O L O B O E O C O R D E I R O
Pela sede compelidos,
A um mesmo manso regato
vieram beber juntinhos
Lobo e um cordeiro pacato.
O lobo ficou acima
E mais abaixo o cordeiro.
O lobo provocador
Disse-lhe em tom zombeteiro:
-Por que turvas minha água,
A água que irei beber?
E o cordeiro assim responde,
Todo medroso, a tremer:
-Como sujar tua água,
Se mais abaixo eu estou?"
O lobo, sem argumento,
Uma falácia inventou::
“-Tu falaste mal de mim,
Isto seis meses atrás.
Não posso aceitar a ofensa;
de mim não escaparás’.
E o cordeiro, bem surpreso,
Respondeu , com um gemido:
“seis meses atrás, seu lobo,
Inda não era nascido”.
-“Então, se não foste tu,
Foi teu pai e com certeza.”
O lobo então arrebata
Com seus dentes sua presa.
Esta é a moral da história,
Que acontece tão freqüente:
“O mais forte e poderoso
Sempre oprime o inocente”.
Nota do Autor: esta é mais uma fábula de Fedro, aliás.bem difundida, traduzida do latim, embora de forma mais livre para melhor adaptá-la em versos heptassílabos.
GERALDO DE CASTRO PEREIRA
Muito boa
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