ELOGIO À POESIA
Poesia!
És o hálito olente de
uma amor distante
Ou de um amor presente.
O arrulho de uma pomba
errante,
O sopro de uma doce brisa.
És a relva macia
Onde o ofegante
peregrino
Ali se delicia.
Poesia,
És a chama que dá calor
Ao
congelado coração.
És melíflua
Corrente cristalina,
Deslizando
mansamente
Pela colina..
És burburinho das fontes,
Das cidades
borbulhantes,
Sorriso de belas morenas,
Sussurro das falenas,
Trinado
de passarinho
Na quietude de seu ninho.
Beijos perfumados
Nos
lábios enamorados
E na face rubra de um carinho.
És rapsódia,
És
melodia,
Nas badaladas de um sino
Ou nas cordas mágicas
De um sonoro
violino.
Tu tornas o poeta um “fingidor”,
Fá-lo “ouvir e entender
estrelas”,
Fugir para a "Pasárgada ",.
Transformar a lua “num boião de
leite
Que a noite leva,
Com mão de treva.”,
Ou “balão aceso, que
subindo vai“.
Puseste “uma pedra. no meio do caminho”.
Até sem rimas és
uma beleza
E encantas todo o mundo.
Poesia! Se tu não existisses,
Que
seria dos boêmios,
Dos amantes,
sonhadores,
Dos seresteiros,
dos
trovadores, .
Dos tristes e oprimidos,
Dos alegres e dos loucos,
dos
cegos e dos moucos?
Sem ti, quem admiraria
uma flor desabrochando,
ou
um sorriso de criança,
quem faria declarações apaixonantes,
quem veria a
natureza com olhos coloridos,
protegendo-a dos vandalismos?
Sem ti,
existiria beleza?
Sem ti, existiria vida? .
Talvez da caixa de
Pandora
Foste a única dali brotada
Para amenizar as vicissitudes,
Para
enaltecer as virtudes,
Mostrando a vileza do mundo,
Transformando esse
vale de lágrimas
Num lenitivo eterno e profundo!
Geraldo de Castro Pereira