segunda-feira, 20 de julho de 2015

   O  V E A D O   E  A  F O N T E











Numa fonte toda limpa
O veado foi beber.
Sua imagem refletida
Viu na água aparecer.

E assim disse pra si mesmo:
"Meus cornos são bem torneados.
Mas, tenho pernas tão finas
Para correr  pelos prados".

De repente, ouviu as vozes
De terríveis caçadores.
E fugiu logo depressa
Dos cruéis perseguidores.

Correu pra uma floresta
Bem compacta e coesa.
Mas, sua linda galhada
Na ramagem ficou presa.

Tentou em vão retirá-la,
Mas os cães o acuaram.
E, sem dó nem piedade,
A mordê-lo começaram.

Já morrendo, exclamou:
"Sou tão infeliz, enfim.
Desprezei as minhas pernas
Que eram úteis para mim.

A beleza de meus cornos
Quanta desgraça me fez!
Se eles fossem menores,
Não morreria talvez".

Como lição de moral
Uma coisa vou contar:
"O que é útil para nós
Não devemos desprezar!"


Obs:fábula de Fedro, por mim versificada.

Geraldo de Castro Pereira.

                              

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