo Horizonte.
                                    Andava meio curvada pelo peso dos anos. Uma octogenária, tão velha como como sua idade.
                                    Ia cumprimentando todas as pessoas em seu caminho, com um alegre "BOM DIA!". E recebia de volta sempre a resposta:"Bom dia, dona Carmem!"
                                    Jamais a vi de meu humor Soube que era viúva, já fazia quase vinte anos. Seus dois filhos, já casados, moravam no exterior.
                                    Ocupava ela uma casinha de alvenaria, situada numa rua paralela à Avenida Mem de Sá.
                                    Recebia do falecido marido uma pensão razoável. Ele tinha sido sargento da Polícia Militar de Minas Gerais, mas reformado como subtenente.
                                    Já conhecia pelo nome quase metade dos camihantes. Tentava, muitas vezes,
parar alguém para um papo. Não obtinha sucesso em seu intento, porque os transeuntes não queriam esfriar o ritmo das caminhadas.
                                    Um dia, ante a insistência dela, parei para uma ligeira prosa. Tive paciência. A velhinha, num verdadeiro estilo "ab ovo", veio contando sua vida. Ficamos ali quase uma hora, papeando, sentados na calçada.
                                    Perto havia um vendedor de água de coco. Pedi dois cocos. Ela recusou o convite e fiquei com apenas um, sorvendo devagar o líquido, atento às narrativas daquela simpática senhora.
                                   Em uma manhã ensolarada, lá fui fazer minha caminhada e notei enorme grupo de pesoas se formando perto do carrinho de coco. Curioso, perguntei a um senhor a razão de todo aquele burburinho. Ele foi logo dizendo:"dona Carmem está hospitalizada na Santa Casa de Misericórdia. Sofreu um enfarto. Está um pouco melhor".
                                    Eu indaguei: "Ela pode receber visitas?"
                                    O simpático idoso respondeu:" sim. Só é preciso comunicar o dia da visita, com antecedência, na portaria do hospital, porque é enorme a quantidade dos visitantes. A direção daquela casa de saúde estabeleceu, num ato inusitado, ate um horário especial para visitas, pela parte da manhã".
                                    Estive lá pra me inscrever como visitante. Só no dia seguinte. Tive que deixar meu nome e telefone, além do número de identidade.
                                    E, no dia aprazado, após enfrentar um fila quilométrica, consegui chegar perto do leito de dona Carmem. Ela estava lúcida e sorridente. Cumprimentou-me efusivamente. Desejei-lhe melhoras e tive logo que dela me despedir, pois muitas outras pessoas queriam dar-lhe conforto.

                                    Três dias depois minha visita, dona Carmem falecera. No enterro, ocorrido no Cemitério da Saudade, foi um alvoroço. Nunca via tanta gente reunida. Muitos homens e mulheres, inclusive crianças, choravam .Parecia enterro de artista. Eu também não contive minhas lágrimas.
                                    E, de repente, em coro, a multidão gritava, repetindo várias vezes:"Bom dia , dona Carmem! Descanse em paz"
                                    AMÉM!

                                    
                                 Geraldo de Castro Pereira.

sexta-feira, 24 de julho de 2015




  O  EX-SAPATEIRO  MÉDICO




Um esperto sapateiro,
Mas um mau profissional,
Fugiu de sua cidade,
Porque ali se dera mal.

Para um país distante
Meteu o pé na estrada.
Foi exercer medicina
Com firma falsicada.

Ali ficou bem famoso,
Ganhando muito dinheiro,
Vendendo um falso antídoto
Para o povoado inteiro.

O Rei daquele País,
estando muito doente,
Pediu aquele remédio,
Considerado eficiente.

Tendo o antídoto na mão,
Com cautela e sereno,
Depositou lá no frasco
Um poderoso veneno.

E, com sua autoridade,
Convocou o sapateiro.
Disse-lhe, com energia;
"Tu vais bebê-lo primeiro".

O falsário confessou
Ao monarca tão sisudo
estar engananando o povo,
Que acreditava em tudo.

O Rei chamou seus súditos
E falou em alta voz:
"Quanta ignorância e loucura
Julgais haver entre vós?

Por que assim confiastes
Em um tremendo farsante,
Colocando vossas vidas
Nesse perigo constante?

Pois, a vossa ignorância
Só serviu de exploração
E de enriquecimento
Para esse charlatão".

Modernizando esta fábula,
Eu acrescento com fé:
"Enquanto existir cavalo,
São Jorge não anda a pé'.

Obs: fábula de Fedro, por mim versificada.

Geraldo de Castro Pereira.




quarta-feira, 22 de julho de 2015




               
 A ÁGUIA,   A   CORUJA  E  A   TARTARUGA.



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A águia estava com fome,
Saiu para uma caçada.
Pegou uma tartaruga,
Com sua garra afiada.

Em defesa, a tartaruga
Afundou-se no seu casco.
A ave ficou frustrada
Ante tamanho fiasco.

A coruja, muito esperta,
Vendo aquela situação,
Aproximou-se da águia
Para uma solução.

 E disse assim para a amiga:
"Estás numa enrascada!
Se dividires a prenda,
Resolverei a parada".

A águia, não tendo outro jeito,
Deu-lhe a seguinte resposta:
"Se o impasse solucionares,
Aceitarei a proposta".

A coruja, experiente,
Disse pra águia, sem medo;
"segura bem tua presa
E a lança contra um rochedo.

O casco se romperá
Com esse impacto causado.
E assim poderás, tranquila,
Comer o teu bom bocado".

Aquela ave de rapina
Contra a rocha arremessou
A medrosa tartaruga
E o casco se espatifou.

Apesar da proteção
Que a natureza lhe deu,
A pobre tartaruguinha
Infelizmente morreu.

E a águia não se livrou
De dividir a comida,
Aliás apetitosa,
Com sua mestra atrevida.

Por isso, como lição,
Uma coisa vou dizer:
"Quem poderá escapar
Da malícia e do poder?"

Obs: fábula de Fedro por mim versificada.

Geraldo de Cstro pereira.

segunda-feira, 20 de julho de 2015

   O  V E A D O   E  A  F O N T E











Numa fonte toda limpa
O veado foi beber.
Sua imagem refletida
Viu na água aparecer.

E assim disse pra si mesmo:
"Meus cornos são bem torneados.
Mas, tenho pernas tão finas
Para correr  pelos prados".

De repente, ouviu as vozes
De terríveis caçadores.
E fugiu logo depressa
Dos cruéis perseguidores.

Correu pra uma floresta
Bem compacta e coesa.
Mas, sua linda galhada
Na ramagem ficou presa.

Tentou em vão retirá-la,
Mas os cães o acuaram.
E, sem dó nem piedade,
A mordê-lo começaram.

Já morrendo, exclamou:
"Sou tão infeliz, enfim.
Desprezei as minhas pernas
Que eram úteis para mim.

A beleza de meus cornos
Quanta desgraça me fez!
Se eles fossem menores,
Não morreria talvez".

Como lição de moral
Uma coisa vou contar:
"O que é útil para nós
Não devemos desprezar!"


Obs:fábula de Fedro, por mim versificada.

Geraldo de Castro Pereira.

                              

quarta-feira, 15 de julho de 2015




A S   D U A S    M U L A S   E   O S   L A D R Õ E S




Duas mulas carregadas
de bagagens pela estrada;
Uma levava dinheiro,
A outra levava cevada.

A que portava dinheiro,
Trotava, com alvoroço,
Ostentando, sobranceira,
Lindo guizo no pescoço.

Já a outra, pobre coitada,
A companheira seguia,
Com sua cabeça baixa,
Toda tristonha e sombria.

Mas, de súbito, uns  ladrões,
Num assalto bem tramado,
Cercaram a rica mula,
Deixando a outra de lado.

Apanharam o dinheiro,
Deixando ainda ferida
Aquela mula altaneira,
Fugindo logo em seguida.

A poderosa chorou,
Com muita dor e tristeza.
A pobre ficou feliz
Por ter se saído ilesa.

Da fábula acima eu deixo
Esta lição, meu amigo:
"Quem é rico sempre está
Rodeado de perigo".


Fábula de Fedro, por mim versificada,

Geraldo de Castro Pereira.

sábado, 11 de julho de 2015



         O    B E N Z E D O R


       

          Quando morava em Vitória, capital do Espírito Santo, adquiri um sítio na montanha, perto de um lugarejo chamado Aracê. Minha propriedade ficava cerca de quinze quilômetros da BR 101.
          A estrada era de terra.Quando chovia muito, virava um tormento. Muita lama e os caminhões e carros tinham muita dificuldade em transitar por ali.
          Construí um casinha toda de madeira perto de uma nascente cristalina. Aquele barulhinho da água rolando sobre os pedregulhos soava como música para meus ouvidos. Lá era o meu refúgio da vida agitada de juiz que levava no Tribunal.
          Eu tinha um vizinho, um senhor idoso, de nome José. Todos o chamavam de "seu Zé". Morava com sua esposa, Dona Maria, um senhora simples, mas de muito bom coração. A casinha deles era de pau a pique, rebocada de barro, com telhado de amianto, chão batido.O banheiro ficava do lado de fora, num pequeno cômodo, coberto de sapé.
          Eu o visitava muito, pois gostava de prosear com ele. Além disso, sua esposa preparava um café, o pó torrado na hora. Que delícia, servido em copos esmaltados. Não me esquecia de levar sempre uns biscoitos de polvilho para eles.
          'Seu' Zé era muito conhecido em todos os arredores dali, por ser um curandeiro. Só tinha um vício: a bebida. A venda, da qual era ele frequentador assíduo,distava uns três quilômetros. Montava em seu cavalinho e ia tomar da "branquinha", até ficar de porre.
          Dona Maria quase arrancava seus cabelinhos de neve, de tanta preocupação. Mas, o cavalinho, depois de tantas idas e vindas, conhecia o trajeto de olhos fechados e trazia seu dono, são e salvo.       
         De manhã cedo, quantas vezes vi o animal solto, ainda arreado, tentando pastar, embora o freio o atrapalhasse um pouco. Eu ia até lá e lhe arrancava o incômodo bridão.Só não tirava o arreio.
         Qualquer probleminha de saúde que eu tinha, vinha meu vizinho curandeiro querendo me benzer. Eu deixava, embora não acreditasse em nada daquilo. Ele rezava uma oração comprida, mista de palavras por ele inventadas e orações da Igreja Católica.
        Muitas pessoas acreditavam mesmo nas rezas e contavam terem sido curadas.
        Um dia, um empregado meu, so descascar uma cana, fez um corte profundo em seu dedo.
        Correu para a casa do "seu" Zé, para pedir ajuda. O sangue escorria sem parar.
        O benzedor imediatamente amarrou um pano no local da ferida, apanhou umas folhas de árvore, molhou-as na bica, segurou o dedo sanguinolento do rapaz e começou a rezar. Primeiro, fez o sinal da cruz. Em seguida, proferiu as seguintes palavras: "Deus é o sol, Deus é a lua, Deus é a claridade.Se tem sangue nesse dedo, não fique com medo. Peço a Jesus Cristo para, com suas mãos, estancar o sangue do Zael (era o nome do meu empregado), em nome de Deus e da Santíssima Trindade".
        Rezou depois três Ave-Marias e um "Pai-Nosso". Esfregou o ramo molhado no dedo do moço e terminou com o sinal da cruz.
        Acredite quem quiser: o dedo do rapaz parou de sangrar, quando o curandeiro acabou sua reza.
        Em outra ocasião, um vizinho correu para a casa do benzedor e gritou: "seu"Zé, seu cavalinho está se estrebuchando no chão. Vai morrer. Acuda".
        Eu estava perto. "Seu" Zé chegou sem nenhuma pressa.Imedantamente, perguntei:
        "Seu Zé",, não vai rezar para o cavalo ficar bom?"
        Simplesmente, respondeu:
        "Minhas rezas não podem ser usadas em meu próprio benefício. Deixe morrer".
         Diante do quadro e com pena do animal, chamei outro vizinho, de nome Aprígio. Veio correndo. Preparou uma garrafada com água,arnicão e álcool. Enfiou na garganta do bicho e despejou todo o conteúdo. Daí a pouco, o muar começou a espernear-se, vomitou uma quantidade de capim, misturado com folhas. Devagar, foi-se levantando, ensaiou uns passos, aprumou-se e começou a andar. Estava curado.
       E aí pensei na verdadeira frase:"santo de casa não faz milagre".

       Geraldo de Castro Pereira.
       


      
           

      

quinta-feira, 9 de julho de 2015

CHANSON D´AUTOMNE

PAUL  VERLAINE
                 


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Les sanglots longs
Des violons
De l’automne
Blessent mon coeur
D’une langueur
Monotone.


Tout suffocant
Et blême, quand
Sonne l’heure,
Je me souviens
Des jours anciens
Et je pleure


Et je m’en vais
Au vent mauvais
Qui m’emporte
Deçà, delà,
Pareil à la
Feuille morte.


Canção de Outono

Tradução: Jefferson Marques Barbosa


As longas vibrações
Das cordas dos violões
De outono
Deixam em langor
Meu coração com dor
A vagar pelo sono.

Todo sufocando
E pálido, quando
Chega a hora,
Eu me lembro triste
Do passado que insiste
E minh’alma chora.

Então me deixo levar
Pelo vento a pairar
Que me transporta
Para todos os cantos,
Como uma folha sem pranto
Sem peso e morta.



Obs: a tradução feita em versos por Jefferson Marques Barbosa não é literal, mas de forma mais livre. Por exemplo, ele traduz a palavra "violon', como violão. Na verdade, é 'violino". Violão na língua francesa é "guitare". Além disso, o tradutor acrescentou palavras que não existem no poema de Verlaine.
Paul Marie Verlaine nasceu em1844 na cidade de Metz, leste da França e faleceu em 8 de janeiro de 1896, sendo considerado um dos maiores e mais populares poetas franceses.

 

quarta-feira, 8 de julho de 2015


          


   A    I R M Ã    E    O    I R M Ã O








Um homem tinha dois filhos:
Uma donzela e um rapaz.
A moça era muito feia
E o moço - belo demais.

Eles, brincando no quarto,
Um espelho encontraram.
E, como duas crianças,
No objeto se admiraram.

 O rapaz se achou formoso,
 Vangloriando-se então.
A moça ficou zangada,
 Com os  gracejos do irmão
.
Para se vingar do mano,
Com seu pai foi reclamar:
"Como poderá um moço
Num espelho se mirar?

Pois, espelho é um objeto
Só pra mulher, com certeza.
E um homem não pode usá-lo
Para ver sua beleza".

O pai abraçou os dois
E lhes deu este conselho:
"parai com esta bobagem
E pegai logo este espelho.

Todo o dia podereis
Olhar-se nele, à vontade:
_Filho, usarás a beleza
Pra combater a maldade.

-E tu, minha filha amada,
Deixa de lado os ciúmes!
O importante é cultivares
Sempre, sempre os bons costumes".

Quem só pensa na aparência,
Muitas vezes se ilude:
"Toda a beleza se esvai,
mas fica sempre a virtude".


Fábula de Fedro, por mim versificada.

Geraldo de Castro Pereira.

terça-feira, 7 de julho de 2015






                      D O I S    C A L V O S



 


                     Um calvo achou por acaso
                     Naquele seu vai-e-vem
                     Um lindo pente prestável
                     Para quem cabelos tem.

                     Eis que aparece outro calvo,
                     Sorridente e satisfeito:
                     "Eia! - gritaram em coro -
                     Para nós não tem proveito."

                     Mas, o primeiro careca,
                     Apanhando o seu achado,
                     Lança-o fora com desprezo,
                     E disse, desconsolado:

                     " Os deuses nos apontaram                      
                     Este pente aqui no chão.
                     Mas, em lugar de um tesouro,
                     Temos um reles "carvão".

                     Eis a lição que tiramos
                     para o nosso próprio bem:
                     "Nem toda a pessoa encontra
                     Aquilo que lhe convém".
                   
                      Fábula de Fedro, por mim versificada.
                     
                     Geraldo de Castro Pereira.                  

domingo, 5 de julho de 2015




A  MOSCA  E   A    MULA



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Certa mosca petulante
Na anca da mula pousou
E foi logo lhe dizendo;
"'com muita pressa eu estou!

De tuas patas no chão
Nem o barulho eu ouço.
Se não andares depressa,
Picarei o teu pescoço"

A mulinha,devagar,
Continuou seu caminho.
Disse apenas para a intrusa,
perto do seu ouvidinho:

"Mosquinha, mosquinha tola,
Como és tão insolente!
Só obedeço a meu amo
Com seu chicote estridente.

Ele é quem me governa
Aqui do primeiro assento;
Sei onde devo parar
E tomar meu alimento."

Com estas duras palavras,
O inseto foi-se embora.
E a mula continuou
Seu destino estrada a fora.

Para os que lerem a história,
Fica esta lição sutil;
"deverá ser desprezada
A insolência do imbecil".

Obs:  fábula de Fedro, por mim versificada.

Geraldo de Castro Pereira..


sábado, 4 de julho de 2015



             
      O QUE FAZER APÓS UM FURTO OU ROUBO - (ADL)

   Repassando
IMPORTANTÍSSIMO! LEIAM ATÉ O FIM!

"A gente só se dá conta quando acontece com a gente...
Fui abordada por um indivíduo na rua, que levou minha bolsa com todos os documentos (até hoje não apareceram). Cancelei todos os cartões, abri um boletim de ocorrência, fiz tudo o que manda um figurino nessa situação, mas não foi o suficiente.

Semana passada, fui tentar um crédito numa loja e fui surpreendida com a notícia de que meu nome estava com muitas restrições. Fui ao SPC e SERASA imediatamente para verificar, e realmente meu nome está completamente sujo. Os camaradas abriram contas, usaram limites e fizeram cartão de crédito em vários bancos em Estados diferentes, pegaram empréstimos em várias financeiras, compraram através de crediário no Ponto Frio, Lojas Renner, etc, isso tudo 5 dias após o assalto.. Imaginem... agora estou tendo uma dor de cabeça e uma trabalheira danada para limpar meu nome.

Mas o que quero atentar, é para o
item 6, que está bem destacado abaixo.. Assim como o advogado relata, eu também nunca tinha ouvido falar disso e acho que a maioria das pessoas. Então não fiz o alerta nos orgãos de crédito, que aliás o principal responsável por essa orientação é a Policia no momento que registramos o Boletim de Ocorrência. A partir de orientações do SPC e SERASA, fiz o alerta agora, pois depois de conseguir limpar meu nome, como os bandidos ainda estão com meus documentos, podem tentar novas fraudes.

Por favor, repassem estas informações para que outras pessoas não tenham a dor de cabeça que estou tendo agora.


1. Não assine a parte de trás de seus cartões de crédito. Ao invés, escreva: 'SOLICITAR RG'.

2. Ponha seu número de telefone de trabalho ou seu telefone celular em seus cheques em vez de seu telefone de casa, e use seu endereço de trabalho.


3. Tire xerox de todo o conteúdo de tua carteira; documentos, cartões de crédito, fotos, etc. Você saberá o que tinha em sua carteira e todos os números de contas e números de telefone para chamar e cancelar...
Mantenha a fotocópia em um lugar seguro.
Também leve uma fotocópia de seu passaporte quando viajar.


5. Abra um Boletim Policial de Ocorrência imediatamente na jurisdição onde seus cartões foram roubados. Isto prova aos credores que você tomou ações imediatas, e este é um primeiro passo para uma investigação (se houver uma).

Mas aqui está o que é talvez mais importante de tudo:

6. Chame imediatamente o SPC ( 11-3244-3030 11-3244-3030 ) e SERASA ( 11-33737272 11-33737272 ) (e outros órgãos de crédito se houver), da sua cidade, para pedir que seja colocado um alerta de fraude em seu nome e número de CPF. Eu nunca tinha ouvido falar disto até que fui avisado por um banco que me chamou para confirmar sobre uma aplicação para empréstimo que havia sido feita pela Internet em meu nome.. O alerta serve para que qualquer empresa que confira seu crédito saiba que sua informação foi roubada, e eles têm que contatar você por telefone antes que o crédito seja aprovado.

Quando fui aconselhado a fazer isto (quase duas semanas depois do roubo), todo o dano já havia sido feito.
Há registros de todos os cheques usados para compras pelos ladrões, mas nenhum depois que coloquei o alerta.
Desde então, nenhum dano adicional foi feito, e os ladrões jogaram fora minha carteira.
Este fim de semana alguém a devolveu para mim. Esta ação parece ter feito eles desistirem.


Se você repassar esta informação, realmente estará ajudando as pessoas com quem você se preocupa."
 
                  Obs: recebi este e-mail importante. Vamos ficar atentos e fazer o que dele consta.Também fui assaltado em Belo Horizonte-Mg em minha própria residência. Levaram cartões de crédito e me obrigaram a fornecer até a senha dos mesmos. Ainda bem que não utilizo cheques para minhas transações.
                  Logo após o mencionado assalto, comuniquei aos órgãos competentes, cancelando cartões e fiz um Boletim Policial de Ocorrência . Só não fiz comunicação ao SPC e SERASA Isto já faz mais de dois anos. Graças a Deus, não tive grandes problemas, a não ser o furto de objetos de valor na minha casa. e o do meu carro, que felizmente foi recuperado, sem maiores danos. Não deixem também de fazer o seguro do carro. Abraços aos meus leitores.

Geraldo de Castro Pereira.. 

sexta-feira, 3 de julho de 2015


   TEXTO DE VERÍSSIMO



                     
> "Eu tomo um remédio para controlar a pressão.
> Cada dia que vou comprar o dito cujo, o preço aumenta.
> Controlar a pressão é mole. Quero ver é controlar o 'preção.'
> Tô sofrendo de 'preção' alto.
> O médico mandou cortar o sal. Comecei cortando o médico, já que a consulta era salgada demais.
> Para piorar, acho que tô ficando meio esquizofrênico.
> Sério!
> Não sei mais o que é real.
> Principalmente, quando abro a carteira ou pego extrato no banco.
> Não tem mais um Real.
> Sem falar na minha esclerose precoce. Comecei a esquecer as coisas:
> Sabe aquele carro? Esquece!
> Aquela viagem? Esquece!
> Tudo o que a presidente prometeu? Esquece!
> Podem dizer que sou hipocondríaco, mas acho que tô igual ao meu time:
> - nas últimas.
> Bem, e o que dizer do carioca? Já nem liga mais pra bala perdida...
> Entra por um ouvido e sai pelo outro.
> Faz diferença...
> 'A diferença entre o Brasil e a República Checa é que a República Checa tem o governo em Praga e o Brasil tem essa praga no governo'
> 'Não tem nada pior do que ser hipocondríaco num país que não tem remédio'. "
> (LUIZ FERNANDO VERÍSSIMO)
>
>
Obs: Este texto de Veríssimo recebi de um colega e amigo. Achei interessante e genial. Por isso, estou reproduzindo-o em meu blog. Espero que gostem. Abços a todos.

quinta-feira, 2 de julho de 2015




                                 
O    A S N O    E    A    L I R A


 
Lira 1

 

Um dia, um asno, pastando

Numa campina orvalhada,

Encontrou formosa lira

Lá no chão, abandonada.

 
Experimentou as cordas

Com seu casco bem pesado.

Saiu um som esquisito

E muito desafinado.

 
Para si mesmo então disse:

“Que bela coisa encontrei!

Porém, de que me adianta,

Se tocá-la eu não sei?

 
Alguém mais sábio que eu,

Talvez um músico bom,

Tiraria dessa lira

Um acorde de bom som”.

 

Esta fábula contém

um grande ensinamento:

”Cada  um tem o seu dom,

Cada um tem seu talento".
 
Obs: fábula de Fedro, por mim versificada. Mudei a moral da história, para adequá-la aos nossos tempos. 

 Geraldo de Castro Pereira.

 

quarta-feira, 1 de julho de 2015





                     
 

Monjolo

 

 

Era um antigo monjolo

De peroba fabricado.

Batia de noite e dia

Num pilão esburacado.

 
Eu ficava ali olhando

Aquele tosco monjolo

Que tinha por triste abrigo

Velha casa de tijolo.

 
O riacho cristalino

Descia lá da chapada.

Despejava suas águas

Nessa máquina antiquada.

 
E ali gemendo, batia,

Sempre, sempre sem cessar,

Triturando grãos de milho,

Naquele mesmo lugar.

 
De noite, quando eu dormia,

Me acontecia acordar,

Ouvia a triste batida

Do monjolo a soluçar.

 
Meditando, eu pensava

Que em cada forte batida

O monjolo ia contando

Os dias da minha vida.


Obs: o poema acima foi escrito, quando eu tinha dezenove anos, lembrando-me da pequena fazenda em que morava.

Geraldo de Castro Pereira