quarta-feira, 29 de abril de 2015

  
 
O SOTAQUE DAS MINEIRAS

(F.P.B. Netto)



“O sotaque das mineiras deveria ser ilegal, imoral ou engordar...
Afinal, se tudo que é bom tem um desses horríveis efeitos colaterais, como é que o falar, sensual e lindo das moças de Minas ficou de fora?
Por que, Deus? Que sotaque!
Mineira devia nascer com tarja preta avisando: 'ouvi-la faz mal à saúde'.
Se uma mineira, falando mansinho,me pedir para assinar um contrato, doando tudo que tenho, sou capaz de perguntar: 'só isso?'.
Assino, achando que ela me faz um favor...
Eu sou suspeitíssimo.
Confesso: esse sotaque me desarma.
Certa vez, quase propus casamento à uma mineira, que me ligou por engano, só pelo sotaque.
Os mineiros têm um ódio mortal das palavras completas.
Preferem, sabe-se lá por que, abandoná-las no meio do caminho.
Não dizem: pode parar, dizem: 'pó parar'
Não dizem: onde eu estou?, dizem: 'onde queu tô.'
Os não-mineiros, ignorantes nas coisas de Minas, supõem, precipitada e levianamente, que os mineiros vivem - lingüisticamente falando - apenas de uais, trens e sôs.
Digo-lhes que não.
Mineiro não fala que o sujeito é competente em tal ou qual atividade.
Fala que ele é bom de serviço.
Pouco importa que seja um juiz, um jogador de futebol ou um ator de filme pornô.
Se der no couro - metaforicamente falando, claro - ele é bom de serviço.
Faz sentido...
Mineiras não usam o famosíssimo tudo bem.
Sempre que duas mineiras se encontram, uma delas há de perguntar pra outra: 'cê tá boa?'.
Para mim, isso é pleonasmo.
Perguntar para uma mineira se ela tá boa é desnecessário...
Há outras.
Vamos supor que você esteja tendo um caso com uma mulher casada.
Um amigo seu, se for mineiro, vai chegar e dizer: - Mexe com isso não, sô (leia-se: sai dessa, é fria, etc).
O verbo 'mexer', para os mineiros, tem os mais amplos significados.
Quer dizer, por exemplo, trabalhar.
Se lhe perguntarem com o que você mexe, não fique ofendido.
Só querem saber o seu ofício.
Os mineiros também não gostam do verbo conseguir.
Aqui ninguém consegue nada.
Você não dá conta.
Sôcê (se você) acha que não vai chegar a tempo, você liga e diz: '- Aqui, não vou dar conta de chegar na hora, não, sô.'
Esse 'aqui' é outra delícia que só tem aqui.
É antecedente obrigatório, sob pena de punição pública, de qualquer frase.
É mais usada, no entanto, quando você quer falar e não estão lhe dando muita atenção: é uma forma de dizer 'olá, me escutem, por favor'.
É a última instância antes de jogar um pão de queijo na cabeça do interlocutor.
Mineiras não dizem 'apaixonado por'.
Dizem, sabe-se lá por que, 'apaixonado com'.
Soa engraçado aos ouvidos forasteiros.
Ouve-se a toda hora: 'Ah, eu apaixonei com ele...'
Ou: 'sou doida com ele' (ele, no caso, pode ser você, um carro, um cachorro).
Eu preciso avisar à língua portuguesa que gosto muito dela, mas prefiro, com todo respeito, a mineira.
Nada pessoal
Aqui certas regras não entram.
São barradas pelas montanhas.
Por exemplo: em Minas, se você quiser falar que precisa ir a um lugar, vai dizer: - 'Eu preciso de ir..'
Onde os mineiros arrumaram esse 'de', aí no meio, é uma boa pergunta...
Só não me perguntem!
Mas que ele existe, existe.
Asseguro que sim, com escritura lavrada em cartório.
No supermercado, o mineiro não faz muitas compras, ele compra um tanto de coisa...
O supermercado não estará lotado, ele terá um tanto de gente.
Se a fila do caixa não anda, é porque está agarrando lá na frente.
Entendeu? Agarrar é agarrar, ora!
Se, saindo do supermercado, a mineirinha vir um mendigo e ficar com pena, suspirará: '- Ai, gente, que dó.'
É provável que a essa altura o leitor já esteja apaixonado pelas mineiras...
Não vem caçar confusão pro meu lado!
Porque, devo dizer, mineiro não arruma briga, mineiro 'caça confusão'.
Se você quiser dizer que tal sujeito é arruaceiro, é melhor falar, para se fazer entendido, que ele 'vive caçando confusão'.
Ah, e tem o 'Capaz...'
Se você propõe algo a uma mineira, ela diz: 'capaz' !!!
Vocês já ouviram esse 'capaz'?
É lindo. Quer dizer o quê?
Sei lá, quer dizer 'ce acha que eu faço isso'!? - com algumas toneladas de ironia...
Se você ameaçar casar com a Gisele Bundchen, ela dirá: 'ô dó dôcê'.
Entendeu? Não? Deixa para lá.
É parecido com o 'nem...' . Já ouviu o 'nem...'?
Completo ele fica: '- Ah, nem...'
O que significa?
Significa, amigo leitor, que a mineira que o pronunciou não fará o que você propôs de jeito nenhum.
Mas de jeito nenhum mesmo.
Você diz: 'Meu amor, cê anima de comer um tropeiro no Mineirão?'.
Resposta: 'nem...'
Ainda não entendeu? Uai, nem é nem.
Leitor, você é meio burrinho ou é impressão?
Preciso confessar algo: minha inclinação é para perdoar, com louvor, os deslizes vocabulares das mineiras.
Aliás, deslizes nada.
Só porque aqui a língua é outra, não quer dizer que a oficial esteja com a razão.
Se você, em conversa, falar: 'Ah, fui lá comprar umas coisas...'..- Que's coisa? - ela retrucará.
O plural dá um pulo.
Sai das coisas e vai para o 'que'!
Ouvi de uma menina culta um 'pelas metade', no lugar de 'pela metade'.
E se você acusar injustamente uma mineira, ela, chorosa, confidenciará:
- Ele pôs a culpa 'ni mim'.
A conjugação dos verbos tem lá seus mistérios, em Minas...
Ontem, uma senhora docemente me consolou: 'preocupa não, bobo!'.
E meus ouvidos, já acostumados às ingênuas conjugações mineiras nem se espantam.
Talvez se espantassem se ouvissem um: 'não se preocupe', ou algo assim.
Fórmula mineira é sintética e diz tudo.
Até o tchau, em Minas, é personalizado.
Ninguém diz tchau, pura e simplesmente.
Aqui se diz: 'tchau pro cê', 'tchau pro cês'.
É.”
(Recebi de u´a amiga minha o e-mail acima. Achei interessante. Assim, repasso-o  aos meus leitores do blog).
Minhas observações sobre o texto em apreço:  também sou mineiro. Em Minas, o que disse o escritor do texto quanto ao modo de falar das mineiras, também se aplica aos homens. No meu caso, pelo fato de eu ter saído de Minas há muitos anos, fui perdendo esta maneira interessante de falar dos mineiros (ou das mineiras), considerando-se que nem todos em Minas assim se expressam. Hoje, nem "uai" eu falo mais.
  Mas,  o articulista, em relação ao verbo “precisar” diz o seguinte:” Por exemplo: em Minas, se você quiser falar que precisa ir a um lugar, vai dizer: - 'Eu preciso de ir...
Onde os mineiros arrumaram esse 'de', aí no meio, é uma boa pergunta...
Só não me perguntem!
Mas que ele existe, existe.
Asseguro que sim, com escritura lavrada em cartório".
        Contudo, segundo alguns estudiosos da língua pátria, o mineiro não estaria de todo errado quanto à regência do verbo em apreço.   Eis o que responde José Maria da Costa em seu ótimo blog  GramatiGALHAS:

Dúvida do leitor:
Daniela Kallas envia-nos a seguinte mensagem:  

"Preciso de fazer' alguma coisa ou 'preciso fazer' alguma coisa? 'Preciso de ir' ou 'preciso ir'? 'Preciso de comprar' ou 'preciso comprar'? 'Preciso de comer' ou 'preciso comer'?... Obrigada!"
 Resposta:
“1) Valendo-se de pesquisa de Luiz Carlos Lessa, no que tange ao verbo precisar, observa Celso Pedro Luft que no Brasil, "pelo menos em nossos dias, o mais usual é preposicionar-se o complemento, se este é um substantivo, e, ao revés, omitir a preposição, se a precisar segue-se um infinitivo: preciso de viagens / preciso viajar".1

2) Da análise dos casos concretos de seu uso, todavia, pode-se afirmar que, mesmo seguido de infinitivo, o verbo precisar pode ser empregado sem preposição ou com preposição, indiferentemente:

a) "Não precisamos rememorar os fatos decisivos das duas regiões" (Euclides da Cunha);

b) "Essa classe opulenta não precisava para isso de pertencer à raça judaica" (Alexandre Herculano).2

3) Eduardo Carlos Pereira, com muita propriedade, leciona que "alguns verbos transitivos, seguidos de um infinitivo, assumem facultativamente a preposição de".

4) E ele próprio exemplifica: "devo falar ou de falar, preciso estar ou de estar, devo escrever ou de escrever."3

1Cf. LUFT, Celso Pedro. Dicionário Prático de Regência Verbal. 8. ed. São Paulo: Ática, 1999. p. 412.

2Cf. FERNANDES, Francisco. Dicionário de Verbos e Regimes. 4. ed., 16. reimpressão. Porto Alegre: Editora Globo, 1971. p. 471.

3Cf. PEREIRA, Eduardo Carlos. Gramática Expositiva para o Curso Superior. 15. ed. São Paulo: Monteiro Lobato & Cia., 1924. p.
***

Sérgio Rodrigues, que responde questões sobre palavras na “Veja”,assim escreveu:

‘Preciso de fazer’ está certo?

“Precisar + de + objeto eu entendo; agora, precisar + de + verbo dói no ouvido. Frescura minha? Tenho escutado isso com frequência, inclusive na TV.” (Paulo Polzonoff)

Se você é brasileiro, recomendo evitar o “Preciso de fazer”, mas não se trata propriamente de erro. A regência do verbo “precisar”, quando seu sentido é o de “ter necessidade, carecer”, sempre guardou uma boa dose de instabilidade. Nas palavras do Houaiss, “a regência deste verbo oscila entre uma coisa e outra”, isto é, entre a transitividade direta e a indireta.

Essa oscilação ajuda a entender por que se esbarra de vez em quando em construções como “Preciso de fazer” ou “Ele precisou de ir ao médico”, o tal uso que “dói no ouvido” de Paulo. Compreende-se que doa: cada vez menos usual na fala brasileira, o emprego da preposição entre “precisar” e um verbo no infinitivo tende a ser visto entre nós como deselegante ou mesmo inculto. Em Portugal, porém, é considerado obrigatório.

Em todos os demais casos, brasileiros e portugueses concordam: “precisar” é transitivo indireto. Dizemos “Preciso de dinheiro”, “Seu texto precisa deuma boa revisão”. Nem sempre foi assim. O Dicionário de Verbos e Regimes de Francisco Fernandes cita autores clássicos que, minoritários mas convictos, trataram esse verbo como transitivo direto: “Não preciso vossa mão protetora”(Bocage); “As relações destes homens convêm-me e preciso-as” (Camilo Castelo Branco).
Atenção: a perspectiva histórica não aparece aqui para estimular ninguém a imitar Bocage e Camilo. Tal uso pertence ao passado da língua e hoje seria considerado simplesmente errado. Mas saber que a regência controversa de “precisar” vem de longe pode ser um bom remédio contra a dor de ouvido".





       





terça-feira, 28 de abril de 2015


                      O QUE NÃO SE DEVE FAZER EM UM BANHEIRO

               
            Tido para algumas pessoas como um dos lugares mais agradáveis da casa, onde pode-se sentar, refletir, chorar e falar consigo mesmo; O banheiro tem um grande inimigo que pode fazer com que pequenos hábitos aparentemente inofensivos se transformem em grande focos de doenças: a umidade. É ela, a umidade, a responsável pela alimentação de fungos e bactérias.
          Mas claro que a umidade não é a única vilã do banheiro;ela é apenas a principal: Veja na lista abaixo algumas coisas que costumamos fazer no banheiro, mas que não deveríamos fazer.
1- Dar descarga com a tampa do vaso aberto
Pode parecer besteira para alguns, quando na verdade é de uma obviedade tão absurda que não se sabe como muita gente nunca parou para pensar nisso: Por mais que seja lindo ver as fezes descendo pelo vaso sanitário e seja emocionante dar tchauzinho para o nosso amigo do interior, dar descarga com a tampa do vaso aberto faz com que milhões de coliformes fecais se espalhem pelo ar, indo parar em todos os objetos do banheiro, como escova de dentes ou cabelos e superfícies diversas.
2 - Usar toalhas de rosto... no rosto
            O grande problema de se usar toalhas de rosto, no rosto, é que normalmente ela fica no banheiro para que todos usem. Ficam muito tempo úmidas, o que acaba virando criadouro de bactérias.
           O ideal seria o uso de toalhas de papel. Mas, como muitas pessoas podem ter dificuldades em adquirir e expor esses produtos em recipientes adequados, deve-se então trocar as toalhas de rosto diariamente.

          Exagero? Bem. A transmissão do vírus de diversas doenças e vírus, como o do HPV, é possível através do contato com uma toalha de rosto ou de banho contaminada. Pense nisso.
3- Sabonete em barra:

Sabia que até sarna pode se alojar em sabonetes? Sinceramente não se pode  confiar nem mesmo naqueles que possuem ação bactericida e desinfectante, pois os mesmos não protegem contra a ação bactericida. Tenha sempre preferência por sabonetes líquidos, Mas, caso goste mais dos sabonetes em barra, compre um de uso exclusivamente seu e deixe o líquido para os visitantes.

4 - Pegar na maçaneta depois de lavar as mãos:

Essa vale mais para banheiros públicos do que propriamente para o banheiro de nossas casa. Afinal,não p
recisamos ser tão paranoicos... a não ser que se tenha uma festa na casa... com muitas pessoas.

Banheiro publico tem toda a sorte de gente e muitas delas nem mesmo lavam as mãos, ou lavam mal lavadas. Use um papel para abrir a maçaneta, ou tente um dos truques do gif abaixo:

5- Cesto de roupas sujas no banheiro.

Banheiro... umidade...escurinho... quentinho... Pois é: deixar roupas sujas em cestos de banheiro que normalmente são todos furadinhos, é um prato cheio para fungos, bactérias e outros coisinhas mais além de causar um certo mau cheiro.

O certo é deixar em outro local e lavar o quanto antes.

6- Roupas intimas secando no Banheiro
Além de ser constrangedor, deixar calcinhas e cuecas recém lavadas no banheiro é um hábito de desatenção na higiene... A umidade certamente vai fazer com que a peça demore mais para secar e criar um bela colônia de bactérias que mais tarde podem contaminar as pepecas desavisadas.

Seque suas calcinhas em local arejado e, de preferência, onde bata um solzinho.

7- Escovas de dente guardadas na pia:
É muito comum deixar as escovas de dentes em cima da pia do banheiro, seja jogada na bancada ou dentro de porta-escovas. Esse é um grande perigo.Não se esqueça de que a primeira coisa que foi dita aqui foi sobre coliformes fecais,que voam da privada para diversos lugares. Pois é. Um perigo deixar a escova exposta dando mole.

Escova vai na boca, portanto nada de guardá-la molhada.Dê sempre uma batidinha nela na pia para sair todo o excesso de água, guarde-a de preferência usando a capa protetora e guarde-a dentro do armário do banheiro.E, na hora de usar, lave-a.

8- Tapete no box.

Uma simples pergunta: quantas vezes se lava aquele tapete que fica dentro do box do banheiro? Somente quando se faz a faxina completa do banheiro, certo? Pois é, só que é errado. Eles acumulam uma quantidade absurda de lodo, fungos e,claro, bactérias. O se lava diariamente com água sanitária ou o risco de pegar doenças sinistras nos pés é grande.

9- Tomar banhos quentes

De fato, uma ducha quente é uma delícia, mas não se deve exagerar. Existe uma camada protetora da pele chamada camada córnea, e tomar muitos banhos por dia, principalmente se a temperatura do chuveiro estiver alta, acaba retirando essa camada, deixando-a exposta para as bactérias presentes no banheiro, nos tornando mais suscetíveis a doenças. Portanto
, evite banhos muito quentes e não tome tantos banhos por dia
10- Guardar maquiagens

A mesma vilã de sempre: evite guardar as maquiagens e seus apetrechos de aplicação, como pincéis etc em cima da pia, ou até mesmo dentro do armarinho do banheiro. Esse hábito pode
, além de criar bactérias , diminuir a vida útil dos produtos: Prefira locais secos e arejados, de preferência bem frescos.
                        Obs: recebi, por e-mail  de um amigo, os conselhos acima descritos e repasso-                         por achá-los muito úteis para todos. Abços.Geraldo de Castro Pereira


--


      


  PARTIDA 
 






Partiu para bem distante
A mulher que eu amei tanto.
Restou somente a saudade,
A  enxugar o  meu pranto.

E neste mundo de treva
Fiquei vagando sozinho
Sorvendo  o fel da ilusão,

Trôpego, em meu caminho.

Sem arrimo, sem amor,
Fui apoiar-me, cansado,
No bastão da minha dor


Depois daquela partida,
Não quero mais escutar

A melopeia da vida.

Graldo de Castro Pereira

segunda-feira, 27 de abril de 2015




                     EDUARDO GALEANO – GRANDE PERDA

                 Não poderia deixar passar em branco em meu blog um pequeno comentário sobre a morte do grande escritor e jornalista uruguaio, Eduardo Hughes Galeano, falecido no dia 13 do corrente, aos 74 anos (por sinal, minha idade).  Nasceu ele em Montevidéu aos três de setembro de 1940.

                Certamente, o mundo ficou intelectualmente mais pobre com a morte desse grande ser humano.  Como anticapitalista, escreveu em 1971 sua grande obra “As Veias Abertas da América Latina”.

               Para se ver como algumas pessoas, com o perpassar do tempo, mudam suas ideias, no ano passado, com relação à sua obra acima dita, declarou: ”Se eu a relesse hoje, cairia desmaiado (...) Para mim, essa prosa da esquerda  tradicional é extremamente árida e meu físico já não a tolera”.

               Em 1973, Galeano foi preso em razão do golpe militar no Uruguai e teve seu nome colocado na lista dos esquadrões da morte. Então, exilou-se na Espanha. Só em 1985, após a redemocratização do Uruguai, retornou a seu país, onde viveu até seus últimos dias de existência.
               Escreveu várias outras obras, dentre as quais podemos citar: “Memória de Fogo”, que constitui uma trilogia da História das Américas.    
.             Esteve no Brasil, participando da Bienal do Livro ocorrida em Brasília no mês de abril de 2014.

              Como apaixonado por futebol, escreveu também o livro “O Futebol ao Sol e à Sombra”, onde critica intelectuais de esquerda que rejeitam o jogo por questões ideológicas.
 
              Encerro aqui minhas considerações, com duas frases de Galeano: "As pessoas estavam na cadeia para que os presos pudessem ser livres" e “Para se levantar, é preciso saber cair”.

              Que ele tenha o descanso eterno!

                 Geraldo de Castro Pereira
O PASTOR E A CABRA

 Um desastrado pastor
Ao manejar seu cajado,
De uma cabra do rebanho
Deixou o chifre quebrado.

Com medo do seu patrão,
À cabra pediu, com jeito,
Que não o denunciasse
Pelo que havia feito.


A cabra lhe prometeu
Fazer o que ele pediu.
Com muita sabedoria
Este aviso repetiu:

“Preste atenção, ó pastor,
Em teu ato praticado:
Teu senhor logo verá
Este meu chifre quebrado”.


E como moral da história
Apenas posso acrescer:
“Tudo aquilo que é mal feito
Não adianta esconder”


Obs: Fábula extraída do meu livro "Fábulas Di-versificadas", publicado pela  Editora Protexto.
Geraldo de Castro Pereira

domingo, 26 de abril de 2015





                      
O MAR

Deitado sobre a areia macia,
contemplo, estático, o espetáculo do mar!
O ronco rouco das ondas encrespadas
vai sumindo devagar
ao encontro dos penedos, mansamente!.

Suave vento,
sobre as águas perpassando,
varre-as com a vassoura de seu sopro doce e brando.
E, num tom
surdo e sonolento,
como um som
de um enxame alvoroçado
de abelhas ,
comigo o imenso mar está cantando.

 Poema de Geraldo de Castro Pereira.

SANTA MARIA DO SUAÇUÍ -MG

              
              
                 SANTA MARIA DO SUAÇUÍ-MG - MINHA TERRA NATAL


Sta. maria eterna, Sta. maria do suaçui-mg,br

Imagem de Nossa Senhora - cartão postal de Santa Maria do Suaçui-Mg



               Santa Maria do Suaçuí-Mg: o habitante dessa cidade se chama santa-mariense. O Município tem uma extensão de 624,1 km2.Segundo o último censo, possui 14.399 habitantes, com densidade demográfica de 23,1 habitantes por km2.
                As cidades vizinhas são: José Raydan, Água Boa, São Sebastião do Maranhão. É uma cidade, portanto, pequena, mas agradável, com um povo pacato e trabalhador.
               Denominada "cidade da fé", porque aí viveu e morreu o Cônego Lafayete da Costa Coelho, considerado um santo, existindo, inclusive, um processo de beatificação em andamento no Vaticano. 
               Tive o prazer de ter sido coroinha do Cônego lafayete e batizado por ele.
               Todos os anos há uma romaria no mês de setembro para celebrar o dia da morte do Santo Cônego. A cidade fica lotada com a vinda de muitos romeiros.

               Na verdade, eu não nasci na cidade mesmo, mas, na zona rural denominada "Murubau". Daí , tirei o nome do meu blog.
               Dificilmente, esquecemos nossa terra natal,embora as autoridades que a governam se esquecem de nós, que saimos de lá e nos tornamos pessoas bem sucedidas fora do Município.
               Mas, parafraseando Carlos Drumond de Andrade, Santa Maria do Suaçuí, para mim, não é apenas um retrato na parede. Afinal, todos cantam sua terra, como disse Casimiro de Abreu em um trecho do seu poema:

"Todos cantam sua terra,
Também vou cantar a minha,
Nas débeis cordas da lira
Hei de fazê-la rainha;
— Hei de dar-lhe a realeza
Nesse trono de beleza
Em que a mão da natureza
Esmerou-se em quanto tinha. "

GERALDO DE CASTRO PEREIRA

sábado, 25 de abril de 2015



    
S U C E S S O   N A   VIDA
   

 

“Se você pensa que é um derrotado,
você será derrotado.
Se não pensar “quero a qualquer custo!”
Não conseguirá nada.
Mesmo que você queira vencer,
mas pensa que não vai conseguir,
a vitória não sorrirá para você.

Se você fizer as coisas pela metade,
você será fracassado.
Nós descobrimos neste mundo
que o sucesso começa pela intenção da gente
e tudo se determina pelo nosso espírito.

Se você pensa que é um malogrado,
você se torna como tal.
Se almeja atingir uma posição mais elevada,
deve, antes de obter a vitória,
dotar-se da convicção de que
conseguirá infalivelmente.

A luta pela vida nem sempre é vantajosa
aos fortes nem aos espertos.
Mais cedo ou mais tarde, quem cativa a vitória
é aquele que crê plenamente
Eu conseguirei!”

 

 Texto de Napoleon Hill

 

 

 

 

 


                   R U G A S    D E   U M  S O R R I S O 





A woman's smile — Fotografia Stock  #10000154




                   Ah, aqueles tempos do Diretório Central dos Estudantes (mais conhecido como DCE), palco de tantas reuniões e lutas contra o governo totalitário instalado no País em 1964.

                   Sua sede social ficava (ou ainda fica?) ali na Rua  Gonçalves Dias, Bairro de Lourdes, na bela capital mineira As horas dançantes aconteciam quase sempre aos sábados. Era um festival de moças bonitas e casadoiras.
                   Os universitários ali se reuniam para uma paquera geral. Normalmente, os rapazes permaneciam em pé, muitas vezes caminhando em volta das mesas, sem ocupá-las, para não pagarem gorjetas ao garçom. Iam diretamente ao bar e ali compravam suas bebidas.
                   As moçoilas, sim, sentavam-se às mesas, às vezes com seus pais, parentes, ou acompanhadas de colegas, irmãos ou namorados.
                   Floriano não perdia um baile no DCE. Tinha ele sua turminha de gole e de paquera. Era também um bom dançarino. Seu forte era a valsa. Ao som do Danúbio Azul, valsava até a dama se cansar.
                  Universitário, cursava o terceiro ano de Direito na Federal; vangloriava-se de seu porte físico.
                  Foi numa agitada valsa que conheceu Maria Amélia. Estava ela sentadinha e bem comportada, juntamente com sua tia, ocupando uma mesa bem perto da pista de dança. Era uma lourinha, de rosto bem rosadinho, cabelos finos e esvoaçantes, pernas finas, mas bem torneadas, nariz bem afilado e olhos castanhos claros. Também universitária, segundo ano de letras (Português e Inglês) na FAFI (Faculdade de Filosofia e Letras da Federal).
                Começaram a bailar. Ela, tão leve, não parecia dançar: voava como uma pena ao vento. Quando terminou a música, foi um aplauso geral.
                Floriano sentiu-se nas nuvens, um verdadeiro Fred Astaire. Levou-a até à mesa e pediu licença para sentar-se também. A tia assentiu com um aceno de cabeça. Dançaram outras músicas. E ali nasceu um romance de fazer inveja a Romeu e Julieta.
                A tia da moça, de nome Francisca, era quem dava as cartas. Quis embora antes do término do baile, para desagrado de Floriano. Chamou o garçom e pediu a conta.
                Elas haviam tomado apenas dois guaranás e ele um chopinho. Por sorte, havia recebido seu pagamento minguado de vendedor de uma livraria. Quitou a conta toda. Ofereceu-se para levá-las, mas a tia foi logo dizendo:” precisa não, moramos aqui pertinho”.  Foi um alívio para o bolso de Floriano, pois não tinha carro e teria de arcar com as despesas de  um táxi.
                Foram andando Rua da Bahia abaixo até a altura da Rua Guajajaras com Álvares Cabral. A família de Maria Amélia morava num casarão antigo, prestes a ser tombado ou  talvez demolido por uma grande construtora.
                A tia da moça subiu antes. Floriano ficou ali mais um pouco com Amélia. Trocaram números de telefones. A mãe de Amélia surgiu de repente na janela e gritou, com uma voz rouquenha, para a moça entrar logo, pois já era muito tarde. Os dois se despediram, antes marcando um encontro para o próximo sábado lá mesmo no DCE.
                Floriano ficou ansioso para chegar o sábado. Enfim, veio o tão esperado dia, ou melhor, noite. Lá foi ele para dançar com sua dama lourinha. 
                Ela e a inseparável tia já estavam esperando por ele na mesa reservada com antecedência.
                Aproximou-se, deu um beijo no rosto de Amélia, apertou a mão da tia e sentou-se com elas. Não demorou, e o conjunto musical começou a tocar. Eram músicas lindas, daquela época, de Ray Conniff. Dançaram bastante. Ele encostou seu rosto no dela, embora tomando cuidado para não serem vistos pela zelosa titia. 

               Naquele enleio todo, Floriano roçou seus lábios no laço de fita usado para prender o cabelo esvoaçante da namorada. Ela se arrepiou todinha. Aproveitando-se do momento, o rapaz sussurrou-lhe aos ouvidos a estrofe do poema de Castro Alves ‘O Laço de Fita’: ”há pouco voavas na célere valsa, na valsa que anseia, que estua e palpita: por que é que tremeste? Não eram meus lábios... beijava-te apenas teu laço de fita”.

              “Que lindo!”- respondeu baixinho e emocionada a moça. E o beijou carinhosamente no rosto, isto porque a tia estava de olho.

               Sentaram-se um pouco para descansar. Floriano teve vontade de ir ao banheiro. Quando estava longe, um estudante de engenharia chegou-se até à mesa para tirar Amélia para dançar. “Tenho namorado, disse ela’.
-                     “E o que importa? Não tenho ciúmes’, falou o engraçadinho.
                 Nisto, apareceu Floriano, pegou uma cadeira e rachou-a na cabeça do atrevido. A partir daí começou uma briga geral. Eram cadeiras e mesas voando pelos ares, garrafas e copos se espatifando pelo chão. Chamaram a polícia, pois os seguranças não conseguiam dominar a situação.
                 Floriano pegou na mão da namorada e esta, por sua vez,enlaçou seu braço no da tia. Com muito custo, saíram daquele local. Ele, com algumas escoriações na cabeça e nos braços. As duas nada sofreram
                 Fizeram o mesmo trajeto da semana anterior. O rapaz, após a tia ter entrado a casa, continuou com Amélia na porta. Trocaram abraços apertados e beijos ardentes.
                 Mas, uma coisa estava martelando a cabeça do rapaz: Amélia não ria. Apenas, esboçava um ligeiro sorriso, quase sem mexer os lábios e as bochechas.
                 Para certificar-se mais, contou-lhe uma piada engraçada. E ela agiu do mesmo jeito: Então, perguntou-lhe: “não gostou de minha piada?’
-               -“Gostei muito.”
 -              “Então, por que não riu?”
          -    “Não quis rir, para não fazer rugas em meu rosto”    
                 Ele deu aquela gargalhada. Ela não gostou de sua atitude.
                Intrigado com o comportamento inusitado de sua namorada, Floriano foi embora para casa e começou a fazer uma pesquisa sobre rugas. Conseguiu umas revistas de beleza da coleção de sua irmã. Encontrou as seguintes matérias: “ Se chorei ou se sorri... o importante é que emoções eu vivi”. A mensagem-lição que Roberto Carlos eternizou com sua canção não parece estar sendo levada tão ao pé da letra.          Afinal, o mito grego de Narciso não nos deixa esquecer a vaidade que está presente em cada um de nós. E sabemos que as emoções deixam rastros, principalmente em nosso rosto. Até mesmo um saudável sorriso pode deixar mais do que apenas boas lembranças e nos marcar com as temíveis rugas”.     
                 E mais: “- Enfim, rir causa rugas?
               -Sim, são as rugas de expressão. Mas, chorar causa mais”.
              “Se a vida lhe der 100 motivos para chorar, mostre a ela que você tem 101 para sorrir”   
              “Riso falso: em geral é rápido tipo “acende apaga” e não provoca rugas de expressão ao redor dos olhos; é assimétrico, pois o rosto fica imóvel.”
                                                                                 Mas,”rir muito não causa rugas?”        
            -“Causa, mas são as que chamamos de rugas de beleza”. (Entrevista de Thomas-Bernard Quaas – principal executivo da Nívea).
“De frente ao espelho, dê um sorriso,  mas sem mostrar os dentes e fique assim por dois segundos”.

             “Sorrir dá rugas. É o que nos lembra a canção de John Williamson, apropriadamente intitulada Wrinkles (Rugas). Fala-nos do velho Bob, um homem que sempre viveu feliz com a família e no trabalho, e que, de tanto sorrir, desenvolveu rugas. E aí vem a pergunta: você deixaria de sorrir para evitar as rugas? Se a resposta é afirmativa, talvez valha a pena lembrar outro trabalho, desta vez baseado em fotos de mulheres com intervalo de 10 anos.

               Verificou-se que as sorridentes do passado de fato apresentavam as características rugas do sorriso – mas em geral tinham menos rugas, porque eram pessoas que viviam melhor, que tinham um estilo de vida mais saudável”. 
                     Parou por aí, desistindo de outras pesquisas.

               Realmente, tinha ela um pouco de razão, segundo as pesquisas acima. Mas, com o tempo, Amélia iria deixar seu lindo sorriso aflorar, entreabrindo aqueles lábios carnudos e não se preocupar mais com as rugas de expressão.

               Ele, pessoalmente, preferiu seguir a sabedoria contida no velho provérbio chinês: ”para sentir-se saudável, deve-se rir pelo menos trinta vezes ao dia!”.
               Continuou seu namoro e aceitou os risos falsos de sua bela namorada, repetindo os versos da música de Roberto Carlos:” Se sorri, se chorei... o importante é que emoções eu vivi”.


             (Este texto se encontra publicado no meu livro de contos e crônicas, intitulado “Rugas e Sorrisos”, - Editora Protexto).

                  Geraldo de Castro Pereira